O medo à espreita nos discursos presidenciais de tomada de posse do Estado Novo (1935-1974)
DOI:
https://doi.org/10.26512/les.v26i2.55697Palavras-chave:
Ethos, emoção, discurso presidencial, ditadura, Estado NovoResumo
Enquadrado numa perspetiva discursivo-enunciativa da Análise do Discurso, este artigo tem como objetivo analisar a construção do medo, nos 7 discursos presidenciais de tomada de posse do período do regime ditatorial português, Estado Novo (1933-1974). Metodologicamente, partimos dos conceitos de tópicos de emoção, de ethos e de trabalhos da Ciência Política para a análise. Concluímos que (a) o medo é construído através da criação de uma visão do mundo, dominada pela insegurança e a incerteza; (b) que se constrói uma imagem do Presidente enquanto salvador e (c) que o medo servia os propósitos de subordinação e de desmobilização popular.
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