Das Prisões ao Trapiche

controle social, punição e ascese na formação brasileira à luz de Capitães da Areia

Autores

  • Marcos Queiroz Instituto Brasiliense de Direito Público e Universidade de Brasília
  • Henrique Palmeira Dias de Souza Instituto Brasiliense de Direito Público e Universidade de Brasília

Palavras-chave:

Capitães da Areia, ascese, modernidade, punição, capitalismo, Jorge Amado

Resumo

O artigo se vale do termo “tercerização da ascese” para compreender como se entrelaçam as formas de punição, a ética religiosa e o capitalismo na formação brasileira. Tal termo se refere à expiação da culpa cristã para um outro, em geral um subalterno. Para realizar a análise, será utilizado o livro Capitães da Areia, de Jorge Amado, publicado em 1937, o qual será chave teórica em dois sentidos. Primeiramente, a narrativa da história permite compreender o processo de modernização brasileira e de emergência da sociedade de classes, atravessada pela experiência do racismo e do passado escravista. Segundo: a moral estética do livro é ferramenta para entender as características da ética cristã no Brasil. Com isso, objetiva–se compreender como a ética religiosa calibra historicamente uma sociedade, ao mesmo tempo, cristã e ávida pela desumanização e punição do outro.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Marcos Queiroz, Instituto Brasiliense de Direito Público e Universidade de Brasília

Doutorando em Direito pela Universidade de Brasília, com sanduíche na Universidad Nacional de Colombia (Programa Abdias Nascimento). Pesquisador Visitante na Duke University (Fulbright Program). Professor do Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa.

Henrique Palmeira Dias de Souza, Instituto Brasiliense de Direito Público e Universidade de Brasília

Graduando em Antropologia pela Universidade de Brasília e em Direito pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa.

Referências

AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer: o poder soberano e a vida nua I. Trad. Henrique Burigo. Belo Horizonte: UFMG, 2010.

ALENCASTRO, Luiz Felipe de. O trato dos viventes: formação do Brasil no Atlântico Sul, séculos XVI e XVII. Companhia das Letras, 2000.

ALVES, Raissa Roussenq. Entre o silêncio e a negação: trabalho escravo contemporâneo sob a ótica da população negra. Belo Horizonte: Letramento, 2019.

AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

AZEVEDO, Celia Maria Marinho de. Onda negra, medo branco: o negro no imaginário das elites século XIX. São Paulo: Annablume, 2008.

BENJAMIN, Walter. O Capitalismo como Religião. São Paulo: Boitempo, 2013.

BOSI, Alferdo. Dialética da Colonização. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

CHALHOUB, Sidney. The politics of silence: race and citizenship in nineteenth–century Brazil. Slavery and Abolition, Volume 27, 2006, p. 73–87.

________. Trabalho, lar e botequim o cotidiano dos trabalhadores no Rio de Janeiro da belle époque. 2ª Ed. Campinas, SP: UNICAMP, 2001.

________. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na Corte. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

DUARTE, Evandro Piza, QUEIROZ, Marcos, COSTA, Pedro Argolo. A Hipótese Colonial, um diálogo com Michel Foucault: a Modernidade e o Atlântico Negro no centro do debate sobre Racismo e Sistema Penal. Universitas Jus, v. 27, p. 01–31, 2016.

FARIA, Juliana Barreto; GOMES, Flávio dos Santos; SOARES, Carlos Eugênio Líbano; ARAÚJO, Carlos Eduardo Moreira de. Cidades Negras: africanos, crioulos e espaços urbanos no Brasil escravista do século XIX. Rio de Janeiro: Editora Alameda, 2006.

FERNANDES, Florestan. A Integração do Negro na Sociedade de Classes, vol. I: o legado da raça branca. São Paulo, Globo, 2008.

FORMIGA, Glêides Simone de Figueiredo. A cor vigiada: uma crítica ao discurso racializado de prevenção ao crime. 2010.

FOUCAULT, Michel. A Sociedade Punitiva. São Paulo: WMF MARTINS FONTES, 2016.

_______. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Petrópolis, RJ: Vozes, 2014.

GARZONI, Lerice de Castro. Vagabundas e conhecidas: novos olhares sobre a polícia republicana (Rio de Janeiro, início século XX). Campinas, SP: [ s.n ], 2007. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Filosofia e Ciências Humanas.

GOFFMAN, Erving. Manicômios, prisões e conventos. São Paulo: Perspectiva, 2010.

HATOUM, Milton. Posfácio: O Carrossel das Crianças. Em: AMADO, Jorge. Capitães da Areia. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

MIRANDA, Humberto da Silva. Meninos, Moleques, Menores... Faces da infância no Recife (1927–1937). Dissertação apresentada no Programa de Pós–Graduação em História da Universidade Federal Rural de Pernambuco, 2008.

MOURA, Clóvis. Sociologia do Negro Brasileiro. São Paulo: Editora Ática, 1988.

NOVAES, Bruna Portella de. Embranquecer a Cidade Negra: gestão do trabalho de rua em Salvador no início do século XX. Dissertação de mestrado no curso de Pós–Graduação em Direito da Universidade de Brasília, 2017.

SCHWARCZ, Lilia Moritz. O Espetáculo das Raças: cientistas, instituições e questão racial no Brasil – 1870–1930. São Paulo: Companhia das Letras, 1993.

SCHWARZ, Roberto. Um mestre na periferia do capitalismo: Machado de Assis. São Paulo: Editora 34, 2012.

SILVA, Fernanda Lima da. Dançar em Praça de Guerra: precariedade e liberdade na cidade negra (Recife, 1870–1888). Dissertação de mestrado no curso de Pós–Graduação em Direito da Universidade de Brasília, 2019.

SILVA, Maria do Carmo Mendonça. Renúncia à Vida pela Morte Voluntária: o suicídio aos olhos da imprensa no Recife dos anos 1950. Dissertação apresentada ao Programa de Pós–Graduação em História da Universidade Federal de Pernambuco, 2009.

WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.

Downloads

Publicado

13.08.2021

Como Citar

QUEIROZ, M.; PALMEIRA DIAS DE SOUZA, H. . Das Prisões ao Trapiche: controle social, punição e ascese na formação brasileira à luz de Capitães da Areia. Revista Latino-Americana de Criminologia, [S. l.], v. 1, n. 1, p. 242–264, 2021. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/relac/article/view/36118. Acesso em: 16 out. 2021.