Relações de trabalho de gerentes de Unidades Básicas de Saúde
aspectos da precarização
DOI:
https://doi.org/10.26512/rgs.v14i3.48172Palavras-chave:
Emprego, Trabalho, Saúde do trabalhador, Atenção primária à saúde, Sistema Único de SaúdeResumo
O objetivo do estudo foi compreender as relações de trabalho dos(as) gerentes de atenção básica da capital Maceió, Alagoas. Trata-se de investigação com abordagem qualitativa, desenvolvido a partir de entrevistas semiestruturadas e com a técnica de análise de conteúdo. Foram identificadas quatro categorias de análise: lotação no cargo, necessidade de formação, jornada de trabalho e vencimentos. Os resultados indicaram que as relações de trabalho se mostram ainda muito frágeis, pois são regidas por contratos sem estabilidade do vínculo, que promovem sensação de insegurança com relação a emprego e renda. Identificamos que prevalece o modelo discricionário para provimento desses cargos, sem a publicização dos critérios para seleção e suscetível a influência de interesses político-partidários ou clientelistas, muitas vezes alheios aos objetivos de saúde. A ausência de critérios para seleção e de oferta de uma formação que prepare os(as) gerentes para a função diminui a qualidade do seu desempenho. A remuneração percebida pelo trabalho é insuficiente, gerando insatisfação dos(as) gerentes, que frequentemente a complementam com outras fontes de renda. Consideramos que esses resultados indicam dimensões da precarização do trabalho a que estão submetidos os(as) gerentes de atenção básica.
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