Deixe-me decidir: um estudo qualitativo sobre diretivas antecipadas de vontade no fim de vida em uma instituição de longa permanência do Rio Grande do Sul
DOI:
https://doi.org/10.26512/rbb.v17.2025.58296Palavras-chave:
Saúde do Idoso, Cuidados Paliativos, Preferência do Paciente, Assistência Integral à SaúdeResumo
Objetivou-se analisar a construção de Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV) no contexto de fim de vida de idosas institucionalizadas, valorizando preferências, percepções e autonomia das residentes de uma Instituição de Longa Permanência (ILPI). O estudo buscou compreender como esses registros podem favorecer escolhas conscientes e humanizadas na terminalidade. Realizou-se pesquisa qualitativa exploratória com 24 idosas da ILPI Lar das Vovozinhas, por meio de entrevistas adaptadas do aplicativo “Minhas Vontades”, desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Os achados, apresentados em gráficos, evidenciaram a valorização da família, a preferência por receber informações sobre saúde, a escolha da ILPI como local de cuidado final e a diversidade de opiniões quanto a procedimentos invasivos. O estudo revelou a complexidade das decisões no fim da vida e a importância de respeitar singularidades. As DAVs emergem como ferramenta essencial para garantir autonomia e dignidade no processo de morrer, desde que as vontades expressas sejam efetivamente registradas e respeitadas. Ressalta-se o papel da família e da instituição como mediadores desse processo e a relevância de abrir espaços de diálogo sobre morte e finitude no contexto da institucionalização.
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