ANCESTRALIDADE, INFÂNCIA E (RE)ENCANTAMENTO DO MUNDO

diálogos entre educação e filosofias africanas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.26512/pl.v13i29.52298

Palavras-chave:

Filosofias africanas. Educação. Ancestralidade. Infância.

Resumo

O objetivo deste trabalho é tecer algumas reflexões sobre as questões concernentes aos conceitos de ancestralidade e infância por meio da interlocução com os campos das filosofias africanas e da educação. A partir da experiência vivenciada na disciplina Educação e Filosofias Africanas, no âmbito do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da UFMG, argumentamos que a academia, assim como a sociedade, opera a partir da colonialidade e, ao abrir-se para os pensares e sentires africanos, transgride as formas de atualização da colonização, valorizando abordagens interdisciplinares e epistemologicamente emancipatórias e contribuindo para a (re)construção de saberes, fazendo ecoar as vozes de povos historicamente subalternizados. A partir do pensamento dos filósofos brasileiros Wanderson Flor do Nascimento e Eduardo Oliveira, concluímos que trazer conceitos filosóficos negro-africanos para a educação é um convite ao (re)encamento do mundo e um potente modo de fortalecer uma ótica que concebe o sentir como parte indissociável do pensar.

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Biografia do Autor

Patrícia Barros Soares Batista, Universidade Federal de Minas Gerais

Professora da Escola de Educação Básica e Profissional da UFMG - Centro Pedagógico. Doutoranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação Conhecimento e Inclusão Social da Universidade Federal de Minas Gerais. Possui graduação em Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais e Mestrado pela mesma instituição. Coordena os Projetos de Ensino, Pesquisa e Extensão Áfricas e Eu, Internacionalização na Educação Básica: Diálogos entre Brasil e Moçambique e Círculo de Leitura. Atua como pesquisadora junto ao Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita - CEALE/ FAE/ UFMG, onde também atuou como formadora de professores/as alfabetizadores/as e como parecerista do Programa Nacional Biblioteca da Escola - PNBE - no âmbito do Ministério da Educação (MEC). É avaliadora de obras literárias infantis da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Tem experiência na área de Educação, com ênfase em Alfabetização e Literatura, atuando principalmente nos temas: ensino e aprendizagem da língua escrita, literatura para a(s) infância(s), relações étnico-raciais, formação leitora e formação docente. Integrante do Grupo de Pesquisas do Letramento Literário (GPELL/CEALE/UFMG). Integrante do Grupo de Pesquisa Literatura de Ancestralidade Negra da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (LAN/PUC-SP).

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Publicado

28-02-2025

Como Citar

Barros Soares Batista, P. (2025). ANCESTRALIDADE, INFÂNCIA E (RE)ENCANTAMENTO DO MUNDO: diálogos entre educação e filosofias africanas. PÓLEMOS – Revista De Estudantes De Filosofia Da Universidade De Brasília, 13(29), 106–121. https://doi.org/10.26512/pl.v13i29.52298

Edição

Seção

Ensaios