Escrever com o corpo

a dramaturgia sinalizada como ferramenta de soberania teatral surda

Autores

  • Lucas Sacramento Resende Universidade Federal do Oeste da Bahia

DOI:

https://doi.org/10.26512/cerrados.v34i69.60183

Palavras-chave:

Teatro Surdo, Dramaturgia Sinalizada, Escrita Corporal, Cultura Surda

Resumo

Este artigo investiga a dramaturgia sinalizada enquanto prática de escrita cênica que tem o corpo surdo como suporte de criação. Partindo do pressuposto de que a língua de sinais é espaço-visual, propõe-se um sistema de notação teatral que traduz a gramática corporal da Libras em orientações de encenação. O estudo toma como objeto a peça Sopro de Liberdade, analisando como a notação visual organiza ações, emoções e elementos técnicos em uma estrutura acessível a artistas e espectadores surdos. Os resultados apontam que a dramaturgia sinalizada opera uma virada epistemológica no teatro surdo: em vez de adaptar textos em português, ela institui uma poética própria, na qual a cena é gerada a partir do movimento, do ritmo e da expressividade inerentes à cultura surda. Conclui-se que a prática não se resume a um método cênico, mas configura-se como instrumento de soberania artística, ao assegurar aos criadores surdos o controle sobre sua representação e narrativa. Defende-se, por fim, a urgência de formar dramaturgos surdos nessa escrita corporal, como forma de consolidar uma tradição teatral autônoma e autorreferente.

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Publicado

24-12-2025

Como Citar

Sacramento Resende, L. (2025). Escrever com o corpo: a dramaturgia sinalizada como ferramenta de soberania teatral surda. Revista Cerrados, 34(69), 113–136. https://doi.org/10.26512/cerrados.v34i69.60183

Edição

Seção

50 anos de POSLIT: edição comemorativa

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