O médico católico e o contraceptivo oral: conflitos éticos, religiosos e legais

Autores

  • Ricardo Passamani Sociedade Nacional de Educação, Ciência e Tecnologia
  • Paula Souza Universidade Federal de Goiás

DOI:

https://doi.org/10.26512/rbb.v6i1-4.7830

Palavras-chave:

Católico. Contracepção. Anticoncepcional. Ética. Médicos católicos.

Resumo

Em face da notória oposição entre as políticas de planejamento familiar e a doutrina da Igreja Católica em termos de concepção e contracepção, o médico católico encontra-se em situação constrangedora quando o paciente procura seu consultório desejando práticas contraceptivas artificiais. Esta situação coloca em conflito a liberdade religiosa do médico e a autonomia do paciente, abrindo caminho para uma ampla discussão religiosa, ética e legal sobre da conduta do profissional católico. O presente artigo discute estas questões de forma preliminar – mas não superficial - e mostra que é direito do médico se negar a prescrever métodos contraceptivos que contrariem sua consciência.

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Biografia do Autor

Ricardo Passamani, Sociedade Nacional de Educação, Ciência e Tecnologia

(SOET), Maringá, Paraná, Brasil.

Paula Souza, Universidade Federal de Goiás

(UFG), Jataí, Goiás, Brasil.

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Como Citar

Passamani, R., & Souza, P. (1). O médico católico e o contraceptivo oral: conflitos éticos, religiosos e legais. Revista Brasileira De Bioética, 6(1-4), 69-84. https://doi.org/10.26512/rbb.v6i1-4.7830

Edição

Seção

Artigos de Atualização