O medo à espreita nos discursos presidenciais de tomada de posse do Estado Novo (1935-1974)

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/les.v26i2.55697

Palavras-chave:

Ethos, emoção, discurso presidencial, ditadura, Estado Novo

Resumo

Enquadrado numa perspetiva discursivo-enunciativa da Análise do Discurso, este artigo tem como objetivo analisar a construção do medo, nos 7 discursos presidenciais de tomada de posse do período do regime ditatorial português, Estado Novo (1933-1974). Metodologicamente, partimos dos conceitos de tópicos de emoção, de ethos e de trabalhos da Ciência Política para a análise. Concluímos que (a) o medo é construído através da criação de uma visão do mundo, dominada pela insegurança e a incerteza; (b) que se constrói uma imagem do Presidente enquanto salvador e (c) que o medo servia os propósitos de subordinação e de desmobilização popular.

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Biografia do Autor

Micaela Aguiar, Universidade do Minho

Assistant professor at the Faculty of Arts of the University of Porto. She holds a PhD in Language Sciences, specializing in Discourse Analysis, from the University of Minho, since 2021. She has a degree in European Languages and Literatures and a master's degree in Portuguese and Comparative Linguistics. She has worked on several funded research projects, including PortLinguE - Multilingual Portal for Specialized Linguistic Resources and PAFSE (Partnerships for Scientific Education). She is currently the editor-in-chief of H2D - Revista de Humanidades Digitais (Journal of Digital Humanities).

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Publicado

2026-03-29

Como Citar

Aguiar, M. (2026). O medo à espreita nos discursos presidenciais de tomada de posse do Estado Novo (1935-1974) . Cadernos De Linguagem E Sociedade, 26(2), 74–90. https://doi.org/10.26512/les.v26i2.55697