Análise do ensino da morte e do morrer na graduação médica brasileira

  • George Felipe de Moura Batista UFRN
  • Gustavo da Cunha Lima Freire UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE
Palavras-chave: Morte, Universidades, Brasil, Educação Médica, Tanatologia

Resumo

No Brasil, as concepções sobre a morte modificaram-se por diversas vezes ao longo da história, inclusive no que tange ao processo de formação médica. No século XX, a instituição do modelo médico biotecnicista e hospitalocêntrico acarretou num profundo distanciamento da categoria em relação à finitude, cujo estudo baseia-se nos fenômenos da tanatologia. O ato de morrer, que antes era tido como natural e tinha curso no leito domiciliar, ocorre desde então nos leitos de hospitais, e cabe ao médico a função de combatê-lo a qualquer custo. Para o profissional da saúde, a busca pela cura muitas vezes supera a do cuidado, e quando essa primeira prática não é mais possível, a frustração resultante pode ocasionar num intenso esgotamento físico e mental conhecido como síndrome de Burnout. Quanto ao doente, as consequências desse processo podem ser ainda mais onerosas, principalmente no que se refere ao prolongamento de sua dor e sofrimento. Com base nesses aspectos, o objetivo desta pesquisa foi o de investigar a inserção do estudo da morte nas 50 melhores universidades de medicina do país, conforme o ranking da Folha (RUF) divulgado em 2017. Trata-se, portanto, de um estudo de base documental do tipo qualitativo-descritivo, e que possibilitou evidenciar um profundo déficit quanto à capacitação dos estudantes para o processo de morte e cuidado com o paciente moribundo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Gustavo da Cunha Lima Freire, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

Docente do Departamento de Morfologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Referências

ALMEIDA, Luana Ferreira De; FALCÃO, Eliane Brígida Morais. Representação Social de Morte e a Formação Médica: a Importância da UTI. Revista Brasileira de Educação Médica, Rio de Janeiro, v. 37, n. 2, p. 226-234, abr./jun. 2018.

AZEREDO, Nára Selaimen G.; ROCHA, Cristianne Famer; CARVALHO, Paulo Roberto Antonacci. O Enfrentamento da Morte e do Morrer na Formação de Acadêmicos de Medicina. Revista brasileira de educação médica, Rio de Janeiro, v. 35, n. 1, p. 37-43, jan./mar. 2011.

BIFULCO, Vera Anita; IOCHIDA, Lúcia Christina. A formação na graduação dos profissionais de saúde e a educação para o cuidado de pacientes fora de recursos terapêuticos de cura. Revista Brasileira de Educação Médica, Rio de Janeiro, v. 33, n. 1, p. 92-100, jan./mar. 2009.

COSTA, Iolanda Cristina Da; ROCHA, Ana Cristina D´Oliveira. Percepções da morte e do morrer para residentes de medicina em um hospital terciário. Revista Ciências em Saúde, Itajubá, v. 7, n. 4, p. 7-14, out./dez. 2017.

FIGUEIREDO, Maria Das Graças M. C. A.; STANO, Rita De Cássia M. T.. O Estudo da Morte e dos Cuidados Paliativos: Ausências no Currículo de Medicina. Revista Ciências em Saúde, Itajubá, v. 3, n. 3, p. 74-86, jul./set. 2013.

FIGUEIREDO, Maria Das Graças M. C. A.; STANO, Rita De Cássia M. T.. O Estudo da Morte e dos Cuidados Paliativos: uma Experiência Didática no Currículo de Medicina. Revista brasileira de educação médica, Rio de Janeiro, v. 37, n. 2, p. 298-307, abr./jun. 2013.

FILHO, Alberto Mesquita. Teoria sobre o método científico - em busca de um modelo unificante para as ciências e de um retorno à universidade criativa. 2006. 21f. Dissertação – USTJ, São Paulo, 2006.

FOLHA DE SÃO PAULO. Ranking universitário folha 2017. Disponível em: <http://ruf.folha.uol.com.br/2017/ranking-de-cursos/medicina/>. Acesso em: 25 jan. 2018.

GARCIA, João B. Santos; RODRIGUES, Rayssa Fiterman; LIMA, Sara Fiterman. A estruturação de um serviço de cuidados paliativos no Brasil: relato de experiência. REVISTA BRASILEIRA DE ANESTESIOLOGIA, Rio de Janeiro, v. 64, n. 4, p. 286-291, jul./ago. 2014.

INCONTRI, Dora; SANTOS, Franklin Santana. As leis, a educação e a morte - uma proposta pedagógica de tanatologia no Brasil. International Studies on Law and Education, São Paulo, n. 9, p. 73-82, set./dez. 2011. Disponível em: <http://www.hottopos.com/isle9/73-82Dora.pdf>. Acesso em: 08 fev. 2018.

KÜBLER-ROSS, Elizabeth. Sobre a morte e o morrer. 8 ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

MARSIGLIO, Carla Fabbrini. Ensino de cuidados paliativos na graduação do curso de medicina. 2011. 34 f. Trabalho de conclusão de curso – Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2011.

MARTA, G. N. et al. O estudante de Medicina e o médico recém-formado frente à morte e ao morrer. REVISTA BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MÉDICA, Rio de Janeiro, v. 33, n. 3, p. 405-416, jul./set. 2009.

MELLO, Aline Andressa Martinez; SILVA, Lucia Cecilia Da. A Estranheza do Médico Frente à Morte: Lidando com a Angústia da Condição Humana. Revista da Abordagem Gestáltica, Goiânia, v. 18, n. 1, p. 52-60, jan./jun. 2012.

MORAIS, A. R. G. D. et al. A importância da formação paliativista no currículo médico brasileiro: quando o curar não é possível. REVISTA UNINGÁ, MARINGÁ, v. 46, n. 1, p. 22-28, out./dez. 2015.

NEVES, Nedy M. B. C.; SIQUEIRA, José E. De. A bioética no atual Código de Ética Médica. Revista Bioética, Brasília, v. 18, n. 2, p. 439-450, mai./ago. 2010.

PORTAL DO MEC. Diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em medicina. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/med.pdf>. Acesso em: 10 abr. 2018.

PORTAL MÉDICO. Resolução CFM nº 1.995/2012. Disponível em: <http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2012/1995_2012.pdf>. Acesso em: 11 abr. 2018.

PORTAL MÉDICO. Código de ética médica - resolução CFM n° 1931/09. Disponível em: <https://portal.cfm.org.br/images/stories/biblioteca/codigo%20de%20etica%20medica.pdf>. Acesso em: 13 abr. 2018.

SANTOS, Manoel Antônio Dos; AOKI, Fernanda Cristina De Oliveira Santos; OLIVEIRA-CARDOSO, Érika Arantes De. Significado da morte para médicos frente à situação de terminalidade de pacientes submetidos ao Transplante de Medula Óssea. Ciência e saúde coletiva, Rio de Janeiro, v. 18, n. 9, p. 2625-2634, set. 2013.

THE ECONOMIST INTELLIGENCE UNIT. The 2015 Quality of Death Index. Ranking palliative care across the world. London, 2015. 71p.

WORLD HEALTH ORGANIZATION: WHO. Global atlas of palliative care at the end of life. Disponível em: <https://www.who.int/nmh/Global_Atlas_of_Palliative_Care.pdf>. Acesso em: 19 abr. 2018.

Publicado
2019-08-16
Como Citar
de Moura BatistaG. F., & Lima FreireG. da C. (2019). Análise do ensino da morte e do morrer na graduação médica brasileira. Revista Brasileira De Bioética, 15(1), 1-13. https://doi.org/10.26512/rbb.v15i1.23286
Seção
Artigos Originais