EDITORIAL:
UMA SAÚDE ANTROPOLOGICAMENTE COLETIVA
A Revista Pós tem passado por intensas transformações nos últimos anos. Da diagramação à regularidade
de suas publicações, da identidade visual ao uso das redes sociais, a revista tem conquistado mais espaço e
visibilidade – o que só foi possível pela dedicação e pelo compromisso voluntário de editores/as-chefes e ed-
itores/as executivos/as. Desde 2024, em especial, dando continuidade aos passos firmes das gestões anteri-
ores, a revista tem buscado aprimorar a qualidade de seus processos com a adoção de modelos de submissão
e critérios de avaliação de artigos e resenhas.
Como reconhecimento desse esforço coletivo, ressaltamos o recebimento do selo “Revista Diamante” por
práticas de ciência aberta pelo Miguilim - Diretório das revistas científicas eletrônicas brasileiras/Ibict e a
indexação no Directory of Open Access Journals (DOAJ), um desejo nutrido havia algum tempo.
Além de fundamental para comunicar essas novidades, passamos a incluir no Instagram da revista (@
revistaposunb) as fotos das pessoas autoras, de modo a “dar uma cara” para os nomes e suas instituições
acadêmicas, o que contribui para mostrar a diversidade de quem produz conhecimento com a revista.
Reafirmamos o compromisso de nossa política de ações afirmativas em 2024 com a reestruturação do Ban-
co de Pareceristas Negros/as. Composto a partir de uma chamada pública, o banco é um mecanismo impor-
tante para diversificar quem participa da avaliação dos artigos submetidos. Os critérios de gênero, raça e
regionalidade ganharam, assim, mais força no processo de produção de conhecimento da Revista Pós.
No início de 2025, recebemos convites para participar da Semana de Sociologia, organizada pelo PPGSOL,
e da Recepção de calouros/as do PPGAS, onde tivemos a oportunidade de apresentar o periódico junto à
comunidade do Instituto de Ciências Sociais.
E é com a disposição de quem carrega na bagagem as ferramentas para percorrer caminhos futuros que
apresentamos o novo dossiê “Uma Saúde Antropologicamente Coletiva: Monografias, dissertações e teses
das Ciências Sociais da Saúde”. Organizado por Ana Paula Jacob, Laura Coutinho e Caroline Franklin, o
dossiê reúne trabalhos de estudantes, pesquisadores e professores que têm em comum a passagem pelo
Coletivo de Antropologia e Saúde Coletiva (CASCA) da UnB.
Saúde tem se firmado como uma temática relevante para os debates interdisciplinares publicados na Pós
- Revista Brasiliense de Pós-Graduação em Ciências Sociais. Em cinco anos, este é o quarto dossiê na temáti-
ca, depois de Corpografias: narrativas a partir da saúde e do adoecimento - v. 16 n. 1 (2021); Fazer antro-
pologia em tempos pandêmicos: narrativas de povos e comunidades tradicionais e de periferias urbanas
sobre a pandemia Covid-19 - v. 16 n. 2 (2021); e Gênero, Cuidado & COVID-19 - v. 17 n. 1 (2022). Enquanto
os desafios de atravessar a pandemia de covid-19 deram as motivações para os três dossiês citados, Uma
Saúde Antropologicamente Coletiva: Monografias, dissertações e teses das Ciências Sociais da Saúde traz a
proposta de debates plurais que envolvem raça e currículo acadêmico, práticas religiosas e tradicionais no
cuidado em saúde, a produção científica em torno da epidemia do Zika no Brasil, além de um debate mais
localizado na relação entre antropologia e saúde pública, a partir da produção do Coletivo de Antropologia
e Saúde Coletiva (CASCA). Diante disso, recomendamos a leitura do texto de apresentação e dos artigos que
compõem o dossiê.
Na seção de artigos livres, encontra-se o artigo de Rocheli Koralewski e Luís Fernando Santos Corrêa da Sil-
va, intitulado “Emprego verde: aliado ou algoz da juventude brasileira?”, que busca compreender a relação
dos/as jovens com o trabalho em um contexto de alerta em relação à crise ambiental. Desse modo, a partir
de análise documental e de conteúdo, os autores concluem que o emprego verde pode ser um instrumento
importante na luta contra o desemprego, e não um algoz para a continuidade da lógica exploratória.
No artigo de Lucas Jaime Indi, “Environmental governance in the Anthropocene: the case of nalus as an
arena of ontological conflict”, o autor examina a construção de um projeto de preservação ambiental em
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Cantanhez, na Guiné-Bissau, e como esse projeto se enquadra em um contexto estrutural de interesses
econômicos e ideológicos que geram conflitos entre diferentes perspectivas sobre a utilização da natureza.
Posteriormente, o artigo “Um esboço sobre o anticomunismo no campo da segurança pública”, de Lucas As-
sis Souza, tem por objetivo discutir a perspectiva do anticomunismo no campo da segurança pública brasilei-
ra como uma “ferramenta” que atua no endurecimento do combate ao crime e na militarização das políticas.
Esse fenômeno, segundo o autor, dificulta o sucesso de políticas públicas voltadas para os direitos humanos,
para a redução de danos e para a própria democracia no Brasil. O autor conclui que o anticomunismo se
insere nas disputas políticas no âmbito da segurança pública, operando na formulação de políticas e nos
modos de atuação das forças.
Na sequência, o artigo de Larissa Neves da Costa, cujo título é “O outro e não eu: mulher negra, memória e
a alteridade do ser”, parte das contribuições de Lélia Gonzalez para pensar a produção antropológica bra-
sileira como forma de tecer uma análise da experiência da mulher negra no Brasil. A autora, de forma per-
spicaz, recorre ao conceito de memória para refletir sobre a situação da mulher negra brasileira como um
itinerário atravessado pela subjugação na formação do pensamento social brasileiro, pela construção de
uma memória excludente e eurocêntrica, além de outras e diversas formas de violência que marcam a ex-
periência de existir dessa população.
Por fim, neste número, publicamos três resenhas. A primeira é “América Latina ‘fora do armário’: resenha
do livro Lesbian, Gay, and Transgender Athletes in Latin America”, de Gabriel Felipe Silva Coelho e Doiara
Silva dos Santos. Em seguida, encontra-se a resenha de Ivis Fabiano Chagas Lima, intitulada “Encruzilhando
saberes e práticas pedagógicas: um diálogo possível entre terreiros e universidades”, sobre o livro Pedagogia
do Ebó: Horizontes possíveis para a universidade a partir de mulheres de axé (Beatriz Martins Moura, Apris,
2025). Ao final, temos a resenha de Thayla da Silva de Oliveira, cujo título é “Desracialização e seus paradox-
os: enfrentando o racismo no Norte e Sul global”, acerca do livro Futures of Anti-Racism: Paradoxes of Deracial-
isation in Brazil, South Africa, Sweden, and the United Kingdom (Nikholay Zakharov, Shirley Tate, Ian Law e
Joaze Bernardino-Costa, Palgrave Macmillan, 2023).
Agradecemos a todos/as os/as autores/as, pareceristas, editores/as e ao Instituto de Ciências Sociais da
Universidade de Brasília que contribuíram para a construção deste número. Desejamos a todos/as/es uma
ótima leitura e convidamos a acompanhar a Revista Pós e seus aprimoramentos de perto.
MATHEUS FELIPE GOMES DIAS (EDITOR-CHEFE)
ORCID: 0000-0001-5953-0856
JOÃO MIGUEL D. DE ARAÚJO LIMA (EDITOR EXECUTIVO)
ORCID: 0000-0002-4768-7589
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