CHAMADA DE ARTIGOS - Dossiê "Literatura de Brasília e Distrito Federal"
Como escreveu José Saramago, é preciso sair da ilha para ver a ilha.
É preciso deslocar o olhar para perceber como a literatura de um local se oferece, para além de sua história e de um cânone. No caso da literatura de/em/sobre Brasília e Distrito Federal, é plausível dizer que ela nasce e se estabelece num quadro maior em que as ilhas literárias se confundem e se multiplicam, num contínuo fluxo e refluxo. Ilhas que pouco ou nada se comunicam, controladas que são por mãos invisíveis. Uma historiografia da literatura a partir dos anos 60 do século XX precisa levar em consideração a complexidade de um cenário causado pela progressiva amplificação (e consequente diluição); seja da produção literária de “cor” local, seja da literatura cosmopolita com pretensões universalistas, que mesmo olhando para um centro (geográfico, sócio-político, cultural) são paradoxalmente permeadas de margens e fronteiras, vazios e lacunas. Nessa perspectiva, a utopia da cidade moderna pode inclusive ser vista como tão ilusória quanto os desenganos do discurso entreguista-derrotista (sem contar, entretanto, com seu lado negativo).
Acreditando que é preciso procurar a ilha para vê-la, indo além dos ufanismos e dos complexos de inferioridade de plantão sobre o fazer literário a partir da capital federal, o número XX da Revista Cerrados propõe receber contribuições originais que se adequem aos seguintes eixos temáticos:
- História e historiografia da literatura de Brasília e do DF.
- Disputas sobre o campo: concepções da literatura a partir do Centro-Oeste brasileiro.
- Papel de associações, grupos e eventos literários na difusão da literatura do Distrito Federal; círculos literários; circulação de ideias em meios analógicos ou digitais.
- Depois de Iogurte com farinha ou 50 anos da Geração Mimeógrafo (2027): balanço e perspectivas da poesia em Brasília.
- O tempo-espaço reconstruído através da narrativa: imagens da insônia do conto ao romance, da ficção à autobiografia.
- Visões de Brasília: viajantes, estrangeiros e desclassificados.
- Estéticas, vozes e vivências silenciadas na literatura do Distrito Federal.
- Sertões velozes, para além da oposição modernismo-regionalismo: trocas e confluências com outras literaturas (sejam “regionais” ou “nacionais”).
- Brasília “síntese das artes”: relações entre literatura, cidade e outras linguagens artísticas.
- A literatura de Brasília e do DF dentro e fora de sala de aula.
PRAZO DE SUBMISSÃO: 30 de agosto de 2026.
PUBLICAÇÃO PREVISTA: 20 de dezembro de 2026
Editores:
Prof. Dr. Erivelto da Rocha Carvalho (UnB)
Prof. Dr. Fernando Fidelix Nunes (UnDF)
Profa. Dra. Juliana Estanislau de Ataíde Mantovani (IFB)
