Desconstruindo o “paraíso racial”: a linha de cor como marca do Colonialismo
Palavras-chave:
Linha de cor; Colonialismo; Raça; Paraíso Racial; Du Bois.Resumo
Neste artigo, por meio de revisão bibliográfica, primeiramente faço breves considerações sobre o Colonialismo enquanto um sistema de dominação, a fim de que estas sirvam de base para pensarmos a “linha de cor” apresentada por W. E. B. Du Bois (2021); trago algumas notas sobre a sua obra de forma mais ampla, considerando o uso do termo “linha de cor”, dentro deste quadro maior dos seus estudos. Feitas essas primeiras considerações, apresento o olhar de três autorias, Du Bois, Lélia Gonzalez e Max Gluckman para analisarmos os EUA, a África do Sul e o Brasil com vistas a identificarmos uma dinâmica de separação que pode nos remeter à “linha de cor” de Du Bois. Por fim, proponho olharmos mais detidamente o contexto brasileiro, considerando a percepção que Du Bois tinha acerca do Brasil enquanto um “paraíso racial” e como sua percepção estava equivocada, haja vista a forma como a sociedade brasileira está estruturada pelo racismo, como uma “cultura” racista e sexista.
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