O modelo regulatório adotado pelo Ministério da Agricultura no setor de agrotóxicos e a regulação inteligente

Autores

  • Ismael Soares Ferreira Fiocruz

Palavras-chave:

Regulação Inteligente. Ministério da Agricultura e Pecuária. Agrotóxicos. Meio Ambiente. Agricultura.

Resumo

[Propósito] Este estudo analisa a modelagem regulatória do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) no setor de agrotóxicos, especialmente a forma como os instrumentos regulatórios são utilizados, em relação aos princípios da regulação inteligente de Neil Gunningham. O objetivo é verificar se o desenho regulatório atual promove um ambiente sustentável, considerando os impactos dos agrotóxicos na saúde e no meio ambiente.

[Metodologia/abordagem/design] A metodologia utilizada é a comparação entre os preceitos de Gunningham, principal teórico da regulação inteligente, e o atual desenho regulatório adotado pelo órgão regulador do setor.

[Resultados] Conclui-se que o MAPA utiliza predominantemente instrumentos de comando e controle, como registro, monitoramento e fiscalização, sem integrar mecanismos inovadores ou colaborativos. A falta de combinações sinérgicas entre os instrumentos e a ausência de participação de terceiros limitam a eficácia regulatória.

[Implicações práticas] A análise sugere a reconfiguração do modelo atual, incorporando estratégias como participação de atores não estatais e incentivos para práticas sustentáveis, visando resultados ganha-ganha no setor de agrotóxicos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ismael Soares Ferreira, Fiocruz

Mestrando em Direito pela Universidade de Brasília na linha de pesquisa em Transformações na Ordem Social e Econômica e Regulação. Bacharel em Direito pela Universidade de Brasília - UnB. Pós-graduado em Higiene e Vigilância Sanitária de Alimentos pela Faculdade Qualittas. Bacharel em Medicina Veterinária pelas Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central. Fiscal Estadual Agropecuário na Agência Goiana de Defesa Agropecuária. Endereço: Rua Florentino Chaves, nº 370, Centro, Luziânia/GO, CEP: 72.800-520. E-mail: ismaelsoares.sf@gmail.com.

Referências

Aranha, M. I. Manual de Direito Regulatório: Fundamentos de Direito Regulatório. 5. ed. Londres: Laccademia Publishing, 2021.

Bombardi, L. M. Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia. São Paulo: FFLCH-USP, 2017.

Brasil. Lei n˚ 14.785, de 27 de dezembro de 2023. Dispõe sobre a pesquisa, a experimentação, a produção, a embalagem, a rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercialização, a utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos e das embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, de produtos de controle ambiental, de seus produtos técnicos e afins. Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 28 dez 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/L14785.htm. Acesso em: 9 fev. 2025.

Carneiro, F. F. et al. Dossiê ABRASCO: um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde. Rio de Janeiro: EPSJV; São Paulo: Expressão Popular, 2015.

Gunningham, N. et al. Smart regulation: Designing environmental policy. Oxford University Press, 1998. Disponível em: https://doi.org/10.1093/oso/9780198268574.001.0001. Acesso em: 9 fev. 2025.

Gunningham, N.; Sinclair, D. Smart regulation. In: DRAHOS, Peter. Regulatory theory: Foundations and applications, p. 133-148, 2017. Disponível em: http://library.oapen.org/handle/20.500.12657/31596. Acesso em: 9 fev. 2025.

Moraes, R. F. Agrotóxicos no Brasil: Padrões de uso, política da regulação e prevenção da captura regulatória. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Brasília: Texto para Discussão. 2019. Disponível em: http://hdl.handle.net/10419/211457. Acesso em: 9 fev. 2025.

OCDE. Sustainable Development: OECD Policy Approaches for the 21st Century. Paris: OECD Publishing, 1998. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/332910122_Sustainable_Agricultur . Acesso em: 9 fev. 2025.

Paschoal, A. Pragas, agrotóxicos e a crise ambiental: problemas e soluções. Rio de Janeiro: Expressão Popular, 2010.

Pignati, W. A. et al. Vigilância aos agrotóxicos: quantificação do uso e previsão de impactos na saúde-trabalho-ambiente para os municípios brasileiros. Ciência & Saúde Coletiva, v. 22, n. 10, p. 3269-3280, 2017.

Sexton, S. E. et al. The economics of pesticides and pest control. International Review of Environmental and Resource Economics, v. 1, n. 3, p. 271-326, 2007. Disponível em: http://dx.doi.org/10.1561/101.00000007. Acesso em: 9 fev. 2025.

Silva, J. M. Regulação e fiscalização de agrotóxicos no Brasil. São Paulo: Editora Jurídica, 2020.

Downloads

Publicado

2025-10-07

Como Citar

SOARES FERREIRA, Ismael. O modelo regulatório adotado pelo Ministério da Agricultura no setor de agrotóxicos e a regulação inteligente. Journal of Law and Regulation, [S. l.], v. 11, n. 2, p. 71–87, 2025. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/rdsr/article/view/57223. Acesso em: 5 fev. 2026.