Perspectivas para a educação médica e a saúde das mulheres: revisão sistemática

Autores

  • Francisco Soares Universidade Federal de Alagoas
  • Patricia Lima Universidade Federal de Alagoas
  • Viviane Tavares Universidade Federal de Alagoas
  • Mariana Melo Universidade Federal de Alagoas
  • Aline Barros Universidade Federal de Alagoas

DOI:

https://doi.org/10.26512/rbb.v13i0.11432

Palavras-chave:

Gênero. Feminismo. Violência contra a mulher. Educação médica. História da medicina. Bioética.

Resumo

O artigo aborda a necessidade da reformulação do currículo médico, nacional, para a inclusão do gênero, como perspectiva estratégica para o enfrentamento à violência simbólica, predominante nas relações institucionais, entre discentes, docentes, e os efeitos sobre a saúde das mulheres. Os autores apresentam o problema, contextualizando historicamente a conquista de direitos políticos e os marcos legais relacionados, a ascensão numérica da presença feminina nos cursos médicos, e as dificuldades e os desafios para o enfrentamento à desigualdade ainda vivenciada pelas mulheres nos campos da pesquisa, e das especialidades. Os autores apoiam-se na teoria feminista, crítica, pós-estruturalista, para propor um novo currículo médico, desvelado e distanciado do patriarcalismo, e orientado pela democracia, tendo como suporte ético-teórico-epistemológico, a bioética, em especial a Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos da UNESCO. Com essa perspectiva pretende-se interferir na humanização do trabalho em saúde, para além dos muros da universidade.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Francisco Soares, Universidade Federal de Alagoas

Faculdade de Medicina, Maceió, AL, Brasil.

Patricia Lima, Universidade Federal de Alagoas

Faculdade de Medicina, Maceió, AL, Brasil.

Viviane Tavares, Universidade Federal de Alagoas

Faculdade de Medicina, Maceió, AL, Brasil.

Mariana Melo, Universidade Federal de Alagoas

Faculdade de Medicina, Maceió, AL, Brasil.

Aline Barros, Universidade Federal de Alagoas

Faculdade de Medicina, Maceió, AL, Brasil.

Referências

Aquino E. Gênero e saúde: perfil e tendências da produção científica no Brasil. Rev Saúde Pública 2006; 40:121-32.

Alves ACF , Alves KS. As trajetórias e lutas do movimento feminista no Brasil e o protagonismo social das mulheres. Fortaleza; 2013.

Avila RC. Formação das mulheres nas escolas de medicina. Revista brasileira de educação médica, Rio de Janeiro 2014;38(1):142-149.

Beltrão KI, Alves JED. A reversão do hiato de gênero na educação brasileira no século XX. 20045Bleakley A. Gender matters in medical education. Medical Education 2013; 47: 59”“70.

Bourdieu PA. Dominação Masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil; 1999.

Butler JP. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 8 ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015. 238 p.

Brasil. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Institui Di-retrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina e dá outras providências. Resolução CNE/CES 3/2014. Diário Oficial da União, Brasília, 23 de junho de 2014 ”“ DF, p. 1-14

Brasil. Constituição Federal, 1988. Acessível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm.

Brasil. Lei dos Juizados Especiais. 1995. Acessível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9099.htm.

CNDM. Conselho Nacional de Defesa das Mulheres, 1985. Acessível em: http://www.spm.gov.br/assuntos/conselho.

Connell RW, Messerschmidt, JW. Masculinidade hegemônica: repensando o concei-to. Estudos Feministas, Florianópolis 2013; 21(1): 424.

Connell RW. Gênero em termos reais. Tradução Marília Moschkovich. São Paulo: nVersus, 2016.

Costa MO. Princípio da não discriminação nas relações de trabalho. Revista Jus Navigandi, Teresina, ano 15, 2 out. 2010;2649.

Da Silva TT. Documentos de identidade: uma introdução à s teorias do currículo. São Paulo: Grupo Autêntica; 2015.

Dielissen P, Bottema B, Verdonk P, Lagro-Jansen T. Attention to gender in communi-cation skills assessment instruments in medical education: a review. Medical Education 2011;45: 239”“248.

Escavone L. Estudos de gênero: uma sociologia feminista?. Estudos Feministas, Flo-rianópolis 2008; 16(1):173-186.

Fonseca-Silva MC. Memória, mulher e política: do governo das capitanias à presi-dência da república, rompendo barreiras. Maringá: Eduem; 2012.

Foucault M. O sujeito e o poder. In P. RABINOW e H. DREYFUS, Michel Foucault: uma trajetória filosófica (para além do estruturalismo e da hermenêutica). Rio de Ja-neiro: Forense Universitária 2005; 231-249.

Galinkin, AL e Bertoni LM. Gênero e educação: um caminho para igualdade. Em Aberto, 2014; 27(92): 21-42.n21.

Guarnieri TH. Os direitos das mulheres no contexto internacional da criação da ONU (1945) Ã conferência de Beijin (1995). Revista Eletrônica da Faculdade Metodista Granbery 2010;8. Acessível em http://re.granbery.edu.br.

Haig D. The inexorable rise of gender and the decline of sex: social change in acade-mic titles. Arch Sexual Behavior 2004; 33:87-96.

Heilborn ML, Sorj B. Estudos de gênero no Brasil, In: Miceli S. O que ler na ciência social brasileira (1970-1995). São Paulo: Editora Sumaré, p. 183-221, 1999.

Johnson DR. Emotional intelligence as a crucial component to medical education. International Journal of Medical Education 2015;6:179-183.

Laqueur T. Inventando o sexo: corpo e gênero dos gregos a Freud. Rio de Janeiro: Relume Dumará; 2001.

Louro GL. Gênero, sexualidade e Educação: uma perspectiva pós-estruturalista. 6 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003. 184 p.

Moraes PA. Conflitos e enfrentamentos: as primeiras mulheres na faculdade de me-dicina no Império. São Paulo, Anais do 13º Seminário Nacional da Ciência e da Tec-nologia, set, 2012. Acessível em www.sbhc.org.br. Ovseiko PV, Greenhalgh T, Adam P, Grant J et al. A global call for action to include gender in research impact assessment. Health Research Policy and Systems 2016; 14(50):2-12.

ONU. Carta das nações unidas. 1945. Acessível em https://nacoesunidas.org/carta/.

ONU. Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. De-claração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos. Paris: Unesco; 2005. Dispo-nível em http:/unesdoc.unesco.org/images/0014/001461/146180por.pdf (acesso em 20/Jan/2017).

Pimentel S. (2008). Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discrimi-nação contra a Mulher, 1”“92. CEDAW, 1979.

Rago EJ. A ruptura do mundo masculino da medicina: médicas no século XIX. Cader-no Pagu 2000; 15:199-225.

Saffioti HIB. O poder do macho. São Paulo: Moderna;1987.

Sarti CO. Feminismo brasileiro desde os anos 1970: revisitando uma trajetória. Estu-dos Feministas, Florianópolis 2004; 12(2):35-50.

Scheffer MC (Org.). Demografia médica no Brasil 2015. São Paulo: Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP; Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo; Conselho Federal de Medicina; 2015.

Scott JW. Gênero: uma categoria útil de análise histórica. Educação e Realidade, Porto Alegre, v. 20, n. 2, p. 71-99, jul./dez. 1995.

Sex and Gender Medical Education Summit: a roadmap for curricular innovation. Chin EI, Hoggatt M, McGregor AJ, et al. Biology of Sex Differences. 2016; 7(Suppl 1):52.

Souza L, Cortez MB. A delegacia da mulher perante as normas e leis para o enfren-tamento da violência contra a mulher: um estudo de caso. Rev. Adm. Pública, Rio de Janeiro Jun 2014;48(3):621-639.

United Nations Department of Public Information. The Four Global Women’s’ Conferences 1975-1995: Historical Perspective, 2000. Acessível em http://www.un.org/womenwatch/daw/followup/session/presskit/hist.htm. 40ONU Brasil. Declaração Universal dos Direitos Humanos 1948. Acessível em https://nacoesunidas.org/direitoshumanos/

Vidal SM. Lifelong learning in bioethics and human rights: 10 years of the bioethics lifelong education programme in LAC. Int. J. Ethics Educ. 2016;1:111-125.

WHO. Integrating gender intro curricula for health professionals. Geneva: World He-alth Organization 2006.

Downloads

Como Citar

Soares, F., Lima, P., Tavares, V., Melo, M., & Barros, A. (2017). Perspectivas para a educação médica e a saúde das mulheres: revisão sistemática. Revista Brasileira De Bioética, 13, 1–19. https://doi.org/10.26512/rbb.v13i0.11432

Edição

Seção

Artigos Originais