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Fome e Insegurança Alimentar dos povos indígenas na perspectiva dos profissionais de saúde de um Polo-Base do DSEI-Bahia
DOI:
https://doi.org/10.21057/10.21057/repamv17n1.2023.56134Palavras-chave:
Fome. Insegurança Alimentar. Saúde Indigena. Território.Resumo
O presente estudo objetiva analisar as compreensões sobre a fome e a insegurança alimentar dos povos indígenas a partir dos profissionais de saúde de um Pólo-Base do Distrito Sanitário Especial Indígena da Bahia (DSEI - Bahia). Ao considerar que a Bahia é o estado do Nordeste com maior número de indígenas, realizou-se um estudo qualitativo na região de Paulo Afonso, Bahia. Na produção dos dados empíricos, foram realizadas entrevistas narrativas durante o período de setembro de 2021 a agosto de 2022 aos profissionais de saúde atuantes no DSEI-Ba. Os resultados consideram que, como, as questões que afetam o território em interação com processos globalizantes e da modernidade-colonial afetam na produção da fome e nas mudanças alimentares no cotidiano, e de maneira que são produzidas pelos contextos social, histórico, político e econômico, em diferentes escalas. Assim considera-se que a fome e insegurança alimentar em comunidades indígenas necessitam de aprofundamentos sobre as condições demográficas e sociais enfrentadas por esta população, sob uma perspectiva das relações construídas a partir e essencialmente, do território. Ao analisarmos o agravamento das desigualdades relacionadas aos povos indígenas, espera-se que esse estudo possa contribuir para desenvolvimento de estratégias e ações eficazes para o mitigamento de desigualdades tendo em vista as especificidades de diferentes comunidades étnicas.
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