A longa história indígena na costa norte do Amapá

Autores

  • João Darcy de Moura Saldanha
  • Mariana Petry Cabral

Palavras-chave:

Arqueologia Amazônica, Megalitismo, História de Longa Duração

Resumo

A arqueologia na costa oriental da Guayanas (Estado brasileiro do Amapá) tem uma longa história, como os estudos de pioneiros como Emilio Goeldi, Henri Coudreau, Meggers e Evans, entre outros, nos lembram. Este lugar tem também um valor crítico para o atual debate sobre as evidências da complexidade sócio-político na pré-história da Amazônia, dada a ocorrência de locais impressionantes, como as estruturas megalíticas, e elaborada cerâmica, como as cerâmicas policrômicas Aristé. Desde a criação de uma equipe de arqueólogos no estado Amapá esta imagem ter sido alterada, com o aumento da base de dados arqueológicos disponíveis na área. Até agora, a cronologia foi estendida para o Holoceno médio, com sítios arqueológicos relacionados com grupos de caçadores-coletores; início de produção de cerâmicas locais, datando de, pelo menos, 3000 BP foram encontrados; e a proliferação de culturas cerâmicas arqueológicas foram documentados, com a co-existência de, pelo menos, 5 culturas diferentes na área desde o segundo milênio depois de Cristo. Além disso, a área apresenta estudos de casos instigantes em etno-arqueologia. A costa oriental de Guayana é um dos poucos lugares na Amazônia que mostra evidências de continuidade entre as sociedades ameríndias contemporâneos, como os Palikur e Kalina, e as ocupações pré-coloniais, proporcionando uma boa oportunidade para compreender a mudança que a colonização europeia impôs em padrões ameríndios pré-coloniais de organização sócio-política.
Diante de todas as informações que já tenha sido recolhida, é óbvio que o Amapá é uma área-chave na região amazônica. Suas características geográficas singulares, um enclave entre a Amazônia, Guayana e áreas do Caribe, parece estar refletida na alta diversidade cultural na ocupação pré-histórica, onde diferentes tradições culturais convergiram e interagiram em uma região específica. Como tal, sugerimos que, depois de uma ocupação humana gradual desde pelo menos 8000 BP, ele se tornará, por volta de 1000 BP, uma arena altamente contestada, onde as diferenças regionais em estilos de cerâmica e centros cerimoniais\funerários foram usados e exacerbados para marcar fronteiras políticas e\ ou sociais fronteiras. Este artigo tem como objetivo principal apresentar os atuais dados arqueológicos e o esboço de um projeto de pesquisa com foco na paisagem e uma história de longa duração dos contextos sócio-políticos ameríndios na costa oriental de Guayana, através do estabelecimento de um quadro cronológico e cultural da ocupação humana na região, desde os primeiros habitantes até o impacto da invasão europeia em grupos ameríndios.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Referências

GREEN, Lesley; GREEN, David& NEVES, Eduardo Góes. 2003. Indigenous knowledge and archaeological science”. Journal of Social Archaeology, 3(3):365-397.
HECKENBERGER, Michael. 2004. The Ecology of Power: Culture, Places and Personhood in the Southern Amazon, AD 1000-2000. London: Routledge.
HODDER, Ian. 1990.The Domestication of Europe: Structure and Contingency in Neolithic Societies. Oxford: Blackwell.
LIMA, Ligia Trombeta 2010. Feições: vestígios antrópicos na Amazônia Central. Relatório Final de Iniciação Científica, Museu de Arqueologia e Etnologia, Universidade de São Paulo.
MEGGERS, Betty. J. 1996[1971].Amazonia: Man and Culture in a Counterfeit Paradise. 2.ed. Chicago: Aldine.
MEGGERS, Betty.J. & Clifford. EVANS. 1957. Archaeological investigations at the mouth of the Amazon. Bulletin of the Bureau of American Ethnology, (167):1-664.
MESTRE, Mickael. 1997. Les sites à fosses de Guyane Française.Tese de Mestrado, University of Toulouse-Le-Mirail.
NEVES, Eduardo. Goes. 1998.“Twenty Years of Amazonian Archaeology in Brazil (19771997)”.Antiquity, 72(277):625-632.
NEVES, Eduardo.Goes. 2008.“Ecology, Ceramic Chronology and Distribution, Long-term History and Political Change in the Amazonian Floodplain”. In: H. Silverman&W. H. Ibell. The Handbook of South American Archaeology. New York: Springer.pp. 359-379.
RICHARDS, C &THOMAS, J. 1984.“Ritual activity and structured deposition in later Neolithic Wessex”. In R. Bradley & J. Gardiner (eds.).Neolithic Studies.Oxford: BAR.pp. 189-218.(British Archaeological Reports 133).
ROOSEVELT, Anna Curtenius 1991.Moundbuilders of the Amazon: Geophysical Archaeology on Marajo Island, Brazil. San Diego: Academic Press.
ROSTAIN, Stephen. 1994. L’occupation Amérindienne Ancienne Du Littoral de Guyane. Tese de Doutoramento,Centre de Recherche en Archaeologie Precolombienne(CRAP), Université de Paris I.
SCHAAN, Denise. Paul. 2004.The Camutins Chiefdom.Tese de doutorado, University of Pittsburgh.
STEWARD, Julian H. (ed.). 1948.The Tropical Forest Tribes. Washington, DC: Smithsonian Institution.
TILLEY, Christopher. 1996. An ethnography of the Neolithic. Oxford: Berg.
VAN VELTHEM, Lucia Hussak 2003. O belo é a fera: A estética da produção e da predação entre os Wayana. Lisboa, Assírio & Alvim.

Downloads

Publicado

2018-02-16

Como Citar

Saldanha, J. D. de M., & Cabral, M. P. (2018). A longa história indígena na costa norte do Amapá. Anuário Antropológico, 39(2), 99–114. Recuperado de https://periodicos.unb.br/index.php/anuarioantropologico/article/view/6820