Subjetividade e Memória Social: uma abordagem transdisciplinar

Main Article Content

Thais Alves Marinho

Resumo

A relação entre memória social e subjetividade tem sido foco de muitas análises sociológicas. A emergência do tema das identidades dá novo fôlego a esse debate. No entanto, o papel de tal entidade biopsiquicossocial, bem como da cultura, na produção e reprodução da consciência coletiva foi historicamente subestimada pela ideologia racionalista ocidental. O fundamento do eu solipsista, e da marginalidade da cultura na constituição identitária, contudo, não encontram respaldo nas práticas humanas que desafiam os ideais racionalistas produzindo um ambiente de diversidade cultural. Esse artigo visa fazer uma revisão epistemológica sobre a subjetividade e sua relação com a memória social, reavaliando a precedência ontológica entre razão e emoção em sua constituição a partir de uma abordagem transdisciplinar.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Métricas

Carregando Métricas ...

Article Details

Como Citar
Marinho, T. A. (2016). Subjetividade e Memória Social: uma abordagem transdisciplinar. Arquivos Do CMD, 4(1), 96–111. https://doi.org/10.26512/cmd.v4i1.9173
Seção
Artigos de Dossiê
Biografia do Autor

Thais Alves Marinho, Grupo de Pesquisa Cultura, Memória e Desenvolvimento

Bacharel em Relações Internacionais pela PUC Goiás e em Ciências Sociais pela UFG, especialista em Políticas Públicas e Mestre em Sociologia, por essa mesma instituição. Também é Doutora em Sociologia pela UnB e pesquisadora dessa mesma instituição pelo grupo Cultura, Memória e Desenvolvimento. É pós-doutora em Ciências Sociais pela Unisinos e faz parte do Laboratório de Políticas Culturais e Ambientais do Brasil. Atualmente é professora de sociologia e relações internacionais da PUC Goiás.

Referências

ADORNO, T.; HORKHEIMER, M. Dialética do Esclarecimento. Rio do Janeiro: Zahar, 1995.

ARISTÓTELES. Poética. Porto Alegre: Globo, 1996.

BACHELARD, G. "A poética do espaço". In: Os Pensadores. São Paulo : Abril Cultural, 1978.

BARTLETT, F. Remembering: a study in experimental and social psychology. Cambridge: Cambridge University Press, 1961.

BENJAMIN, W. A Obra de Arte na Época de sua Reprodutibilidade Técnica. In: (ORG), Magia e Técnica, Arte e Política - Obras escolhidas. São Paulo: Brasiliense, 1985.

BENJAMIN, W. "On the Mimetic Faculty" In: ______ in Reflections. New York: Schocken, 1986. p. 333-336.

BLAKEMORE, S.; WINSTON, J.; FRITH, U. "Social cognitive neuroscience:where are we heading?". Trends Cogn. Sci. 8, p. 215”“222, 2004.

BLUMER, H. Symbolic interactionism ”“ Perspective and method. New Jersey: Prentice-Hall, 1969.

BOURDIEU, P. O Poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand, 1989.

CACIOPPO, J.; VISSER, P.; PICKETT, C. Social Neuroscience: people thinking about people. Cambridge: MIT Press , 2006.

CASSIRER, E. Ensaio sobre o homem: introdução a uma filosofia da cultura humana. São Paulo : Martins Fontes, 2001.

COSMIDES, L.; TOOBY, J. "From evolution to behaviour: evolutionary psychology as the missing link" In: DUPRÉ, J. The latest on teh best: Essays on Evolution an Optimality. Cambridge: Cambridge University Press, 1987. p. 277-306.

DAMÁSIO, A. O Sentimento de Si: o corpo, a emoção e a neurobiologia da consciência. Publicações Europa-América: Mem Martins, 1999.

DEWEY, J. Como Pensamos. São Paulo: Editora Nacional, 1959.

ELIAS, N. O Processo Civilizador: uma história dos costumes. Vol I. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor , 1994.

FERRARI, P. et al. "Mirror neurons responding to the observation of ingestive and communicative mouth actions in the monkey ventral premotor cortex". Eur. J. Neurosci, 17, v. 17, p. 1703”“14, 2003.

FODOR, J. The Modularity of Mind. Cambridge (Mass): The MIT Press, 1983.

FOSTER, G. M. "The anatomy of envy". Current Anthropology, 13, 1972. 165-202.

FOUCAULT, M. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1979.

FOUCAULT, M. Vigiar e Punir: nascimento da prisão. 36ª ed. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2009.

FREUD, S. "Formulações sobre os dois princípios do funcionamento mental" In: ______ S. Freud, Obras Completas (Vol XII; J. Salomão, trad.). Rio de Janeiro: Imago, 1996. GARDNER, H. Inteligências Múltiplas ”“ A Teoria na Prática. Porto Alegre: Artmed, 2000.

GOFFMAN, E. Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. Rio de Janeiro : LTC, 1988.

GOFMAN, E. A Representação do Eu na Vida Cotidiana. Petrópolis: Ed. Vozes, 1974.

GONZÁLEZ REY, F. L. "La investigación sobre la subjetividad humana: algunas cuestiones para el debate". Anais do I Simpósio Multidisciplinar Pensar, Criar e Transformar. São Paulo: Unimarco Editora, 2000.

GOODE, W. "The Theoretical Importance of Love" In: COSER, R. The Family. New York: St. Martin's Press, 1964. p. 143-56.

HILGARD, E. R. "The trilogy of mind: Cognition, affection, and conation". J. Hist. Behav. Sci., 16 1980. 107”“117.

HOSCHILD, A. R. The Commercialization of Intimate Life: Notes from Work and Home. Berkeley and Los Angeles: University of California Press, 2003.

HUSSERL, E. La Crise des Sciences Européennes et la Phénoménologie Transcendentale. Paris: TEL-Gallimard, 1989.

KARMILOFF-SMITH, A. Beyond Modularity: a developmental perspective on cognitive science. Cambridge: MIT Press, 1995.

KIHLSTROM, J. F. &. B. J. S.; KLEIN, S. B. "Self and identity as memory" In: LEARY, M. R.; TANGNEY, J. (Edits.): Handbook of Self and Identity. New York: Guilford Press, 2002. p. 68-90.

LACAN, J. O Seminário, livro 5: As formações do inconsciente. Rio de Janeiro: Zahar, 1999.

LEDOUX, J. The Emotional Brain: the mysterious underpinnings of emotional life. New York: Touchstone Books, 1996.

LEVY, R. I. Tahitians. Chicago: University of Chicago Press., 1973.

LIEBERMAN, M. et al. "Do amnesics exhibit cognitive dissonance reduction? The role of explicit memory and attention in attitude change". Psychol. Sci. 12, p. 135”“140, 2001.

MACRAE, C. et al. "Medial prefrontal activity predicts memory for self". Cereb. Cortex 14, p. 647”“54, 2004.

MATURANA, H. A Ontologia da Realidade. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1977.

MCLEAN, P. D. The Triune Brain in Evolution Role in Paleocerebral Functions. New York: Plenum Publishiing Corporation, 1989.

MEAD, G. Espíritu, Persona y Sociedad. México: Paidós, 1993.

MOLON, S. I. Subjetividade e Constituição do Sujeito em Vygotsky. Petrópolis: Vozes, 2003.

NIETSZCHE, F. Obras incompletas (col. Os Pensadores). São Paulo: Abril Cultural, 1979.

OLIVEIRA, M. K.; REGO, T. C. "Vygotsky e as complexas relações entre cognição e afeto" In: ARANTES, V. A (org.): Afetividade na Escola. São Paulo: Summus, 2003.

PANKSEPP, J. Affective Neuroscience: The Foundations of Human and Animal Emotions. Cambridge: Oxford University Press , 1998.

PIAGET, J. O Juízo Moral na Criança. São Paulo: Summus, 1994.

POSNER, M. I.; DIGIROLAMO, G. J. "Cognitive neuroscience: origins and promise". Psychological Bulletin, Vol. 126, No. 6 University of Illinois at Urbana-Champaign 2000. 873-889.

RENSINK, R. A. "Visual search for change: A probe into the nature of attentional processing". Visual Cognition, 7, p. 345-376, 2000.

RICOEUR, P. A Metáfora Viva. São Paulo; : Loyola, 2000.

SAGAN, C. Os Dragões do Éden: especulações sobre a evolução da inteligência humana. Rio de Janeiro: Francisco Alves Editora, 1987.

TEIXEIRA, J.-M.. L. "Epigénese e desenvolvimento (1)". Saúde Mental, VOLUME IV julho/agosto 2002. editorial.

TOTARO, P. Cultura do Cálculo e Desagragação Social. São Leopoldo: UNISINOS, 2010. 229 pgs. p.

WENTURA, D.; ROTHERMUND, K.; BAK, P. "Automatic vigilance: The attention-grabbing power of approach- and avoidance-related social information". Journal of Personality and Social Psychology, 78, p. 1024-1037., 2000.

WUNDT, W. M. Principles of Physiological Psychology. Nova York: Macmillan. (Trabalho original publicado em 1874), 1904.