Corpos estranhos em terras distantes:
o monstruoso nos relatos de viagens
Palavras-chave:
Monstros, grotesco, relatos de viagens, Idade MédiaResumo
No alvorecer do século XVI, uma carta parte do litoral recém-batizado de Vera Cruz em direção ao trono português. Nela, Pero Vaz de Caminha descreve minúcias da paisagem e dos corpos que ali habitavam: corpos que lhe despertavam encanto, mas que, por sua nudez e silêncio diante da língua europeia, eram traduzidos como selvagens. Poucas décadas depois, Hans Staden narra sua travessia em território indígena, apresentando ao mundo europeu a imagem do canibal como testemunho de verdade. A partir dessas vozes, este trabalho interroga as formas pelas quais a ideia de monstro foi tecida nos relatos de viagem, atravessando tempos e geografias. Busca-se compreender como o corpo grotesco — herança de concepções antigas — reaparece em diferentes épocas, sustentando visões de alteridade que ainda ressoam em nossa modernidade.
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