Crioulização e fantasmagoria

Autores

  • Miguel Vale de Almeida

Palavras-chave:

Antropologia

Resumo

Um caso concreto de crioulização - o caboverdiano - permite discutir vários pontos. Primeiro, que o tropo da crioulização é correlato de outros com histórias política e teoricamente complexas e ambíguas: miscigenação, mestiçagem, “raça”, nação e outros. Segundo, que ele se constituiu em um quadro colonial mais vasto, em que várias histórias e geografias unidas por um quadro colonial comum, centrado no Estado português, constituíram uma “gramática” e um “glossário” para a definição daquele processo de crioulização. Terceiro, que esta crioulização é feita na presença de um fantasma (sintetizável na figura do negro, africano, escravizado) e se constitui como fantasmagoria. Finalmente, este caso será abordado como um bom começo para pensar dois outros terrenos da situação globalizada e póscolonial contemporânea: Portugal e Brasil.

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Publicado

2018-02-20

Como Citar

Almeida, M. V. de. (2018). Crioulização e fantasmagoria. Anuário Antropológico, 30(1), 33-49. Recuperado de https://periodicos.unb.br/index.php/anuarioantropologico/article/view/6918

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