A língua sob exame
certificação, poder e exclusão
DOI:
https://doi.org/10.26512/les.v26i2.59698Palavras-chave:
Certificação, Exames de proficiência, Exclusão simbólica, Mercado linguístico, Política linguísticaResumo
Este artigo analisa criticamente os exames de proficiência linguística como instrumentos de certificação, controle e mobilidade no contexto global. A pesquisa adota uma abordagem descritiva qualitativa, com elementos descritivos quantitativos, baseada em um questionário online respondido por 70 participantes multilíngues, visando explorar as motivações, os usos e as percepções associadas à realização desses exames. Os resultados apontam para a hegemonia do inglês como língua dominante nos processos seletivos internacionais, bem como para o uso estratégico dos testes como meio de acesso a universidades, empregos e migração. Apoiado por uma fundamentação teórica em políticas linguísticas e poder simbólico, o artigo argumenta que tais exames operam como filtros institucionais que legitimam determinados saberes linguísticos e excluem práticas que não se encaixam nos modelos normativos vigentes. Conclui-se pela necessidade de repensar os formatos e acessos à certificação, com base em princípios mais inclusivos e sensíveis à diversidade linguística.
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