A construção de um espaço literário para vozes afro-brasileiras: Terra Negra, de Cristiane Sobral, e a editora Malê

Autores

DOI:

https://doi.org/10.1590/2316-40186114

Palavras-chave:

poesia afro-brasileira, literatura de autoria feminina, mercado editorial, testemunho

Resumo

Neste artigo, abordamos algumas reflexões sobre o mercado editorial brasileiro, buscando compreender os aspectos complexos ”“ econômicos, ideológicos, políticos e históricos ”“ que perpassam os campos da literatura e da edição de livros no país, particularmente os de poesia afro-brasileira. Para tanto, focamos no caso de uma pequena editora, a Malê, especializada na publicação de escritores e escritoras afro-brasileiros/as, e em uma de suas obras, Terra Negra (2017), de Cristiane Sobral. Na análise, atentamos especialmente para a construção poética do poema “350 metros”, considerando-o como um poema-testemunho, construído, portanto, a partir da inter-relação entre elementos referenciais e ficcionais, que buscam fazer emergir vozes de mulheres negras silenciadas, tanto no poema quanto no campo literário e editorial.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

ADORNO, Theodor W. (1949/2002). Crítica cultural e sociedade. In: ADORNO, Theodor W. Indústria cultural e sociedade. Tradução de Júlia Elisabeth Levy. 5. ed. São Paulo: Paz e Terra. p. 45-61.

ALÓS, Anselmo Peres (2009). Literatura e intervenção política na América Latina: relendo Rigoberta Menchú e Carolina Maria de Jesus. Cadernos de Letras da UFF, n. 38, p. 139-162. Disponível em: https://bit.ly/32LHj9N. Acesso em: 1º jul. 2018.

ALÓS, Anselmo Peres (2011). Histórias entrelaçadas: redes intertextuais em narrativas afro-brasileiras. Cerrados, v. 20, n. 31, p. 107-122. Disponível em: https://bit.ly/3lElhOH. Acesso em: 27 jun. 2018.

AMARO, Vagner (2016). Nova no mercado, Malê promove escritores afro-brasileiros. [Entrevista cedida a] Bolívar Torres. O Globo, Rio de Janeiro, 19 nov. On-line. Disponível em: https://glo.bo/2YU2rJT. Acesso em: 26 nov. 2018.

BIANCHI, Paula. 9 em cada 10 mortos pela polícia no Rio são negros ou pardos. Uol Notícias, 26 jul. 2017. On-line. Disponível em: https://bit.ly/2ZaSYOy. Acesso em: 27 jun. 2018.

BURGOS-DEBRAY, Elizabeth; MENCHÚ, Rigoberta (1991). Me llamo Rigoberta Menchú y así me nació la conciencia. La Habana: Casa de las Américas.

CANCLINI, Néstor Garcia (2016). O mundo inteiro como lugar estranho. São Paulo: EdUSP.

COMPAGNON, Antoine (2001). O demônio da teoria: literatura e senso comum. Belo Horizonte: Ed. UFMG.

CUTI, Luiz Silva (2010). Literatura negro-brasileira. São Paulo: Selo Negro.

DALCASTAGNÈ, Regina (2008). Quando o preconceito se faz silêncio: relações raciais na literatura brasileira contemporânea. Gragoatá, Niterói, n. 24, p. 203-219.

DUARTE, Eduardo de Assis (2007). Machado de Assis afro-descendente: escritos de caramujo. Rio de Janeiro: Pallas; Belo Horizonte: Crisálida.

DUARTE, Eduardo de Assis (2008). Literatura e afrodescendência: um conceito em construção. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, Brasília, n. 31, p. 11-23. Disponível em: https://bit.ly/32FLhAE. Acesso em: 28 jun. 2018.

DUARTE, Eduardo de Assis (2014). Literatura afro-brasileira: 100 autores do século XVIII ao XXI. Rio de Janeiro: Pallas.

EAGLETON, Terry (2006). Teoria da literatura: uma introdução. Tradução de Waltensir Dutra. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes.

FERNANDES, Florestan (2017). Prefácio à edição brasileira. In: NASCIMENTO, Abdias. O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. 2. ed. São Paulo: Perspectiva. p. 17-21.

HORKHEIMER, Max; ADORNO, Theodor W. (1947/2002). O Iluminismo como mistificação das massas. In: ADORNO, Theodor W. Indústria cultural e sociedade. Tradução de Júlia Elisabeth Levy. 5. ed. São Paulo: Paz e Terra. p. 5-44.

JAMESON, Fredric (1992). O inconsciente político: a narrativa como ato socialmente simbólico. Tradução de Valter Lellis Siqueira. São Paulo: Ática.

LEONE, Luciana di (2014). Poesia e escolhas afetivas. Rio de Janeiro: Rocco.

LIMA, Arianne de (2015). A “mulher arrastada”: a construção da representação do Caso Cláudia Silva Ferreira em três jornais da região Sudeste do Brasil. 56 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Comunicação Social ”“ Jornalismo) ”“ Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria.

LUCINDA, Elisa (2017). A Carta da Terra. In: SOBRAL, Cristiane. Terra Negra. Rio de Janeiro: Malê. p. 12-17.

MACHADO, Renata Mendonça (2008). A literatura no mercado editorial: um estudo da visão comercial sobre a literatura. 59 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Comunicação ”“ Produção Editorial) ”“ Escola de Comunicação, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

NASCIMENTO, Abdias (2017). O genocídio do negro brasileiro: processo de um racismo mascarado. 2. ed. São Paulo: Perspectiva.

PETERSON, Michel (1995). Estética e política do romance contemporâneo. Porto Alegre: Editora da UFRGS.

PMS acusados pela morte de Claudia, arrastada por viatura, se envolveram em oito homicídios desde 2014 (2018). Extra, Rio de Janeiro, 16 mar. Disponível em: https://glo.bo/3buF4eU. Acesso em: 22 maio 2020.

SELIGMANN-SILVA, Márcio (2013). Direito pós-fáustico: por um novo tribunal como espaço de rememoração e elaboração dos traumas sociais. In: CORNELSEN, Élcio Loureiro et al. (Orgs.). Literatura e cinema de resistência. Rio de Janeiro: Oficina Raquel.

SHOHAT, Ella; STAM, Robert (2006). Crítica da imagem eurocêntrica: multiculturalismo e representação. Tradução de Marcos Soares. São Paulo: Cosac Naify.

SOBRAL, Cristiane (2017). Terra Negra. Rio de Janeiro: Malê.

SOBRAL, Cristiane (2018). Entrevista concedida a Camila Marchesan Cargnelutti. E-mail, 9 maio 2018.

VIEZZER, Moema; CHUNGARA, Domitila Barrios (1977). Si me permiten hablar… testimonio de Domitila, una mujer de las minas de Bolivia. La Paz: Siglo XXI.

Downloads

Publicado

2020-11-22

Como Citar

Camila Marchesan Cargnelutti. (2020). A construção de um espaço literário para vozes afro-brasileiras: Terra Negra, de Cristiane Sobral, e a editora Malê. Estudos De Literatura Brasileira Contemporânea, (61), 1–14. https://doi.org/10.1590/2316-40186114