SAÍ PARA ME DIVERTIR, ACABEI NUM ENTERRO: A MENIPEIA, O FANTÁSTICO, O RISO E O DIALOGISMO EM “BOBÓK”, DE DOSTOIÉVSKI
DOI:
https://doi.org/10.26512/aguaviva.v6i2.38311Palavras-chave:
Bobók. , Sátira menipeia. , Fantástico., Riso., Dialogismo.Resumo
Esse artigo intenta fazer uma releitura do conto “Bobók” (1873), do escritor russo Dostoiévski, à luz dos conceitos de sátira menipeia, do fantástico, do riso e do dialogismo. Escrito pelo autor, a princípio, como uma refutação às críticas proferidas após a publicação de Os demônios(1871), assim como para ter liberdade para expressar-se livremente sobre literatura, como também acerca de assuntos pertinentes a essa época, essa narrativa traz à tona questões fundamentais que afloravam na sociedade russa, através de um diálogo inusitado entre mortos, que possui, como ouvinte privilegiado, um escritor fracassado, que, saindo à procura de distração, por acaso, vai assistir às exéquias de um parente distante. A construção dessa narrativa, com elevado teor crítico acerca da aristocracia russa do século XIX, adentrando o universo da menipeia e do fantástico e suscitando o riso, diante de um colóquio acalorado, é permeada por revelações importantes, que trazem como consequências a descoberta de fatos corriqueiros e pessoais, mas também denúncias graves, como a corrupção entre as autoridades.
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