Da limonada azeda ao potencial analítico: a censura da burocracia e a virada metodológica na antropologia do fazer etnográfico
Palavras-chave:
Fazer etnográfico, Burocracia, Manicômio judiciário, Instituições totais, Relações de poderResumo
Este artigo analisa o processo de censura e burocratização imposto pela Secretaria de Administração Penitenciária do Pará como dado central de uma antropologia do fazer etnográfico. A pesquisa tem origem no doutorado da autora, que foca sua investigação na desinstitucionalização do Hospital Geral Penitenciário e na criação concomitante da Unidade de Custódia e Reinserção de Santa Izabel VI, destinada à população GBT. Contudo, os obstáculos encontrados em campo, como as tentativas de censura por parte da SEAP, forçaram a tese a se voltar para a antropologia do fazer etnográfico, transformando a própria experiência da pesquisadora em potencial analítico sobre o modus operandi das instituições totais. A metodologia empregada baseia-se na etnografia e na observação participante, com ênfase na análise do continuum burocrático como uma ferramenta sutil de censura, mais eficaz do que a negação explícita. O artigo demonstra que a ausência de dados, diante da proibição institucional de narrar a própria experiência, constitui, por si só, um dado relevante, revelando relações de poder e disputas pela interpretação do real no sistema carcerário paraense. Tal exercício visa desnudar a farsa da neutralidade científica e demarcar o posicionamento ético e político da pesquisa situada.
Downloads
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Ética na Pesquisa em Ciências Humanas e Sociais

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
