Do determinismo biológico à autonomia: reflexões sobre raça em Boas, Firmin, Du Bois e Hurston

Autores

  • Laura Ferrari Cambraia Universidade de Brasília

Palavras-chave:

Raça, Racismo, Antropologia, Negritude

Resumo

O trabalho explora as contribuições de Franz Boas, Anténor Firmin, W.E.B. Du Bois e Zora Neale Hurston para o debate racial no final do século XIX e início do século XX. Boas e Firmin criticaram o determinismo biológico e o racismo científico, rejeitando a ideia de hierarquias raciais fixas e baseando as diferenças humanas em fatores sociais, culturais e ambientais, não em características biológicas inatas ou medições fenotípicas. Du Bois e Hurston focaram na vivência da Negritude nos Estados Unidos, mas com abordagens distintas. Du Bois articulou a "dupla consciência" e o "Véu" para descrever o impacto psicológico da exclusão racial, enquanto Hurston rejeitou a visão trágica, enfatizando a autonomia, a resiliência e a força pessoal diante da opressão. Apesar das diferenças de abordagem (ciência/história vs. experiência subjetiva), todos compartilhavam o objetivo de desmantelar as bases do racismo e afirmar a humanidade dos Negros.

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Referências

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Publicado

12/15/2025 — Atualizado em 12/22/2025

Versões

Como Citar

FERRARI CAMBRAIA, Laura. Do determinismo biológico à autonomia: reflexões sobre raça em Boas, Firmin, Du Bois e Hurston. Pós - Revista Brasiliense de Pós-Graduação em Ciências Sociais, [S. l.], v. 20, n. 2, p. 183–190, 2025. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/revistapos/article/view/58512. Acesso em: 6 jan. 2026.