Corpos Naturais e Corpos Artificiais

Discussões Sobre o Envolvimento dos Signos de Gênero

Autores

  • Ana Caroline Gonçalves de Souza Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Palavras-chave:

Anabolizantes, Gênero, Discursos, Corpo

Resumo

Partindo do campo teórico desenvolvido por Michel Foucault em sua análise histórica sobre os discursos normalizantes da sexualidade, observa-se o gerenciamento sobre os corpos de sujeitos vivos, inquirindo processos biológicos e naturalizando discursos. Partindo deste, bem como de outros contemporâneos, como Judith Butler, este ensaio objetiva relacionar as diferenciações correntes no âmbito social sobre corpo natural e corpo artificial em pessoas cisgênero e uso de anabolizantes, abordando modificações corporais, seus limites e sentidos. A metodologia circunscreve uma revisão bibliográfica que abrange artigos e teses, que contemplam as percepções dos sujeitos em relação ao uso de esteroides e cuidado relacionado ao gênero. Com a pesquisa foi possível observar certa prevalência pela estética na utilização de substâncias químicas e/ou intervenções cirúrgicas, bem como limites postos para que o corpo modificado continuasse sendo, esteticamente, percebido pela manutenção da naturalidade ou, então, que expressasse suas alterações pelos signos sociais ambicionados, como disciplina e autocuidado.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Ana Caroline Gonçalves de Souza, Universidade Federal do Paraná (UFPR)

Graduanda em Ciências Sociais na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Email:
souzagana@gmail.com.

Referências

AIÚBA, M. S. Entre os Arredores e o Centro da Cidade de Maputo: Percepções e Significados na Indústria do Fisiculturismo em Moçambique. Monografia (Licenciatura em Antropologia) - Faculdade de Letras e Ciências Sociais, Universidade Eduardo Mondlane. Maputo, p. 42, 2022.

BUTLER, J. Corpos que importam: sobre os limites discursivos do sexo. São Paulo: N-1 Edições e Crocodilo Edições, 2019.

DAMICO, J. G. S. O cuidado com o corpo como estratégia de sujeitos generificados. Movimento, [S. l.], v. 13, n. 1, p. 93–117, 2007. DOI: 10.22456/1982-8918.2927. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/Movimento/article/view/2927. Acesso em: 17 jun. 2025.

FOUCAULT, M. Vigiar e punir: O nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes, 2003.

FOUCAULT, M. A hipótese repressiva. In: História da Sexualidade I: a vontade de saber. São Paulo: Graal, 2012.

GOMES, I. S. Corpo saudável, risco e bioperformance: uma cartografia dos discursos no território da Educação Física. Tese (doutorado em Sociologia). Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2020.

GUIMARÃES, T. F. A construção do corpo sexuado: uma reflexão sobre os significados de gênero e de como este se articula com o corpo. Revista Sociais e Humanas, [S. l.], v. 24, n. 2, p. 148–161, 2012. Disponível em: https://periodicos.ufsm.br/sociaisehumanas/article/view/2814. Acesso em: 18 jun. 2025.

IRIART, J. A.B.; CHAVES, J. C.; ORLEANS, R. G. Culto ao corpo e uso de anabolizantes entre praticantes de musculação. Caderno Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 25, n. 4, abr. 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-311X2009000400008. Acesso em: 20 jun. 2025.

LAQUEUR, T. Inventando o sexo: corpo e gênero dos gregos a Freud. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2001.

NICHOLSON, L. Interpretando o gênero. Revista Estudos Feministas, [S. l.], v. 8, n. 2, p. 9, 2000. DOI: 10.1590/%x. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ref/article/view/11917. Acesso em: 18 jun. 2025.

OYĚWÙMÍ, O. A invenção das mulheres: construindo um sentido africano para os discursos ocidentais de gênero. Editora Bazar do Tempo, 2021.

PEREIRA, J. R.; DA MATA, J. I. S.; BISPO, T. C. F.. Percepção de um corpo saudável para homens que frequentam academias de musculação. Revista Enfermagem Contemporânea, Salvador, Brasil, v. 2, n. 1, 2013. DOI: 10.17267/2317-3378rec.v2i1.162. Disponível em: https://www5.bahiana.edu.br/index.php/enfermagem/article/view/162. Acesso em: 11 jul. 2025.

PIERUCCI, A. F. Ciladas da diferença. In: Ciladas da diferença. São Paulo: Editora 34, 1999.

TRAMONTANO, L.. A testosterona faz mal? Controvérsias do uso de medicamentos para a modificação corporal. Anais V Enlaçando sexualidades. Campina Grande: Realize Editora, 2017. Disponível em: <https://www.editorarealize.com.br/artigo/visualizar/30438>. Acesso em: 23 jun. 2025.

Downloads

Publicado

12-12-2025

Como Citar

Souza, A. C. G. de. (2025). Corpos Naturais e Corpos Artificiais: Discussões Sobre o Envolvimento dos Signos de Gênero. Revista Textos Graduados, 11(1), 78–83. Recuperado de https://periodicos.unb.br/index.php/tg/article/view/59039