O tempo dos orixás: mẹta mẹta como tradução de temporalidades corpóreas desobedientes
DOI :
https://doi.org/10.26512/revistacalundu.v9i2.58023Mots-clés :
Identidade plural, Orixás, Mẹta Mẹta, Tradução, Epistemologias afro-diaspóricasRésumé
Este artigo propõe uma reflexão sobre a noção de pluralidade identitária a partir da cosmologia dos orixás, articulada com práticas tradutórias que desafiam a rigidez ocidental de classificação binária e a lógica cartesiana. A partir da expressão iorubá “Mẹta Mẹta”, que significa “três três”, explora-se como essa concepção revela a complexidade de orixás como Logunedé, que sintetiza em si características de Oxum, Odé e sua própria individualidade. A ideia de 1+1=3 evidencia uma identidade múltipla, em que a fusão de qualidades distintas não resulta em uma divisão, mas em uma potência que amplia as possibilidades de ser. Ancorado em epistemologias afro-diaspóricas, em referenciais bibliográficos de autoras e autores iorubanos e afro-brasileiros, bem como em observações etnográficas de campo em comunidades de matriz africana, o texto analisa como essa pluralidade se manifesta em linguagens artísticas, literárias e performáticas. A pesquisa combina análise bibliográfica, escuta de narrativas rituais e descrições de experiências vividas (quando citadas), compondo um método que se aproxima tanto da crítica cultural quanto da antropologia do sensível. Assim, argumenta-se que a pluralidade, longe de ser fragmentada, constitui uma forma de potência inventiva, um campo de afirmação das muitas dimensões do ser. Nesse cenário, a tradução torna-se um gesto de insurgência: um modo de dar corpo e língua a identidades dissidentes que escapam à normalização e afirmam outras formas possíveis de existir.
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