Trabalhadores de plataformas digitais: mundialização, superexploração e lutas de classe

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Gil Felix

Resumo

A partir da teoria do valor de Marx e dos aportes sociológicos de Ruy Mauro Marini, o artigo analisa as condições de trabalho dos(as) trabalhadores(as) da empresa Uber e empresas similares de aplicativos, assim como as formas de resistência que estão sendo empregadas por eles(as), nacional e internacionalmente. Para tanto, em um primeiro momento, aborda as implicações teóricas da exploração do trabalho realizada pelas plataformas digitais. Em seguida, a partir de dados de pesquisas realizadas junto aos trabalhadores e de dados de natureza secundária, analisa: i. as condições pelas quais vieram a ter maior adesão, visibilidade e difusão para outros setores; ii. as estratégias mundiais de mercado e de mudança das regulações trabalhistas implementadas por essas plataformas; iii. as formas de controle e de resistência que vêm sendo adotadas pelos trabalhadores. À guisa de conclusão, dada a característica autônoma de suas manifestações frente aos meios de convocação e às direções dos organismos sindicais tradicionais e, em particular, dadas as reivindicações imediatas de caráter internacionalista, o artigo apresenta uma possível agenda de comparação com as manifestações e os movimentos antiglobalização de massa até então em voga.

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Como Citar
Felix, G. (2023). Trabalhadores de plataformas digitais: mundialização, superexploração e lutas de classe. Sociedade E Estado, 38(01), 35–62. https://doi.org/10.1590/s0102-6992-202338010002
Seção
Artigos
Biografia do Autor

Gil Felix, Universidade Federal da Integração Latino-americana (UNILA)

Professor na Universidade Federal da Integração Latino-americacana (Unila) e coordenador do Grupo de Pesquisa sobre Trabalho (CNPq), PR, Brasil. Autor, dentre outros, de O caminho do mundo: mobilidade espacial e condição camponesa em uma região da Amazônia Oriental (2ª ed., EdUFF, 2021) e de Mobilidade e superexploração do trabalho: o enigma da circulação (Lamparina/FAPESP, 2019).

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