A dialética após a indústria cultural notas sobre o significado social da arte após sua mercantilização

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Resumo

Fredric Jameson defende que, mesmo na era da indústria cultural, as representações estéticas possuem o atributo de produzir significados utópicos e mapear a realidade social de formas diretas e indiretas. Esse inconsciente da percepção coloca em xeque qualquer interpretação simplista e dualista acerca da verdadeira arte, digna de análise, e as obras industriais, estéreis e desprovidas de interesse estético. A materialidade histórica das matérias-primas simbólicas utilizadas pela arte é impositiva e se expressa na produção e recepção de todos os tipos de produção simbólica, impondo angústias e esperanças, medo e utopia. A sociedade da imagem não pode dispensar inteiramente a objetividade histórica que a constitui, apesar de cada forma desviar, inverter ou mitigar ideologicamente tal “inconsciente político” por caminho próprio. Tanto desejo quanto o recalque, diz Jameson, estiveram presentes no modernismo e na indústria cultural nas formas de negatividade e conciliação, inclusive quando o fosso a as separar era máximo, em nossa era pós-moderna, eles sobrepõem-se de maneira ainda mais clara na dialética entre utopia e reificação nas diversas produções da cultura de massas.  Desvendar os significados do produtos culturais contemporâneos é uma tarefa inescapável para a análise cultural e que demanda uma intepretação de longo prazo sobre as transformações críticas que arte atravessou nas últimas décadas e séculos

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Como Citar
Amorim, T. (2023). A dialética após a indústria cultural: notas sobre o significado social da arte após sua mercantilização. Arquivos Do CMD, 10(1), 210–228. Recuperado de https://periodicos.unb.br/index.php/CMD/article/view/51686
Seção
Artigos Livres
Biografia do Autor

Thomas Amorim, UnB

Doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo e atualmente professor no departamento de sociologia da Universidade de Brasília

Referências

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