REVISTA PÓS - V. 20, N. 2 (2025)
A DIVERSIDADE CULTURAL NO SISTEMA DAS ARTES: CONFERÊNCIA
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PROFERIDA NO EVENTO ARTE DOS MESTRES 2024
Artur André Lins
Durante el evento Arte dos Mestres, celebrado del 28 de agosto al 1 de septiembre de 2024 en São Paulo,
se impartió la conferencia “Diversidad Cultural en el Sistema Artístico”, en el marco del grupo de discusión
“Diálogos entre Arte Contemporáneo, Arte Popular y Artesanía”. La conferencia trata sobre el llamado
arte popular brasileño, señalando las condiciones que permitieron la emergencia de este género artístico
nacional. Dividida en tres partes, comienza con una discusión sobre el modernismo y el culto a la marginalidad
artística. En la segunda parte, el conferencista enfatiza la historia de la constitución del circuito de las artes
populares en Brasil durante el siglo XX. Finalmente, el análisis se dirige a comprender cómo el universo
de las artes populares establece un diálogo con el paradigma del arte contemporáneo. Se argumenta que,
en la actualidad, el sistema del arte está fuertemente marcado por una estrategia de valorización de las
diferencias, convirtiendo el valor de la diversidad cultural en un código ineludible en la esfera cultural del
mundo contemporáneo.
Keywords: Arte Popular Brasileño; Artesanía; diversidad cultural; sistema artístico.
1.
INTRODUÇÃO: CONTEXTUALIZAÇÃO DO EVENTO E DO AUTOR DA CONFERÊNCIA
Entre os dias 28 de agosto e 01 de setembro de 2024, no STATE Innovation Center da cidade de São Paulo,
localizado na Vila Leopoldina, ocorria a segunda edição do evento Arte dos Mestres, uma exposição-feira
organizada pela instituição Artesol – Artesanato Solidário2, que contou com a curadoria de Josiane Masson e
Marco Aurélio Pulchério, reunindo 15 coletivos e mestres dos quatro cantos do Brasil. Esse evento acontecia
paralelamente à SP-Arte Rotas Brasileiras, a mais relevante feira comercial de arte do Brasil sediada na ARCA,
um espaço que abriga grandes eventos, situado ao lado do referido STATE. De um lado, havia uma exposição-
feira voltada exclusivamente para as chamadas artes populares do Brasil, contando com a presença física de
grandes mestres artesãos brasileiros junto a seus objetos (Arte dos Mestres). De outro, ocorria uma exposição-
feira do alto circuito artístico nacional, com a participação das principais galerias de arte do Brasil, em uma
edição focada especificamente na arte brasileira (SP-Arte Rotas Brasileiras).
Curiosamente, a dita arte popular brasileira se fazia presente em ambos os espaços. No evento Arte dos
Mestres, havia contato com artistas populares vivos, nacionalmente reconhecidos, que possuíam acesso ao
mercado qualificado de artesanato e, em alguns casos, também ao mercado de arte. Já na SP-Arte Rotas
Brasileiras, estavam presentes, além de obras de artistas modernos e contemporâneos, vivos e falecidos,
obras de artistas populares canônicos, consagrados e considerados clássicos do gênero no século XX,
majoritariamente falecidos. À época, despertou-me curiosidade a discrepância nos valores econômicos
atribuídos às obras desses artistas considerados populares em ambos os eventos. Enquanto, no Arte dos
Mestres, os valores variavam entre cinco e trinta mil reais, na SP-Arte, as obras de artistas ditos populares
custavam entre trinta mil e quinhentos mil reais. Essa discrepância parece justificada pelo fato de que, de um
lado, apresentava-se a arte popular contemporânea, em vanguarda e postulante à consagração temporal; de
outro, mostrava-se a arte popular moderna, já temporalmente consagrada pelo mercado classificado de arte.
No contexto do evento Arte dos Mestres, como parte da programação oficial, ocorreram diversas rodas
de conversa. A maior parte delas teve como protagonistas os artistas populares presentes no evento. No
encerramento, em 1º de setembro de 2024, a última roda de conversa, intitulada Diálogos entre arte
contemporânea, arte popular e artesanato, contou com a participação de três especialistas acadêmicos e
estudiosos do universo da arte popular brasileira. A mediação foi feita pelo antropólogo Ricardo Gomes
Lima, professor da UERJ e colaborador histórico do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP)
do IPHAN. As conferências foram proferidas por mim e pela antropóloga Ilana Goldstein, professora do
Departamento de História da Arte da UNIFESP.
Cursando Ciências Sociais na Universidade de Brasília entre 2013 e 2017, fui introduzido à Sociologia da
Cultura no segundo semestre pelo professor Edson Farias, integrando seu grupo de pesquisa Cultura,
MemóriaeDesenvolvimento(CMD).Inicieiminhatrajetóriadepesquisainteressadonasrelaçõesentrecultura,
economia e Estado, estudando a obra e a atuação institucional do economista e ex-ministro da Cultura Celso
Furtado. Em 2017, estagiei no Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional (IPHAN), onde me aproximei do tema da cultura popular brasileira. Escrevi minha
monografia de conclusão de curso sobre a história institucional do IPHAN e, posteriormente, elaborei projeto
de pesquisa para ingresso no mestrado em Sociologia da Unicamp, voltado para o mercado de artesanato
2 A Artesol é uma instituição que surgiu como programa do governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1998, encabeçado pela então Primeira Dama
e antropóloga Ruth Cardoso. Posteriormente, a Artesol se transformou em uma organização não-governamental voltada ao desenvolvimento do arte-
sanato brasileiro, com sua sede localizada em São Paulo/SP.