CONSUMO E SUBJETIVIDADE

O adensamento do saber técnico possibilita um ascendente processo de circulação de informações, pessoas, bens, signos e serviços que ultrapassa as fronteiras nacionais, a partir do advento da modernidade. Tal configuração globalizada consolida as leis de valor do capitalismo de consumo, alimentando a expectativa de homogeneização da cultura. Entretanto, o acesso aos saberes e aos bens se faz mediante uma processualidade histórica e hierarquizante, estabelecida por uma rede intricada de controles sobre a cognição e a volição dos indivíduos. Esse jogo do poder, por sua vez, efetiva diferentes níveis de contatos com os valores tidos universais, gerando um ambiente simbólico múltiplo e desigual, que suporta tanto a universalidade quanto a particularidade, tanto a identidade quanto a diferença. Isso significa dizer que o consumo pode atuar tanto como força socialmente integradora, reforçando as tendências em procurar uma cultura de comunidade mediante uma simbologia específica, como no “neo-tribalismo” ou na “performatividade” dos grupos marginalizados, quanto como uma estratégia de diferenciação, amparada num cálculo racional das diferenças de acordo com a lógica de produção e de manipulação dos significantes sociais, como indica o conceito de “sociedade de consumo”. Tal realidade pode gerar a “insatisfação definitiva do consumidor”, defendida por boa parte da sociologia teórica contemporânea, ou gerar, ainda, a satisfação mediante a diferenciação, como defendem várias teorias de marketing. Esse dossiê visa reunir artigos que discutem a relação entre subjetividade e consumo, e que explorem tais aspectos, com vistas a novas reflexões.