Os "A gente fica sem saber o que fazer"

Fome e Insegurança Alimentar dos povos indígenas na perspectiva dos profissionais de saúde de um Polo-Base do DSEI-Bahia

Autores

  • Marcus Vinicius Ferreira de Souza Programa de Pós-Graduação em Alimentos, Nutrição e Saúde pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) https://orcid.org/0009-0006-5550-3053
  • João Paulo de Oliveira Rigaud Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-2856-0603
  • Ligia Amparo da Silva Santos Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA, Brasil.

DOI:

https://doi.org/10.21057/10.21057/repamv17n1.2023.56134

Palavras-chave:

Fome. Insegurança Alimentar. Saúde Indigena. Território.

Resumo

O presente estudo objetiva analisar as compreensões sobre a fome e a insegurança alimentar dos povos indígenas a partir dos profissionais de saúde de um Pólo-Base do Distrito Sanitário Especial Indígena da Bahia (DSEI - Bahia). Ao considerar que a Bahia é o estado do Nordeste com maior número de indígenas, realizou-se um estudo qualitativo na região de Paulo Afonso, Bahia. Na produção dos dados empíricos, foram realizadas entrevistas narrativas durante o período de setembro de 2021 a agosto de 2022 aos profissionais de saúde atuantes no DSEI-Ba. Os resultados consideram que, como, as questões que afetam o território em interação com processos globalizantes e da modernidade-colonial afetam na  produção da fome e nas mudanças alimentares no cotidiano, e de maneira que são produzidas pelos contextos social, histórico, político e econômico, em diferentes escalas. Assim considera-se que a fome e insegurança alimentar em comunidades indígenas necessitam de aprofundamentos sobre as condições demográficas e sociais enfrentadas por esta população, sob uma perspectiva das relações construídas a partir e essencialmente, do território. Ao analisarmos o agravamento das desigualdades relacionadas aos povos indígenas, espera-se que esse estudo possa contribuir para desenvolvimento de estratégias e ações eficazes para o mitigamento de desigualdades tendo em vista as especificidades de diferentes comunidades étnicas.

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Biografia do Autor

Marcus Vinicius Ferreira de Souza, Programa de Pós-Graduação em Alimentos, Nutrição e Saúde pela Universidade Federal da Bahia (UFBA)

Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Alimentos, Nutrição e Saúde da Universidade Federal da Bahia. Graduado em Nutrição pela Universidade Federal da Bahia. Integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação e Cultura (NEPAC/UFBA). 

 

 

João Paulo de Oliveira Rigaud , Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais da Universidade Federal da Bahia, Salvador, BA, Brasil.

Doutorando em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia, com estágio doutoral na Universidad de Buenos Aires. Mestre em Alimentos, Nutrição e Saúde pela Universidade Federal da Bahia. Pós-graduado em Antropologia pela Faculdade Dom Alberto. Graduado em Gastronomia pela Faculdade UNIME. Integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Alimentação e Cultura (NEPAC-UFBA).

Ligia Amparo da Silva Santos, Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia. Salvador, BA, Brasil.

Professora Titular da Escola de Nutrição da Universidade Federal da Bahia. Doutora em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Mestre em Medical Education pela University of Dundee. Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisa em Alimentação e Cultura (NEPAC-UFBA).

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Publicado

2026-02-27

Como Citar

de Souza, M. V. F., de Oliveira Rigaud , J. P., & Amparo da Silva Santos, L. (2026). Os "A gente fica sem saber o que fazer": Fome e Insegurança Alimentar dos povos indígenas na perspectiva dos profissionais de saúde de um Polo-Base do DSEI-Bahia. Revista De Estudos E Pesquisas Sobre As Américas, 17(1), 115–138. https://doi.org/10.21057/10.21057/repamv17n1.2023.56134

Edição

Seção

Dossiê: A comida e a Fome - reflexões sobre transformações e diversidade dos sistemas alimentares contemporâneos