Folheando meu Diário Gavião
DOI:
https://doi.org/10.4000/1556oPalavras-chave:
sensos de justiça, insulto moral, exclusão discursiva, violênciaResumo
Em 1961, Roberto DaMatta me levou como auxiliar no seu trabalho de campo entre os índios Gaviões, do Estado do Pará, então também referidos como Gaviões Ocidentais, de modo a distingui-los dos Krinkati e Pukobyê do Maranhão, igualmente apelidados de Gaviões (Nimuendaju 1946, 16 e 19). A pesquisa que ele realizaria fazia parte de um projeto dirigido por Roberto Cardoso de Oliveira, que estudava casos de contato entre índios e brancos à luz da noção de “fricção interétnica”. Minha presença na pesquisa atendia à exigência de uma experiência em trabalho de campo pelo programa do Curso de Especialização em Antropologia Cultural, do Museu Nacional, no qual eu estava matriculado. Na mesma ocasião, Roque de Barros Laraia conduzia outro aluno do curso, Marcos Magalhães Rubinger, aos índios Suruís, em área próxima, mas do outro lado do Tocantins. Esses trabalhos resultariam no livro Índios e castanheiros: A empresa extrativa e os índios do médio Tocantins, de Laraia e DaMatta (1967).
Passados alguns anos, com Roberto enfronhado em pesquisa com os Apinajés e eu com os Craôs, julguei que meu Diário não mais lhe despertava interesse e o levei do Museu para casa. Mas não me ocorreu propor-lhe um retorno aos dados que eu tinha colhido, inclusive em minhas cadernetas e folhas avulsas, que ficaram com ele. E o tempo passou. Nos últimos anos, tentei devolver-lhe o Diário, mas não houve oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente. Não querendo confiar o Diário ao Correio, mandei-lhe uma cópia xerox. Mas minha letra estava muito pouco legível. Por isso, resolvi eu mesmo digitá-lo, o que fiz de modo muito demorado, por ter perdido a habilidade diante do teclado, que nunca foi grande.
Mas essa leitura passo a passo, a que a digitação me obrigou, fez-me perceber que havia algo de aproveitável no Diário, pois ele dá uma ideia de como se organizavam e viviam os Gaviões quando uma parte deles optou pelo contato amistoso com os não-índios. Por isso, resolvi escrever este comentário dos dados que o Diário apresenta com mais clareza. Roberto DaMatta o leu e se manifestou com a generosa mensagem que está publicada junto com este texto. Agradecido, inicio meus comentários.
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