O jovem cinema e o crepúsculo da ópera: sobre a herança wagneriana na música de Luís de Freitas Branco para o filme Frei Luís de Sousa (1950)

Conteúdo do artigo principal

Manuel Deniz Silva

Resumo




Este artigo propõe uma análise do uso da técnica do leitmotiv na música composta por Luís de Freitas Branco (1890-1955) para o filme Frei Luís de Sousa (António Lopes Ribeiro, 1950). Numa primeira parte, problematizamos a influência dos modelos britânicos da época e em particular das adaptações shakespearianas de Laurence Olivier. Depois, tentamos compreender de que forma Freitas Branco procurou transferir para o contexto fílmico uma determinada relação entre música e narrativa herdada do “drama musical” wagneriano, assim como o seu impacto na leitura política e estética que o filme faz da obra de Almeida Garrett. Enfim, partimos dos percursos cruzados de Freitas Branco e William Walton para interrogar de forma mais geral a relação entre ópera e cinema no período do pós-Segunda Guerra Mundial.




Downloads

Não há dados estatísticos.

Detalhes do artigo

Como Citar
Deniz Silva, M. (2019). O jovem cinema e o crepúsculo da ópera: sobre a herança wagneriana na música de Luís de Freitas Branco para o filme Frei Luís de Sousa (1950). Dramaturgias, (10), 60-90. https://doi.org/10.26512/dramaturgias.v0i10.24926
Seção
Dossiê

Referências

ACCIAIUOLI, M. Os cinemas de Lisboa: um fenómeno urbano do século XX. Lisboa: Bizâncio, 2012.
ARROYO, A. Singularidades da Minha Terra (na Arte e na Mística). Porto: Renascença Portuguesa, 1917.BARREIROS, A. N. “A Música” In: Frei Luís de Sousa, Cinema São Jorge, pro-grama de sala, 1950.
BRAGA, T. História da Litteratura Portugueza, vol. 24 (“Garrett e os Dramas Romanticos”). Porto: Livraria Chardron, 1905.
BRANCO, L. de F. “Música e instrumentos” In:A Questão Ibérica, Lisboa: Integralismo Lusitano, 1916.BRANCO, L. de F., “Polifonia vocal (a cappella)” In: Ema Câmara Reis, Divulgação Musical II (1929-1933), Lisboa: [Tipografia da Seara Nova], 1934.BRANDÃO, S. “Frei Luís de Sousa” In: Grande Plano, n.º 2, 1950.
BRIBITZER-STULL, M. Understanding the Leitmotif: From Wagner to Hollywood Film Music. Cambridge: Cambridge University Press, 2015.
CASSUTO, Á. (ed.) Joly Braga Santos, uma vida e uma obra. Alfragide: Caminho, 2018.CASTRO, P. F. de. “O que é, afinal, um Leitmotiv?” In: Siegfried, Richard Wagner, Teatro Nacional de São Carlos, pp. 122-142, 2008.CRUZ, J. de M. António Lopes Ribeiro. Lisboa: Cinemateca Portuguesa, 1983.CUNHA, P. Uma nova história do novo cinema português. Lisboa: Outro Modo, 2018.
CYMBRON, L. “As óperas garrettianas e as suas fontes” In: Leituras: revista da Biblioteca Nacional, Série 3, n.º 4, Abril-Outubro 1999, pp. 279-284.DELGADO, A., A. Telles e N. B. Mendes. Luís de Freitas Branco. Lisboa: Caminho, 2007.FERREIRA, C. O. (coord.) O cinema português através dos seus filmes. Porto: Campo das Letras, 2007.FERREIRA, M. C. “Frei Luís de Sousa” In:Folhas da Cinemateca, 8 de Novembro de 1990.FERRO, A. Teatro e Cinema (1936-1949). Lisboa: SNI, 1950.
GARRETT, A. [1843] Frei Luís de Sousa / Um auto de Gil-Vicente. Pref. de Teófilo Braga, Porto: Chardron, s. d.GEADA, E. O Imperialismo e o Fascismo no Cinema. Lisboa: Moraes Editores, 1977.
GORBMAN, C. Unheard Melodies: Narrative Film Music. Bloomington: Indiana University Press, 1987.
JOHNSON, R. “Frei Luís de Sousa, António Lopes-Ribeiro, Portugal (1950)” In: Carolin Overhoff Ferreira (coord.), O cinema português através dos seus filmes, Porto: Campo das Letras, 2007.
LEÇA, C. de P. “Luís de Freitas Branco, compositor de música para cinema” In: Arte musical 10-11 (Janeiro/Março/Abril/Junho de 1998).
LLOYD, S. “Film Music” In: Stewart R. Craggs (ed.) William Walton: Music and Literature. Aldershot: Ashgate, 1999, 109-31.
LEONARD, K. P.Shakespeare, Madness, and Music: Scoring Insanity in Cinematic Adaptations. Plymouth: Scarecrow Press, 2009.MACNAB, G. J. Arthur Rank and the British Film Industry. London: Routledge, 1993.
MARKS, M. Music and the Silent Film. Oxford: Oxford University Press, 1997.
MATA, F. “Frei Luís de Sousa” In: O Século, 22 de Setembro de 1950.
MITCHELL, D. “Opera in London: Troilus and Cressida” In: The Musical Times 96 (1955a): 36–37.
MITCHELL, D. “‘Troilus and Cressida’: Two Further Opinions” In:Opera 6 (1955b): 88–91.
MORAIS, A. J. B. de. “Vinte anos de cinema português, 1930-1950: conteúdos e políticas” In: O Estado Novo das Origens ao Fim da Autarcia (1926-1959). Lisboa: Editorial Fragmentos, vol. 2, 1987.
MORRA, I. Twentieth-Century British Authors and the Rise of Opera in Britain. Aldershot, Burlington: Ashgate, 2007.
NEVES, C. das e G. Campos. Cancioneiro de musicas populares. Vol. II. Porto: Typ. Occidental, 1895.
OTTAWAY, H. “William Walton” In: Stanley Sadie (ed.) The New Grove Dictionary of Music and Musicians. London: Macmillan, 1980, vol. 20, pp. 195-200.
PAES, J. “O cinema com música de Joly Braga Santos” In: CASSUTO, Álvaro (ed.), Joly Braga Santos, uma vida e uma obra. Alfragide: Caminho, 2018.
PINA, I. Neoclassicismo, nacionalismo e latinidade em Luís de Freitas Branco, entre as décadas de 1910 e 1930. Dissertação de mestrado em Ciências Musicais, NOVA FCSH, 2016.
RAMOS, J. L. “Luís de Freitas Branco” In:Dicionário do Cinema Português (1895-1961). Alfragide: Caminho, 2011, pp. 59-60.
RIBEIRO, A. L. “Agradecimento àqueles a quem devo a realização do filme Frei Luís de Sousa” In: Frei Luís de Sousa, Cinema São Jorge, programa de sala, 1950.
RIBEIRO, A. L. [1950] Frei Luís de Sousa. DVD, ref. 1882/03, Lisboa: Madragoa Filmes, 2003.
SEABRA, J. África nossa: o império colonial na ficção cinematográfica portuguesa(1945-1974). Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2014.
SILVA, M. D. “O projecto nacionalista do Renascimento Musical (1923-1946): ‘reaportuguesar’ a música portuguesa” In: Ler História 46 (2004): 27-57.
SILVA, M. D. “Luís de Freitas Branco” In: Salwa Castelo-Branco (coord.), Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX. Lisboa: Círculo de Leitores/Temas e Debates, vol. 1, 2010, pp. 158-164.
SILVA, M. D. “Salazar’s dictatorship and the paradoxes of State music: Luís de Freitas Branco’s ill- fated Solemn Overture 1640 (1939)” In: Esteban Buch, Igor Contreras e Manuel Deniz Silva (ed.), Composing for the State: Music in 20th-Century Dictatorships. Farnham: Ashgate Publishing and Cini Foundation, 2016, pp. 144-167. SOUSA, M. L. M. de. “Frei Luís de Sousa. Do drama à ópera” In: Revista da Biblioteca Nacional, Série 2, 8. 2 (1993): 195-202.TORGAL, L. R. “Introdução” In: Luís Reis Torgal (coord.), O cinema sob o olhar de Salazar. Lisboa: Temas e Debates, 2001a, pp. 13-39.
TORGAL, L. R. “Propaganda, ideologia e cinema no Estado Novo. A ‘conver-são dos descrentes’” In: Luís Reis Torgal (coord.), O cinema sob o olhar de Salazar. Lisboa: Temas e Debates, 2001b, pp. 64-91.
VAL-SERINO, Armando do, “A estreia de ‘Frei Luís de Sousa’, no S. Jorge” In:República, 22 de Setembro de 1950.