Fim do futuro
Postado em 2026-04-09Guerras, colapso ambiental, ascensão de movimentos neofascistas no Ocidente; IAs tornando o futuro do trabalho incerto enquanto a concentração de renda a nível global atinge patamares inauditos. Diante deste cenário, em que o futuro se revela radicalmente diferente do presente e no qual a incerteza enevoa nosso horizonte de perspectivas, uma série heterogênea de reflexões vem se endereçando ao sentimento difuso de fim do futuro. Em 1977, a banda Sex Pistols gritou que não há futuro quase ao mesmo tempo em que Margaret Thatcher lança o slogan de que não, não há alternativa ao capitalismo. Mais tarde, após a Queda do Muro e de Fukuyama decretar o Fim da História, Jameson elabora os desdobramentos e convergências desta nova era na formulação que seria encapsulada na frase "é mais fácil imaginar o fim do mundo do que o fim do capitalismo". Hoje, essa crise perceptiva se torna cada vez mais aguda. Diante de Gaia, das atualizações da crítica da economia política e dos enquadramentos de gênero e raça, essas e outras perspectivas, em conjunto, perguntam pelas cosmopolíticas do colapso. Como se guiar nas ruínas do mundo? Dos corais já condenados à fusão global entre meios e relações de produção, a questão urgente é: o que significa o fim do futuro?
O dossiê receberá artigos que se enderecem ao tema em suas múltiplas abordagens teóricas. O prazo para envio é de 31 de julho de 2026, com previsão de publicação no segundo semestre de 2026.