A REINSCRIÇÃO DA COLONIALIDADE NO DIREITO DO TRABALHO BRASILEIRO

ENTRE ESTRUTURA, CONJUNTURA E ACONTECIMENTO, UMA ANÁLISE HISTÓRICO-CRÍTICA DA EROSÃO INSTITUCIONAL DA PROTEÇÃO TRABALHISTA

Autores

Palavras-chave:

Direito do Trabalho, Colonialismo, Neoliberalismo, Flexibilização, Análise histórica

Resumo

O artigo analisa a erosão do direito do trabalho no Brasil a partir de uma abordagem histórica de múltipla duração. Parte-se da hipótese de que a precarização contemporânea não é um desvio institucional, mas expressão da permanência da racionalidade colonial. Utiliza-se o método de análise histórica múltipla, inspirado em Fernand Braudel, articulando três níveis: estrutura (formações coloniais e escravocratas), conjuntura (neoliberalismo e desmonte institucional) e acontecimento (decisões judiciais e reformas legislativas na Nova República). A metodologia é de estudo de caso, com revisão bibliográfica e análise documental de julgados e dispositivos legais. Conclui-se que a flexibilização do trabalho no Brasil é parte de um projeto político que reinscreve a colonialidade no núcleo normativo do Estado, transformando o direito do trabalho de instrumento de proteção em dispositivo de contenção social.

 

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Biografia do Autor

Júlio César Farias de Oliveira Júnior, Universidade de Brasília (UnB)

Doutorando em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB). E-mail para contato: julio.oliveira.junior@gmail.com.

Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3522872035443194.

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Publicado

19-12-2025

Como Citar

OLIVEIRA JÚNIOR, Júlio César Farias de. A REINSCRIÇÃO DA COLONIALIDADE NO DIREITO DO TRABALHO BRASILEIRO: ENTRE ESTRUTURA, CONJUNTURA E ACONTECIMENTO, UMA ANÁLISE HISTÓRICO-CRÍTICA DA EROSÃO INSTITUCIONAL DA PROTEÇÃO TRABALHISTA. Revista dos Estudantes de Direito da Universidade de Brasília, [S. l.], v. 22, n. 2, p. 56–65, 2025. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/redunb/article/view/58185. Acesso em: 4 mar. 2026.