Um ponto que saiu para passear

notas sobre uma pedagogia das linhas

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Resumo

Este artigo busca refletir sobre possíveis articulações entre memórias, narrativas e saberes-fazeres nos processos educativos a partir da experiência de realização de Ateliês de Bordado no Curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade de Brasília. O projeto, que agrega as dimensões do ensino, da pesquisa e da extensão, tem como objetivo estimular sensibilidades e poéticas relacionadas às artes manuais que atravessam e dialogam com o corpo. As agulhas, tramas, nós e desalinhos são interpretados como materialidades com as quais "pensamos com" e "a partir da" variedade de suas composições, configurando a proposta de uma Pedagogia das linhas voltada à mediação ética, estética e epistemológica entre texto e tecido. No cerne dessa proposta, destacam-se as ideias de Tim Ingold e Donna Haraway, que tratam de linhas e fluxos, compreendidos como emaranhados provisórios e abertos. Este trabalho busca explorar como as metáforas associadas à linhas e amarrações podem reconfigurar práticas educativas, permitindo que elas se movam, transformem e adaptem por meio de engajamentos criativos.

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Publicado

2025-11-14

Como Citar

Chaibub, J. R. (2025). Um ponto que saiu para passear: notas sobre uma pedagogia das linhas. Arquivos Do CMD, 12(1), 17–45. Recuperado de https://periodicos.unb.br/index.php/CMD/article/view/57698