Sou eu este patrimônio?

Reflexões críticas acerca da masculinidade hegemônica nos museus e patrimônios goianos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/museologia.v11i21.41424

Palavras-chave:

Museus; Patrimônio Cultural; Masculinidade; Colonialidade; Sexualidade.

Resumo

Esse artigo, tecido a quatro mãos, aciona o conceito de masculinidade hegemônica, imbricado com a colonialidade, para a análise do campo museal e patrimonial do estado de Goiás, com foco na capital goiana. A aplicação parte do diálogo entre uma mulher cis e um homem cis gay, sendo que a análise situada a partir da sexualidade deste último, a ótica homossexual, impulsionou a pesquisa.  Os discursos museais e patrimoniais se  impõem como memória oficial do Estado-Nação, uma memória normativa, atendendo um público específico, ordenado pela matriz heterossexual. Os sujeitos regidos pela norma desenvolvem entre si narrativas que justificam ordens sociais para o controle da história e da memória, entrelaçadas com gênero e sexualidade, causando, assim, náuseas e um mal-estar social aos corpos que se distanciam da norma construída.

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Biografia do Autor

Leonardo Tavares, UFG

Bacharel em Museologia pela Universidade Federal de Goiás e aluno especial do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Goiás (UFG).

Camila Azevedo de Moraes Wichers, Universidade Federal de Goiás

Doutora e Mestra em Arqueologia (MAE/USP), Doutora em Museologia (ULHT-PT) e graduada em História (USP). Docente do Bacharelado em Museologia e do Programa de Pós-Graduação em Antropologia da Universidade Federal de Goiás (UFG)

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Publicado

2022-05-17

Como Citar

Tavares, L., & Azevedo de Moraes Wichers, C. . (2022). Sou eu este patrimônio? : Reflexões críticas acerca da masculinidade hegemônica nos museus e patrimônios goianos. Museologia & Interdisciplinaridade, 11(21), 249–264. https://doi.org/10.26512/museologia.v11i21.41424

Edição

Seção

Dossiê Museus e Museologia LGBT