A ETNOTERMINOLOGIA DA LÍNGUA MUNDURUKÚ- TUPÍ E AS CONTRIBUIÇÕES DA ECOLINGUÍSTICA

Autores

  • Nathalia M. P. Costa Universidade de Brasília
  • Dioney M. Gomes Universidade de Brasília

DOI:

https://doi.org/10.26512/les.v14i1.22249

Palavras-chave:

Etnoterminologia. Ecolinguística. Povo Mundurukú. Sistema de Cura e Cuidados. Etnotermos.

Resumo

A etnoterminologia estuda os termos encontrados nos discursos de especialidade de uma comunidade autóctone). Em cada contexto étnico, haverá diferentes termos (etnotermos), cultural comunitariamente variável. Por exemplo, a concepção do termo “alma” na cultura grecoromana é diferente da forma como ele é concebido na maioria das culturas orientais e indígenas. Para postular uma etnoterminologia a partir do estudo de comunidades autóctones, é preciso reconhecer que elas são detentoras de conhecimentos especializados, presentes em um discurso de especialidade. Desde 2009, pesquisamos os etnotermos do rico sistema de cura e cuidado do povo Mundurukú, fortemente atrelados ao meio ambiente. Além da fundamentação teórica e metodológica dos dois campos que compõem a Etnoterminologia, que são a Etnolinguística e a Terminologia, recentemente começamos a considerar a Ecolinguística, posto que ela contempla as relações entre língua e meio ambiente, compreendendo a língua como componente de um ecossistema, entendido este como o produto da relação Território (T) + Povo (P) + Língua (L). Como o Território é determinante na construção do conhecimento especializado dos pajés, uma vez que é o seu meio de atuação científica torna-se um componente necessário na análise linguística. Não há dúvidas de que os etnotermos empregados nessa medicina sofrem influência direta dos recursos disponíveis. Assim, perdas ambientais e territoriais implicam perdas linguístico-culturais. Aqui, encontramos uma contribuição da Ecolinguística, que também «(...) luta pela preservação das línguas minoritárias e/ou ameaçadas de extinção» (COUTO, 2007: 41). O construto Léxico da Ecolinguística também passa a integrar o nosso construto Etnotermo e a epistemologia da nossa Etnoterminologia.

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Biografia do Autor

Nathalia M. P. Costa, Universidade de Brasília

Licenciada em Letras pela UnB e Mestre em Linguística e doutoranda emLinguística pela mesma universidade. Participa de pesquisas em terminologia,etnoterminologia, gramática, línguas e educação indígena. Especificamente, tem trabalhado com a Etnoterminologia do sistema de cura e cuidados Mundurukú.

Dioney M. Gomes, Universidade de Brasília

Professor Adjunto III e Coordenador do Programa de Pós-Graduação (mestrado e doutorado) em Linguística da UnB, desenvolve pesquisas com línguas indígenas, língua portuguesa, língua brasileira de sinais (Libras) e formação inicial, bem como continuada, de professores. É também membro associado do Centre d’Études des Langues Indigènes d’Amérique (CNRS, IRD, INALCO, Université de Paris 7).

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Publicado

2013-06-28

Como Citar

Costa, N. M. P., & Gomes, D. M. (2013). A ETNOTERMINOLOGIA DA LÍNGUA MUNDURUKÚ- TUPÍ E AS CONTRIBUIÇÕES DA ECOLINGUÍSTICA. Cadernos De Linguagem E Sociedade, 14(1), 252–274. https://doi.org/10.26512/les.v14i1.22249

Edição

Seção

Artigos de pesquisa