Guardiãs de Sementes

segurança e Soberania Alimentar na vida das Mbyá Guarani no Brasil e na Argentina

Autores

  • Mariana Volkmer de Castilho Pesquisadora autônoma

DOI:

https://doi.org/10.21057/10.21057/repamv17n1.2023.56811

Palavras-chave:

Mbya Guarani; direito humano à alimentação; políticas públicas; re-existência; protagonismo feminino

Resumo

O artigo apresenta de forma resumida a tese da autora intitulada “Guardiãs de Sementes: Segurança e Soberania Alimentar na vida das Mbyá Guarani no Brasil e na Argentina”. Aborda o tema do direito humano à alimentação e à nutrição adequadas (DHANA) e da segurança alimentar e nutricional (SAN) no paradigma da colonialidade do poder e do saber, bem como a tentativa de sua desconstrução mediante o conceito de soberania alimentar (SoBA). O foco recai sobre as mulheres Mbyá Guarani no Brasil e na Argentina, considerando sua visão de território (yvyrupa), aldeia (tekoa), sementes e alimentos. A metodologia utilizada é colaborativa e comparativa, no marco teórico feminista decolonial. A tese explora divergências entre as perspectivas indígenas e estatais, a cosmovisão Mbyá, a relação com os Estados brasileiro e argentino, e o protagonismo das mulheres Mbyá, nas iniciativas de resistência e autonomia. Essas mulheres, articulando parcerias, trocam sementes e saberes enquanto constroem novas formas de existir. Conclui que o direito coletivo a um território e à livre determinação no seu uso tem mais significado do que os conceitos de DHANA e SAN, pois garantem a reprodução física e cultural do povo Guarani conforme seu modo de ser, fazer e viver.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ACHINTE, Adolfo Álban. Comida y colonialidad: tensiones entre el proyecto hegemónico moderno y las memorias del paladar. Calle14, v. 4, n. 5, p. 10-23, jul./dez. 2010. Universidad Distrital Francisco José de Caldas, Bogotá, Colombia. Disponível em: https://www.redalyc.org/articulo.oa?id=279021514002. Acesso em: 14 out. 2020.

ACHINTE, Adolfo Álban. Pedagogías de la re-existencia: artistas indígenas y afrocolombianos. In: WALSH, Catherine (org.). Pedagogías decoloniales: prácticas insurgentes de resistir, (re)existir y (re)vivir. Quito: Ediciones Abya Yala, 2013. p. 443-468.

ACHINTE, Adolfo Álban. Territorio y memoria: dos apuestas por la re-existencia. In: ANTUÑA, Jesús; GIORDANO, Verónica; MOLINARI, Eduardo (org.). Comunidad, territorio, futuro: prácticas de investigación y activismo en la convergencia de arte y ciencias sociales. [S.l.]: Teseo Press Design, 2020. p. 33-56. Disponível em: https://www.academia.edu/53262954/Antu%C3%B1a_Giordano_Molinari_comp_Comunidad_territorio_futuro_Pr%C3%A1cticas_de_investigaci%C3%B3n_y_activismo_en_la_convergencia_de_arte_y_ciencias_sociales. Acesso em: 8 dez. 2022.

ARGENTINA. Constitución de la Nación Argentina. Ley n. 24.430, Santa Fe, 22 ago. 1994. Boletín Oficial, 23 ago. 1994.

BARBOSA, Vera Lúcia Ermida. Dona Augusta: narrativas sobre a reexistência de uma mulher no espaço privado. Anais Eletrônicos do XV Encontro Nacional de História Oral (Narrativas Orais, Ética e Democracia), 2020. Disponível em: https://www.encontro2020.historiaoral.org.br/arquivo/. Acesso em: 2 abr. 2021.

BELLACASA, Maria Puig de. Matters of Care: Speculative Ethics in More than Human Worlds. Minesota Press. 2017.

BELLOWS, Anne C.; VALENTE, Flavio Luiz Schieck; LEMBKE, Stefanie (eds.). Gender, nutrition and the human right to adequate food: towards an inclusive framework. New York: Taylor & Francis/Routledge, [s.d.]. Disponível em: https://www.fian.org/fileadmin/media/publications_2015/2013_Gender__Nutrition__and_the_Human_Right_to_Adequate_Food_book_synopsis.pdf.

BENITES, Sandra. Viver na língua Guarani Nhandewa (Mulher falando). 2018. Dissertação (Mestrado em Antropologia Social) – Museu Nacional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=5614290. Acesso em: 8 nov. 2022.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988.

BRIGHENTI, Clovis Antônio. Necessidade de novos paradigmas ambientais: implicações e contribuição Guarani. Brazilian Journal of Latin American Studies, v. 4, n. 7, p. 33-56, 2005.

Disponível em: https://doi.org/10.11606/issn.1676-6288.prolam.2005.81790. Acesso em: 26 set. 2020.

CASTILHO, Mariana Wiecko V. Guardiãs das sementes: segurança e soberania alimentar na vida das Mbya Guarani no Brasil e na Argentina. 2023. Tese (Doutorado em Estudos Comparados sobre as Américas) – Programa de Pós-Graduação em Estudos Comparados sobre as Américas (PPGECsA), Universidade de Brasília, Brasília, 2023.

CASTILHO, Mariana Wiecko Volkmer de; CASTRO, José Gerley Díaz. Do sertão à periferia: expropriação camponesa pela expansão da soja. O caso da Serra do Centro em Campos Lindos/TO. Araguaína: FASE/CPT/APA-TO, 2006.

CISA. Cultura Indígena na Sala de Aula. Sistema do Povo Guarani: a resistência do Nhandereko. Kerexu Yxapyry. 11 maio 2021. Plataforma Zoom.

DARELLA, Maria Dorothea Post. “Ore Rpipota Yvy Porã – nós queremos terra boa”: territorialização Guarani no litoral de Santa Catarina – Brasil. 2004. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2004.

Disponível em: https://leiaufsc.files.wordpress.com/2015/08/tese-maria-dorothea-post-darella-2004.pdf. Acesso em: 5 jan. 2022.

FAO. Declaração de Roma sobre a Segurança Alimentar Mundial e Plano de Ação da Cimeira Mundial da Alimentação. Roma, 13–17 nov. 1996. Disponível em: https://www.fao.org/3/w3613p/w3613p00.htm. Acesso em: 8 jan. 2022.

FAO. Diretrizes voluntárias em apoio à realização progressiva do direito à alimentação adequada no contexto da segurança alimentar nacional. Roma, 2015.

Disponível em: https://www.fao.org/3/y7937pt/Y7937PT.pdf.

Acesso em: 21 fev. 2021.

FEDERICI, Silvia. Reencantar el mundo: el feminismo y la política de los comunes. 1. ed. Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Tinta Limón, 2020.

HARAWAY, Donna. Saberes localizados: a questão da ciência para o feminismo e o privilégio da perspectiva parcial. Cadernos Pagu, n. 5, p. 7–41, 1995.

Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/view/1773.

Acesso em: 20 jan. 2022.

HOYOS, Claudia Janet Cataño; D'AGOSTINI, Adriana. Segurança alimentar e soberania alimentar: convergências e divergências. Revista Nera, ano 20, n. 34, p. 174-198, jan./abr. 2017.

Disponível em: http://revista.fct.unesp.br/index.php/nera/article/view/4855.

Acesso em: 1 jan. 2020.

LADEIRA, Maria Inês. Comunidades Guaranis da Barragem e do Krukutu e a Linha de Transmissão de 750 kv Itaberá – Tijuco Preto III: relatório de interferências. São Paulo, nov. 2000.

Disponível em: https://acervo.socioambiental.org/acervo/documentos/comunidades-guarani-da-barragem-e-do-krukutu-e-linha-de-transmissao-de-750-kv.

Acesso em: 10 ago. 2020.

LEÃO, Marília. O direito humano à alimentação adequada e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Brasília: ABRANDH, 2013.

MIHESUAH, Devon A.; HOOVER, Elizabeth; LADUKE, Winona (org.). Indigenous Food Sovereignty in the United States: restoring cultural knowledge, protecting environments, and regaining health. Norman: University of Oklahoma Press, 2019.

MIGNOLO, Walter. A colonialidade está longe de ter sido superada, logo, a decolonialidade deve prosseguir. MASP Afterall, 2019. Disponível em: https://assets.masp.org.br/uploads/temp/temp-YC7DF1wWu9O9TNKezCD2.pdf. Acesso em: 18 set. 2021.

MIGNOLO, Walter. Histórias locais/projetos globais: colonialidade, saberes subalternos e pensamento liminar. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2003.

MOVIMIENTO DE MUJERES INDÍGENAS POR EL BUEN VIVIR. Diálogos entre cosmovisiones por el buen vivir. Com Vandana Shiva e Moira Millán. [S.l.: s.n.], [202?]. Vídeo (YouTube). Disponível em: https://youtu.be/fyroimdhNfo?list=LL.

Acesso em: 15 maio 2021.

ONU. Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Adotado pela Resolução n. 2.200-A (XXI) da Assembleia Geral das Nações Unidas, em 16 dez. 1966; ratificado pelo Brasil em 24 jan. 1992. ONU. Declaração Universal dos Direitos Humanos. Disponível em: https://www.ohchr.org/sites/default/files/UDHR/Documents/UDHR_Translations/por.pdf.

SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.

SHIVA, Vandana. ¿Quién alimenta realmente al mundo? El fracaso de la agricultura industrial y la promesa de la agroecología. Madrid: Capitán Swing Libros, 2020.

SILVA, Tânia Elias Magno. Josué de Castro e os estudos sobre a fome no Brasil. Revista Cronos, Natal, v. 10, n. 1, p. 51-77, jan./jun. 2009.

Disponível em: https://periodicos.ufrn.br/cronos/article/viewFile/1767/pdf_18.

Acesso em: 1 jun. 2017.

VALENTE, Flávio Luiz Schieck. Segurança alimentar e nutricional: transformando natureza em gente. In: DIREITO humano à alimentação: desafios e conquistas. São Paulo: Cortez, 2002. p. 103–136.

Downloads

Publicado

2026-02-27

Como Citar

de Castilho, M. V. (2026). Guardiãs de Sementes: segurança e Soberania Alimentar na vida das Mbyá Guarani no Brasil e na Argentina. Revista De Estudos E Pesquisas Sobre As Américas, 17(1), 139–185. https://doi.org/10.21057/10.21057/repamv17n1.2023.56811

Edição

Seção

Dossiê: A comida e a Fome - reflexões sobre transformações e diversidade dos sistemas alimentares contemporâneos