Classe Média Negra Universitária: por um projeto de sociedade afirmativa

  • Ricardo Dias de Castro Faculdade Ciências da Vida (FCV)
  • Claudia Mayorga Universidade Federal de Minas Gerais
Palavras-chave: ação afirmativa, negros, classe média, universidade.

Resumo

Este artigo propõe pensar como sujeitos negros, economicamente privilegiados; posicionam-se em relação às ações afirmativas e a democratização do ensino superior público. Para alcançarmos os nossos pontos de análise, realizamos a construção de quatro narrativas com sujeitos autodeclarados negros e da classe média que estivessem envolvidos em alguma política e/ou grupo antirracista. O que podemos perceber é que a experiência de ser negro e pertencer a contextos econômicos médios redimensiona a leitura sobre as políticas de cotas para além da reserva de vagas para sujeitos populares nas instituições de ensino superior. Nessa direção, os sujeitos de pesquisa situam a ação afirmativa como sendo uma política econômica; mas, sobretudo, uma produção acadêmico-política que se desloque do elitismo brancocentrado da universidade. A política afirmativa, assim, é lida enquanto um projeto antirracista para a universidade e a sociedade como um todo 

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ricardo Dias de Castro, Faculdade Ciências da Vida (FCV)

Professor na Faculdade Ciências da Vida (FCV) e doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (2018).

Claudia Mayorga, Universidade Federal de Minas Gerais

Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais e do Programa de Pósgraduação em Psicologia. Coordenadora do Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão Conexões de Saberes na UFMG

Referências

AGUIAR, Márcio Mucedula. “A construção das hierarquias sociais: classe, raça, gênero e etnicidade”. Cadernos de Pesquisa do CDHIS, v. 1, n. 37, 2007.

ANDREWS, George Reid. “Democracia racial brasileira 1900-1990: um contraponto americano”. Estud. av., São Paulo, v. 11, n. 30, p. 95-115, 1997 ANDREWS, George Reid. América afro-latina, 1800-2000. EdUFSCar, 2007.

AZEVEDO, Celia Maria Marinho de. Anti-racismo e seus paradoxos: reflexões sobre cota racial, raça e racismo. Annablume, 2004.

BELTRÃO, Kaizô Iwakami; TEIXEIRA, Moema De Poli. “O vermelho e o negro: raça e gênero na Universidade brasileira: uma análise da seletividade das carreiras a partir dos censos demográficos de 1960 a 2000”, IPEA, 2004

BERNARDINO-COSTA, Joaze; GROSFOGUEL, Ramón. “Decolonialidade e perspectiva negra”. Sociedade e Estado, v. 31, n. 1, p. 15-24, 2016.

BOURDIEU, Pierre. Usos sociais da ciência. Unesp, 2003.

CARNEIRO, Sueli. “Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil: consciência em debate”. Selo Negro, 2011.

CARTER, Prudence L. Keepin'it real: School success beyond Black and White. Oxford University Press, 2005.

CARVALHO, Isabel Cristina Moura. “Biografia, identidade e narrativa: elementos para uma análise hermenêutica”. Horizontes antropológicos, v. 9, n. 19, p. 283-302, 2003.

CARVALHO, José Jorge de. “„Espetacularização‟ e „canibalização‟ das culturas populares na América Latina”. Revista Anthropológicas, v. 21, n. 1, 2012.

CASTRO, Ricardo Dias. Nós queremos reitores negros, saca?: trajetórias de universitários negros de classe média na UFMG. Dissertação (Mestrado em Psicologia). Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2017.

CASTRO, Ricardo Dias; MAYORGA, Claudia. “A construção de um campo de pesquisa antirracista ou sobre quando sujeito e objeto (se) pesquisam”. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN), v. 10, n. 24, p. 339-365, 2018.

CHAUÍ, Marilena. “O que é ideologia”. In Coleção primeiros passos (Vol. 13). Brasiliense, 2004

CHAUÍ, Marilena. “A universidade pública sob nova perspectiva”. Revista brasileira de educação, v. 24, p. 5-15, 2003.

CLANDININ, D. Jean; CONNELLY, F. Michael. Pesquisa narrativa: experiência e história em pesquisa qualitativa. Uberlândia, Brasil, 2011.

CUNHA, Luiz Antônio. “Ensino superior e universidade no Brasil”. Lopes, EMT et al, v. 500, p. 151-204, 2000.

D‟ADESKY, Jacques. Pluralismo étnico e multiculturalismo: racismos e antirracismos no Brasil. Rio de Janeiro: Pallas, 2003. p. 194

DÁVILA, Jerry. Diploma de brancura: política social e racial no Brasil, 1917-1945. Unesp, 2006.

FERES JUNIOR, João; DAFLON, Verônica Toste. “Ação afirmativa na Índia e no Brasil: um estudo sobre a retórica acadêmica”. Sociologias, v. 17, n. 40, 2015. FERES JUNIOR, João. “Aspectos semânticos da discriminação racial no Brasil para além da teoria da modernidade”. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v. 21, n. 61, p. 163-226, 2006.

FIGUEIREDO, Ângela. “Fora do jogo”. Cadernos Pagu, v. 23, p. 199-228, 2004.

FIGUEIREDO, Ângela. Classe média negra: trajetórias e perfis. EDUFBA, 2012.

FIGUEIREDO, Ângela. Novas elites de cor: estudo sobre os profissionais liberais negros de Salvador. Annablume, 2002.

FIGUEIREDO, Ângela; FURTADO, Cláudio Alves. “As elites negras”. In: SANSONE, Lívio; FURTADO, Cláudio Alves. (Org.). Dicionário crítico das ciências sociais dos países de fala oficial portuguesa, Salvador, EDUFBA, 2014, p. 131-149

FONSECA, Marcus Vinícius. BARROS, Aaronovich Pombo. (Orgs.). A história da educação dos negros no Brasil. Niterói: EdUFF, 2016.

FONTE, Carla. A narrativa no contexto da ciência psicológica sob o aspecto do processo de construção de significados. Psicologia: teoria e prática, v. 8, n. 2, p. 123-131, 2006.

GOMES, N.L. Movimento Negro Educador: saberes construídos nas lutas por emancipação. Petrópolis: Vozes, 2017

GROSFOGUEL, Ramón. “A estrutura do conhecimento nas universidades ocidentalizadas: racismo/sexismo epistêmico e os quatro genocídios/epistemicídios do longo século XVI”. Sociedade e Estado, v. 31, n. 1, p. 25-49, 2016.

GUIMARÃES, Antônio Sérgio Alfredo. “Formações nacionais de classe e raça”. Tempo Social, v. 28, n. 2, p. 161-182, 2016.

GUIMARÃES, Antônio Sergio Alfredo. “Raça e os estudos de relações raciais no Brasil”. Novos Estudos CEBRAP, v. 54, p. 147-156, 1999.

hooks, bell. “Confrontação da classe social em sala de aula”. In: Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo, 2013.

LERNER, Samara Mancebo. “A política de cotas raciais no Brasil segundo a percepção de negros de camadas médias do Rio de Janeiro”. Sociedade e Cultura, v. 17, n. 2, 2015.

LIRA, David Pessoa. de; TRINDADE, Celio Juliano Barroso. “Elementos epistemológicos e filosóficos etnocêntricos: inversão de paradigmas afro em diáspora”. Estudos Teológicos, v. 55, n. 1, p. 34-46, 2016.

MAGGIE, Yvonne; FRY, Peter. “A reserva de vagas para negros nas universidades brasileiras”. Estudos avançados, v. 18, n. 50, p. 67-80, 2004.

MAYORGA, Claudia. Universidade cindida, universidade em conexão. UFMG, 2010.

MAYORGA, Claudia; SOUZA, Luciana Maria de. “Ação Afirmativa na Universidade: a permanência em foco”. Revista Psicologia Política, v. 12, n. 24, p. 263-281, 2012.

MUNANGA, Kabengele. “Políticas de ação afirmativa em benefício da população negra no Brasil: um ponto de vista em defesa de cotas”. Sociedade e cultura, v. 4, n. 2, p. 31-43, 2001.

NASCIMENTO, Abdias. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. Editora Perspectiva SA, 2016.

NOGUEIRA, Cláudio Marques Martins; NOGUEIRA, Maria Alice. “A sociologia da educação de Pierre Bourdieu: limites e contribuições”. Educação & Sociedade, v. 23, n. 78, p. 15-36, 2002.

NOGUEIRA, Oracy. “Preconceito racial de marca e preconceito racial de origem: sugestão de um quadro de referência para a interpretação do material sobre relações raciais no Brasil”. Tempo social, v. 19, n. 1, p. 287-308, 2007.

NOGUEIRA, Simone Gibran. Processos educativos da Capoeira Angola e construção do pertencimento étnico-racial. São Carlos: UFSCar, 2007.

OLIVEIRA SARAIVA, Luís Fernando de et al. “A „nova classe média‟: repercussões psicossociais em famílias brasileiras”. Psicologia USP, v. 26, n. 1, p. 52-61, 2015.

OLIVEIRA, Luiz Fernandes de. “Educação Antirracista: tensões e desafios para o ensino de sociologia”. Educação & Realidade, v. 39, n. 1, 2014.

OLIVEN, Arabela Campos. “Ações afirmativas, relações raciais e política de cotas nas universidades: Uma comparação entre os Estados Unidos e o Brasil”. Educação, v. 30, n. 61, p. 29-51, 2007.

OSORIO, Rafael Guerreiro. A mobilidade social dos negros brasileiros, IPEA, 2004.

PINHEIRO, Luana et al. Retrato das desigualdades de gênero e raça. IPEA, 2008.

PIRES, Mara Fernanda Chiari. “Docentes negros na universidade pública brasileira: docência e pesquisa como resistência e luta”. 234p. Tese de Doutorado, Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Campinas. 2014.

QUIJANO, Aníbal. “Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina”. In: Edgardo Lander (Org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais – perspectivas latino-americanas. Buenos Aires, CLACSO, 2005. p. 227-278

RIBEIRO, Djamila. O que é lugar de fala?. Belo Horizonte: Letramento, 2017.

RODRIGUES, Alan et al. Práticas pedagógicas e a lógica meritória na universidade: trajetórias de estudantes da rede pública. Rio de Janeiro: UFRJ, 2006.

SALATA, André Ricardo. “Quem é classe média no Brasil? Um estudo sobre identidades de classe”. Dados-Revista de Ciências Sociais, v. 58, n. 1, 2015.

SANSONE, Lívio. “Os objetos da identidade negra: consumo, mercantilização, globalização e a criação de culturas negras no Brasil”. Mana, v. 6, n. 1, p. 87-119, 2000.

SANTANA, Ivo de. “Negros em colarinhos brancos: estilos de vida, identidades e ascensão social no serviço público”. Cadernos de Estudos Sociais, v. 1, n. 29, 2014.

SANTOS, Boaventura Sousa de. “Para uma sociologia das ausências e uma sociologia das emergências”. Revista crítica de ciências sociais, v. 63, p. 237-280, 2002.

SCHUCMAN, Lia Vainer. Entre o encardido, o branco e o branquíssimo: raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana. 2012. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo. SCHWARTZMAN, Luisa Farah. “Seeing like citizens: unofficial understandings of official racial categories in a Brazilian university”. Journal of Latin American Studies, v. 41, n. 2, p. 221-250, 2009.

SCHWARTZMAN, Luisa Farah; SILVA, Graziella Moraes Dias da. “Unexpected narratives from multicultural policies: Translations of affirmative action in Brazil”. Latin American and Caribbean Ethnic Studies, v. 7, n. 1, p. 31-48, 2012

SITO, Luanda. “Disputas e diálogos em torno do conceito de „ações afirmativas‟ para o ensino superior no Brasil”. universitas humanística, n. 77, 2014.

SKIDMORE, Thomas E. Preto no branco: raça e nacionalidade no pensamento brasileiro. Paz e Terra, 2013

SOARES, Reinaldo da Silva. Negros de classe média em São Paulo: estilo de vida e identidade negra. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo, 2004

SOUZA, Jessé. “Raça ou classe? Sobre a desigualdade brasileira”. Lua Nova, v. 65, p. 4369, 2005.

SOUZA, José. “A gramática social da desigualdade brasileira”. RBCS, v.19, n. 54, 2000.

TAFURI, Diogo Marques. “As Ações Afirmativas e o Campo Científico: dilemas políticos e epistemológicos para a constituição de uma ciência social crítica”. Políticas Educativas, v. 5, n. 1., 2011

TEIXEIRA, Moema de Poli. Negros na universidade: identidade e trajetórias de ascensão social no Rio de Janeiro. Pallas Editora, 2003.

emergências”. Revista crítica de ciências sociais, v. 63, p. 237-280, 2002.

SOUZA, Jessé. “Raça ou classe? Sobre a desigualdade brasileira”. Lua Nova, v. 65, p. 4369, 2005.

SOUZA, José. “A gramática social da desigualdade brasileira”. RBCS, v.19, n. 54, 2000.

TAFURI, Diogo Marques. “As Ações Afirmativas e o Campo Científico: dilemas políticos e epistemológicos para a constituição de uma ciência social crítica”. Políticas Educativas, v. 5, n. 1., 2011

TEIXEIRA, Moema de Poli. Negros na universidade: identidade e trajetórias de ascensão social no Rio de Janeiro. Pallas Editora, 2003.

Publicado
2018-12-20
Seção
Artigos