EDITORIAL:  
POR UMA SOCIOLOGIA DO PENSAMENTO  
SOCIAL NEGRO  
ÉRIKA COSTA SILVA (EDITORA-CHEFE)  
ORCID: 0000-0003-0395-2819  
LIDOMAR NEPOMUCENO (EDITOR-CHEFE)  
ORCID: 0000-0003-1080-4048  
MATHEUS FELIPE GOMES DIAS (EDITOR-CHEFE)  
ORCID: 0000-0001-5953-0856  
A Revista Pós, nos últimos anos, tem se voltado, cada vez mais, para o debate acerca da diversidade e da  
inclusão. Esse processo se evidencia, sobretudo, a partir da construção e publicação bianual do Caderno Vir-  
ginia Bicudo, que se dedica especificamente à temática das relações étnico-raciais. Alinhada à perspectiva de  
universalizar e diversificar a ciência e a publicação científica, a Revista Pós aplica ações afirmativas tanto no  
ingresso de editores quanto na escolha de pareceristas e na composição da editoria-chefe.  
No que diz respeito às ações, realizamos, neste ano, a chamada para a renovação do Banco de Pareceristas  
Negros/as e obtivemos um número recorde de inscrições. Ao mesmo tempo, estivemos engajados na refor-  
mulação das normas editoriais, visando proporcionar maior diversidade de autores e de formatos. Por fim,  
realizamos, em parceria com o coletivo Zora Hurston, o “Prêmio Zora Hurston de Fotografia Etnográfica”.  
Essas ações, implementadas e construídas a muitas mãos, ganham maior expressividade neste número  
(v.20, n.2), em que publicamos o dossiê “Pensamento social negro: (des)centralidades, (in)visibilidades e re-  
conhecimento”, organizado pelos/as professores/as Dra. Jacqueline Moraes Teixeira (FSP/USP), Dra. Layla  
Carvalho (SOL/UnB e MIR) e Dr. Stefan Klein (SOL/UnB). Recebemos submissões de diferentes regiões do  
país e conseguimos, ao mesmo tempo, recorrer a uma diversidade ampliada de pareceristas.  
O dossiê reúne reflexões e debates importantes sobre as principais temáticas e questões que permeiam a  
sociologia do negro pelo negro brasileiro, permitindo observar que essa produção sociológica gera efeitos  
significativos no desvelamento das dinâmicas do racismo e na reflexão sobre diferentes formas de enfren-  
tamento. Convidamos os/as leitores/as à leitura do texto de apresentação e dos trabalhos que o compõem.  
A seção de artigos livres é composta por quatro artigos. O primeiro é o artigo de Laura Ferrari Cambraia,  
intitulado, “Do determinismo biológico à autonomia: reflexões sobre raça em Boas, Firmin, Du Bois e Hurt-  
son”, que visa analisar as contribuições dos teóricos, Franz Boas, Anténor Firmin, W.E.B Du Bois e Zora  
Neale Hurtson, para o debate das questões raciais na passagem do final do século XIX e início do século XX,  
no contexto dos Estados Unidos. Embora as formulações teóricas dos referidos autores apresentem conflu-  
ências e controvérsias em suas abordagens, todos partilham do ponto comum de desestabilizar o racismo  
da época.  
Na sequência, o artigo “Desconstruindo o ‘paraíso racial’: a linha de cor como marca do Colonialismo”, de  
Lidomar Nepomuceno, elabora uma reflexão analítica acerca do conceito “linha de cor”, de W.E.B. Du Bois,  
como uma característica fundamental do Colonialismo. Por meio de uma revisão bibliográfica, o autor ana-  
lisa como as dinâmicas de divisão socioespacial no contexto dos Estados Unidos, Brasil e África do Sul apre-  
sentam semelhanças entre si, desconstruindo assim, a concepção de “paraíso racial” referente ao cenário  
brasileiro.  
Posteriormente, o artigo “As flores do jardim de Alice Walker: os diálogos entre gênero, violência e per-  
tencimento em sua produção literária”, de Gabriela da Costa Silva, se propõe, numa perspectiva socioló-  
gica, a olhar para a trajetória de vida da autora negra estadunidense Alice Walker, a partir de algumas de  
suas obras literárias, considerando temas como: questões de gênero; a violência racial durante o período  
REVISTA PÓS - V. 20, N. 2 (2025)  
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segregacionista; e o pertencimento a terra e senso de comunidade construído pela experiência negra sulista.  
O artigo apresenta uma importante contribuição para a sociologia das relações raciais e da cultura.  
No último artigo, “Sobre o conceito de ideologia em Louis Althusser”, Júlio César Pereira dos Santos revisita  
o conceito de “ideologia” em Althusser. Ao se voltar para importantes textos de Althusser, o autor nos ajuda  
a pensar o modo como se estruturam e se organizam as sociedades de classe em sua relação com o Estado,  
tomando o conceito de “ideologia” como parte fundamental de uma teoria social que busca compreendê-las  
numa perspectiva materialista na qual ideias existem em práticas e aparelhos concretos. Trata-se de uma  
reflexão que ilumina debates clássicos e contemporâneos, que nos convida a olhar de forma mais atenta para  
o papel da ideologia na vida social.  
Além dos artigos, este número conta com um ensaio etnofotográfico, uma conferência e uma resenha. Nesse  
sentido, em “Cemitério é praça linda, mas ninguém quer passear”: ritualidades de matrizes africanas pratica-  
das no Cemitério Santa Izabel (PA) no Dia de Finados”, Luiz Fernando Corrêa e Elisa Rodrigues apresentam  
as simbologias presentes nas oferendas deixadas em cemitérios, especificamente no Cemitério Santa Izabel,  
em Belém/PA.  
Em seguida, encontra-se “A diversidade cultural no sistema das artes: conferência proferida no evento Arte  
dos Mestres 2024”, conferência apresentada por Artur André Lins. No contexto da roda de conversa “Diálo-  
gos entre arte contemporânea, arte popular e artesanato”, o autor observa as condições e as possibilidades  
de emergência da “arte popular brasileira” na cultura nacional.  
Por fim, o número conta com a resenha do livro “Dispositivo de racialidade: a construção do não ser como  
fundamento do ser”, de Sueli Carneiro (Zahar, 2023), escrita por Daiane Daine de Oliveira Gomes e intitu-  
lada “Da negação do outro pelo racismo à produção de resistências negras: a emancipação pode e deve ser  
para todos”. A obra, que deriva da tese de doutorado de Carneiro, defendida em 2004, permite compreender  
como esse dispositivo demarca o sentido de humanidade, associando-o à “brancura”, e como isso redefine e  
hierarquiza as dimensões humanas a partir desse critério de humanidade.  
Agradecemos a todos/as os/as autores/as, pareceristas, editores e ao Instituto de Ciências Sociais da Univer-  
sidade de Brasília que contribuíram de maneira fundamental para a construção e publicação deste número.  
Desejamos a todos/as/es uma ótima leitura e convidamos a acompanhar a Revista Pós.