Juventude, memória e aquilombamento: todo mundo contra o epistemicídio
Palavras-chave:
Juventude Negra, Aquilombamento, Memória, EpistemicídioResumo
Partindo de um debate que vá além da notória incidência da mortalidade juvenil negra no Brasil, este artigo apresenta uma discussão sobre as insurgentes formas de resistência e reexistência empreendidas pelas juventudes negras. Em janeiro de 2022, um evento provocou uma comoção forte na cena da poesia marginal e das batalhas de MC’s da região metropolitana do Recife. A partir da memória de um jovem poeta que foi assassinado no centro da cidade, empreende-se uma cartografia que mostra a necessidade de visibilizarmos estratégias que se valham do direito à memória e ao aquilombamento para enfrentar o epistemicídio. O que a vida de sujeitos culturais periféricos nos informa em relação ao exercício do direito à cidade, à fruição da urbe e ao acesso à cultura? Como um poeta que hoje se encontra falecido permanece vivo na memória da cidade? Como essa memória afeta as pessoas que dele tinham proximidade? E, por fim, como isso tudo se costura num debate sobre epistemicídio, ativismo político-cultural e direito à memória? Neste texto, o termo memória é considerado um elemento psicossocial que, ao lado de uma perspectiva aquilombada, contribui para o enfrentamento dos apagamentos promovidos pela colonialidade. Estabelecer uma prática de reviver memórias é atuar para a resistência da própria existência.
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