REDES AFRODIASPÓRICAS:  
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ABDIAS NASCIMENTO E O (AUTO)EXÍLIO  
Afro-diasporic networks: Abdias Nascimento and the politics of (self-)exile  
Redes afrodiaspóricas: Abdias Nascimento y la política del (auto)exilio  
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TAILANE SANTANA NUNES  
ORCID: 0000-0001-5971-1884  
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ÉDVIN MARLEI PEREIRA  
ORCID: 0009-0003-3683-316X  
RESUMO  
Abdias Nascimento foi uma liderança importante do movimento negro no Brasil. Iniciou sua trajetória  
cultural e política com a criação do Teatro Experimental do Negro (1944), a participação no Movimento  
Negro Unificado (1978) e o exercício dos cargos de deputado federal e senador. Durante a ditadura militar,  
entre 1964 e 1969, enfrentou repressão em razão de sua ligação com os movimentos sociais de libertação  
africana e de suas atividades antirracistas no teatro negro. Em 1968, aceitou um convite para um intercâmbio  
nos Estados Unidos, onde permaneceu em exílio por treze anos. O objetivo deste artigo de revisão teórica  
é remontar a trajetória de Abdias Nascimento durante seu autoexílio, destacando as experiências e as  
redes criadas junto a movimentos norte-americanos e africanos. Por meio de uma análise metodológica  
qualitativa, com ênfase na pesquisa documental, analisaram-se os relatos biográficos acerca da vida e da  
obra do ativista, bem como suas produções intelectuais, buscando apresentar os caminhos que Nascimento  
traçou nos movimentos internacionais dos quais fez parte. A pesquisa revelou que Nascimento se tornou  
uma referência importante em movimentos de arte e cultura nos Estados Unidos, participando, entre outros,  
do Black Arts Movement. Além disso, foram identificadas e analisadas produções de Abdias apresentadas  
em encontros pan-africanistas, o que permitiu compreender as interlocuções entre o ativista e as lutas de  
libertação africana. A análise dos relatos biográficos e das produções intelectuais de Nascimento evidenciou  
a importância de sua voz na luta contra a opressão racial e na promoção da cultura negra, bem como seu  
papel fundamental na articulação de uma consciência negra latino-americana e na denúncia do racismo  
estrutural brasileiro.  
Palavras-chave: Abdias Nascimento; Autoexílio; Pan-africanismo.  
ABSTRACT  
Abdias Nascimento was an important leader of the Black movement in Brazil. He began his cultural and  
political trajectory with the creation of the Black Experimental Theater (1944), his participation in the  
Unified Black Movement (1978), and his later roles as a federal deputy and senator. During the military  
dictatorship, between 1964 and 1969, he faced repression due to his involvement with African liberation  
movements and his anti-racist activities in Black theater. In 1968, he accepted an invitation for an academic  
exchange in the United States, where he remained in exile for thirteen years. The objective of this theoretical  
1 Este artigo é resultado da dissertação de mestrado intitulada “A atuação parlamentar de Abdias Nascimento: luta antirracista e o processo de redemo-  
cratização política no Brasil (1983–1987)”, defendida por Tailane Santana Nunes no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Universidade  
Federal do Recôncavo da Bahia (2022), e finalista do Concurso Anpocs de Teses e Dissertações (2023).  
2 Mestra em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Professora de Sociologia do Estado da Bahia. Pesquisa a vida e a  
obra de Abdias Nascimento, o Movimento Negro e o ativismo institucional. E-mail: tailanenunes@outlook.com  
3 Licenciado em Educação Física. Professor, músico e produtor cultural. Ativista negro, integra o coletivo quilombola Marilene Matos e pesquisa iden-  
tidade, territórios e samba de roda. E-mail: edvinmarlei@gmail.com  
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review article is to retrace Abdias Nascimento’s trajectory during his self-exile, highlighting the experiences  
and networks he built with North American and African movements. Through a qualitative methodological  
approach, with emphasis on documentary research, biographical accounts of the activist’s life and work,  
as well as his intellectual productions, were analyzed to present the paths Nascimento followed within the  
international movements he engaged in. The research revealed that Nascimento became an important  
reference in art and cultural movements in the United States, participating in initiatives such as the Black  
Arts Movement. Furthermore, several of his works presented at Pan-Africanist meetings were analyzed,  
allowing us to understand the connections between the activist and the African liberation struggles. The  
analysis of his biographical accounts and intellectual productions highlighted the importance of his voice in  
the fight against racial oppression and in the promotion of Black culture, as well as his fundamental role in  
articulating a Latin American Black consciousness and denouncing Brazilian structural racism.  
Keywords: Abdias Nascimento; Self-exile; Pan-Africanism.  
RESUMEN  
Abdias Nascimento fue un líder importante del movimiento negro en Brasil. Inició su trayectoria cultural  
y política con la creación del Teatro Experimental del Negro (1944), su participación en el Movimiento  
Negro Unificado (1978) y su posterior desempeño como diputado federal y senador. Durante la dictadura  
militar, entre 1964 y 1969, enfrentó represión debido a su vinculación con los movimientos de liberación  
africanos y sus actividades antirracistas en el teatro negro. En 1968 aceptó una invitación para un  
intercambio académico en Estados Unidos, donde permaneció exiliado durante trece años. El objetivo de  
este artículo de revisión teórica es reconstruir la trayectoria de Abdias Nascimento durante su autoexilio,  
destacando las experiencias y redes creadas junto a los movimientos norteamericanos y africanos. A  
través de un enfoque metodológico cualitativo, con énfasis en la investigación documental, se analizaron  
los relatos biográficos sobre la vida y la obra del activista, así como sus producciones intelectuales, con el  
fin de presentar los caminos que Nascimento trazó dentro de los movimientos internacionales de los que  
formó parte. La investigación reveló que Nascimento se convirtió en una referencia importante en los  
movimientos de arte y cultura en Estados Unidos, participando en iniciativas como el Black Arts Movement.  
Además, se analizaron varias de sus producciones presentadas en encuentros panafricanistas, lo que  
permitió comprender las interlocuciones entre el activista y las luchas de liberación africanas. El análisis de  
los relatos biográficos y las producciones intelectuales de Nascimento evidenció la importancia de su voz en  
la lucha contra la opresión racial y en la promoción de la cultura negra, así como su papel fundamental en  
la articulación de una conciencia negra latinoamericana y en la denuncia del racismo estructural brasileño.  
Keywords: Abdias Nascimento; Autoexilio; Panafricanismo.  
1.  
INTRODUÇÃO  
Engajado nas lutas por igualdade em nível mundial, Abdias Nascimento respirou e dedicou sua vida às  
causas públicas, às lutas dos oprimidos e, sobretudo, à luta negra. Considerado uma das grandes lideranças  
do movimento negro no Brasil, o legado de Nascimento na luta antirracista é extenso, visto que o ativista  
imprimiu seu pensamento crítico tanto no terreno cultural quanto no político. Desde a fundação do Teatro  
Experimental do Negro (1944) e do Movimento Negro Unificado (1978) até sua produção intelectual negra  
brasileira, com obras importantes como Negro Revoltado (1968) e O genocídio do negro brasileiro: processo  
de um racismo mascarado (1978), Abdias Nascimento protagonizou diversos tipos de ação e mobilização que  
confluíam no combate ao racismo e na defesa dos direitos civis e humanos do povo negro (Almada, 2009;  
Nascimento, E., 2020).  
Enquanto integrante de importantes organizações negras ao longo da história, o ativista utilizava sua voz  
para denunciar o mito da democracia racial. Fundou o jornal Quilombo: vida, problemas e aspirações do negro  
(1948-1950), importante veículo de comunicação da imprensa negra paulista que documentava as ações do  
teatro negro e trazia à reflexão os problemas sociais da comunidade afro-brasileira da época (Nunes, T.; Jr.,  
W. P., 2020).  
Além disso, no período de redemocratização política no Brasil, desempenhando um papel representativo,  
Abdias Nascimento tornou-se o primeiro parlamentar afro-brasileiro a dedicar seu mandato à luta  
antirracista como deputado federal (1983-1987) pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), nas primeiras  
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eleições do processo de reabertura política. Liderando a secretaria do movimento negro do PDT, Abdias  
conduziu sua campanha eleitoral voltada para a questão racial. Sob o lema “O povo negro no poder!”, o  
intelectual problematizava, de forma didática, em suas campanhas, a ausência de negros nos altos escalões  
do poder civil e afirmava que o objetivo central de sua plataforma política era combater o racismo e lutar  
pelos direitos da população negra (Custódio, 2012; Nascimento, E., 2014).  
Como consequência de sua atuação comprometida com a luta antirracista, durante o período da ditadura  
militar (1964-1969), Abdias Nascimento sofreu repressões diretas do regime, assim como outros  
ativistas. Acusados de estabelecer conexões entre o movimento negro e grupos de esquerda, Nascimento  
e os integrantes do Teatro Experimental do Negro foram alvos de investigação e perseguição política.  
Dessa forma, no final dos anos 1960, o TEN começou a diminuir suas atividades e a se dissolver. Com o  
endurecimento do regime militar, nomes importantes, como o de Guerreiro Ramos, tiveram de deixar o país,  
o que enfraqueceu a organização.  
Nesse ínterim, em 1968, Nascimento recebeu um convite de intercâmbio da Fundação Fairfield para visitar  
instituições culturais negras nos Estados Unidos. A princípio, a viagem duraria dois meses; porém, quando  
estava em Nova York, o governo militar promulgou o Ato Institucional nº 5, inaugurando os chamados “anos  
de chumbo” no Brasil. Nesse contexto, Abdias decidiu permanecer nos Estados Unidos, dando início a um  
exílio de 13 anos que representaria uma nova etapa de seu ativismo — inicialmente como artista, em conjunto  
com os movimentos norte-americanos, e posteriormente como pan-africanista, junto aos movimentos de  
libertação dos países africanos (Custódio, 2012; Cavalcanti, 1976).  
Neste artigo, buscamos apresentar os caminhos que Abdias Nascimento traçou nesses movimentos  
internacionais, destacando as vivências, redes e contribuições criadas pelo autor junto às comunidades  
negras estadunidense e africana. Em nossa revisão bibliográfica, identificamos que a posição assumida por  
Nascimento junto a esses movimentos é a de referência sobre cultura negra na América Latina, somando  
sua experiência e intelectualidade a movimentos como o Black Arts Movement e a Négritude francófona.  
Por meio da análise metodológica qualitativa, com ênfase na pesquisa documental, analisamos relatos  
biográficos acerca da vida e obra do ativista, bem como suas produções intelectuais durante esse período,  
destacando as influências do pensamento pan-africanista em suas obras. Além disso, são apresentados os  
textos e pronunciamentos de Nascimento em encontros internacionais, nos quais frequentemente expunha  
o caráter violento do racismo brasileiro e problematizava o apoio camuflado da ditadura militar ao regime  
do apartheid na África do Sul.  
2.  
DESENVOLVIMENTO  
A saída de Abdias Nascimento do Brasil, no ano de 1968, ocorreu de forma oportuna em um momento  
crítico da história brasileira. Segundo consta em alguns relatos (ALMADA, 2009; CUSTÓDIO, 2012), o  
endurecimento do regime militar o teria obrigado a deixar o país. Inquéritos Policiais Militares incluíam  
Nascimento como suspeito de estabelecer ligações entre o movimento negro e a esquerda comunista. De  
acordo com Custódio (2012), a hipótese de que Nascimento mantinha vínculos com a esquerda surgiu a  
partir de sua colaboração na libertação de Lima Azevedo, angolano vinculado ao Movimento Popular  
de Libertação de Angola (MPLA), que foi preso e torturado pela ditadura militar brasileira. O MPLA foi  
fundado em 1956 e constituía-se como um dos principais grupos de contestação ao colonialismo português  
implantado pelo regime de Salazar em Angola. Seu principal líder foi o poeta Agostinho Neto, que se tornou  
presidente do país em 1975, ano em que Angola conquistou a independência.  
Durante sua existência, o MPLA assumiu fortes posições nacionalistas e mantinha certo diálogo com  
o Partido Comunista Angolano (PCA), o que lhe conferia um aspecto de grupo subversivo para o regime  
militar brasileiro. Segundo Elisa Larkin (2014), Abdias Nascimento era um dos representantes oficiais do  
MPLA no Brasil e teria contribuído para a libertação de Lima Azevedo ao apresentar seu caso ao embaixador  
do Senegal, Henri Senghor, que, por vias diplomáticas, conseguiu negociar a libertação daquele. Essa  
relação pode ter favorecido a inclusão de Nascimento nos inquéritos policiais da ditadura e a adoção de uma  
vigilância maior sobre suas posições políticas. Dessa forma, quando recebeu o convite de intercâmbio da  
Fairfield Foundation, o ativista não hesitou em aceitá-lo, vendo-o como uma “sorte grande” do destino. Na  
segunda quinzena de outubro de 1968, Abdias Nascimento embarcou para os Estados Unidos, iniciando o  
que viria a ser um autoexílio de 13 anos de duração (1968–1979).  
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Fundada em 1952, a Fairfield Foundation (FF) era uma organização sem fins lucrativos que mantinha vínculos  
com a milionária família Fleischmann, conhecida por sua grande influência na indústria de bebidas dos  
Estados Unidos. A bolsa que Abdias Nascimento viria a receber estava inserida em um âmbito de expansão  
cultural estadunidense, constituindo parte do programa Travel and Study da fundação. Instituído pela FF em  
1963, esse programa tinha como objetivo “atrair personalidades, intelectuais e artistas de diversas partes do  
mundo para desenvolverem projetos pessoais nos Estados Unidos e visitarem instituições culturais do país”  
(CUSTÓDIO, 2012, p. 64).  
No ano em que Abdias desembarcou nos Estados Unidos, o contexto social era marcado pela insurgência  
de movimentos sociais negros que buscavam combater a intensa segregação racial no país. Ao longo das  
décadas de 1950 e 1960, ainda sob a sombra da Guerra Fria, diversos grupos e coletivos políticos passaram  
a se organizar em prol da luta por direitos civis e em oposição ao sistema racial opressivo que atingia grupos  
minoritários, principalmente negros e latinos. Embora não seja possível reconstituir todos os processos  
históricos e de luta dessas mobilizações sociais, partiremos dos principais movimentos e discursos negros  
que, ao que tudo indica, influenciaram diretamente a recepção de Abdias Nascimento no país e a oferta  
de oportunidades singulares nas artes e na academia estadunidense, das quais o ativista viria a usufruir  
posteriormente.  
Um dos movimentos decisivos para a trajetória de Abdias Nascimento no autoexílio foi o Black Arts Movement.  
Surgido em meados da década de 1960, esse movimento se destacou por empreender uma luta contra o  
racismo americano por meio das artes, da literatura e do teatro. Defendendo a construção e a difusão de  
uma estética negra que contestasse as representações eurocêntricas vigentes no universo artístico, o Black  
Arts Movement impulsionou o reconhecimento e a visibilidade de diversos artistas negros, propondo uma  
produção artística atrelada ao discurso político negro. Inicialmente localizado na cidade de Nova York, o  
movimento se estendeu para Detroit, San Francisco e Chicago, atuando com veemência no sentido de  
estabelecer e consolidar novas vozes negras no universo excludente das artes.  
Tanto o Harlem Renaissance quanto o Black Arts Movement tinham como objetivo principal integrar a luta  
contra as desigualdades raciais por meio das artes. Entretanto, a abordagem política adotada pelo Black  
Arts Movement o diferenciava de seu antecessor. Considerando que o movimento surgiu em meio à luta por  
direitos civis, as atividades desenvolvidas por seus militantes compunham uma agenda conjunta contra o  
racismo estrutural. Segundo Nganga (2020), o Black Arts Movement atuou em parceria com o Black Power  
Movement, sendo considerado até mesmo o “braço cultural” dessa organização. Iniciado também na década  
de 1960, o Black Power Movement é amplamente reconhecido por seu legado na luta pela libertação negra.  
Inspirando-se no pan-africanismo e no nacionalismo negro, a organização se opunha aos ideais de protesto  
não violento contra a segregação racial, tal como defendido pelo líder Martin Luther King Jr. Segundo seus  
militantes, somente os protestos pacíficos não seriam suficientes para sanar as desigualdades sociais e a  
perpetuação histórica do racismo sistêmico na sociedade americana. Guiado pelos discursos de lideranças  
como Malcolm X e Marcus Garvey, o Black Power Movement defendia os princípios de orgulho racial,  
autonomia e autodeterminação da população afro-americana, propondo que os esforços da luta antirracista  
deveriam se concentrar na criação de uma estrutura de poder econômico, social e político negra, em vez de  
buscar a integração dos negros em uma sociedade dominada por brancos.  
O Black Arts Movement é completamente oposto a qualquer conceito do artista que o afaste de sua comunidade. Este movimen-  
to é a irmã estética e espiritual do conceito Black Power. Como tal, ele imagina uma arte que fala diretamente às necessidades  
e aspirações da América Negra. Para realizar esta tarefa, o Black Arts Movement propõe uma reordenação radical da estética  
cultural ocidental. Ambos os conceitos de arte negra e poder negro se relacionam amplamente com o desejo do afro-americano  
de auto-determinação e nacionalidade. Ambos os conceitos são nacionalistas. Um deles se preocupa com a relação entre arte e  
política; o outro com a arte da política. (Nganga, 2020, p. 104)  
Paralelamente, o Teatro Experimental do Negro, liderado por Abdias, propunha-se a ressignificar a forma  
como os negros brasileiros eram representados nas artes e na cultura nacional. Segundo relata Elisa Larkin  
(2014), ao entrar em contato com os ativistas do Black Arts Movement, Nascimento compartilhava suas  
experiências como ator político e explicava que os aspectos singulares do racismo brasileiro exigiam que a  
abordagem desse tema não fosse feita de forma academicista ou elitista:  
Abdias Nascimento visitou Baraka na Spirit House, casa que abrigava o grupo teatral Spirit House Players. Passou um dia  
convivendo com Baraka e sua proposta de construir uma comunidade artística e política autônoma. Eles tiveram uma con-  
versa animada sobre o inferno de Dante, tema caro à Santa Hermandad Orquídea, a que Amiri Baraka dedicou um livro. Mas  
a atenção dos dois se concentrava em estratégias políticas da luta negra. Baraka, que trabalhava em aliança com “latinos” por-  
to-riquenhos, agora se deparava com um negro “latino” brasileiro, militante político do movimento negro que lhe trazia novas  
referências. (Larkin, 2014, p. 205)  
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Sendo assim, ao que tudo indica, a posição que Nascimento assume junto a esses movimentos é de referência  
sobre a cultura negra na América Latina. Como bem ressalta Larkin (2014), os norte-americanos sabiam  
pouco sobre a realidade dos negros brasileiros. Sua visão geográfica restrita indicava que a presença negra  
na América Latina compreendia somente os países de Cuba e Porto Rico, raramente se referindo à herança  
africana na América do Sul. Dessa forma, “Nascimento encarnava uma espécie de avis rara, despertando o  
interesse daqueles que queriam aprender sobre novas dimensões da experiência humana” (Nascimento, E.,  
2014, p. 207).  
Durante o intercâmbio, Nascimento teve a oportunidade de conhecer diversas lideranças afro-americanas,  
grupos de teatro negro e organizações culturais, com os quais manteve relações durante sua estadia em terras  
estadunidenses. Reconhecido pelo trabalho desenvolvido no Teatro Experimental do Negro, Abdias visitou  
os principais focos da mobilização artística negra, como a Spirit House — grupo de teatro negro comunitário  
fundado por Amiri Baraka — e o Negro Theatre Ensemble, companhia e oficina de teatro voltada a obras  
com temas baseados na experiência negra, fundada em 1967 pelo dramaturgo Douglas Turner. Frequentou  
o centro de dança e cultura da famosa coreógrafa negra Katherine Dunham, com quem havia colaborado  
anteriormente. Além disso, Nascimento também conheceu Bobby Seale, presidente do Partido dos Panteras  
Negras em Oakland.  
Ao término da bolsa, em janeiro de 1969, Abdias permaneceu nos Estados Unidos. Embora não haja  
fontes que indiquem exatamente quando, nem a razão pela qual o intelectual tomou essa decisão, um fato  
histórico pode tê-lo influenciado: durante esse mesmo período, o Ato Institucional nº 5 (AI-5) havia sido  
implantado no Brasil pela ditadura militar sob o governo do general Costa e Silva. O cenário social, que já  
era de repressão, encontrava-se então em um pico de censura e cerceamento dos direitos civis e políticos da  
população brasileira. Certamente, não seria prudente para Abdias Nascimento, um ativista político, retornar  
ao país naquele momento de perseguição institucionalizada. Ao mesmo tempo, ao falar sobre sua situação  
de exilado nos EUA, Abdias revela que sentiu uma valorização do seu trabalho naquele país, razão pela qual  
estendeu sua permanência.  
Já disse e repito, sempre fui um exilado em meu próprio país, não tenho uma “terra natal”. Ou melhor, tenho: África. A sociedade  
brasileira recusou minhas raízes africanas, quis cortá-las, arrancá-las à força, fazer de mim um desenraizado. Tive de lançar  
minhas raízes de cima para baixo, pelo esforço consciente, lançando-as no ar como certas plantas fazem. Não foi a vinda para os  
Estados Unidos que criou meu exílio. Pelo contrário: aqui pude me expressar muito melhor, continuando o que já fazia, noutro  
contexto. Uma grande diferença é que, aqui nos EUA, o valor do meu trabalho foi reconhecido, é coisa que não posso negar.  
(Cavalcanti; Ramos, 1976, p. 48)  
Entretanto, ao optar por permanecer em um país estrangeiro sem financiamento, Nascimento também  
enfrentou desafios financeiros e de moradia. Nesse período, a pintura contribuiu para que o autor se  
restabelecesse financeiramente e significou, ao mesmo tempo, a construção de pontes de comunicação em  
terras estrangeiras. Sem falar fluentemente inglês, Abdias encontrou nas artes uma forma de expressar seus  
discursos e posições ideológicas, conforme relata no livro Memórias do Exílio:  
Uma coisa sensacional aconteceu comigo nos E.U.A. Bloqueado pelo inglês, desenvolvi uma nova forma de comunicação. Ao  
invés de aprender a falar bem uma outra língua, descobri que possuía uma outra forma de linguagem dentro de mim mesmo:  
descobri que podia pintar; e pintando eu seria capaz de mostrar o que palavreado nenhum diria. (Cavalcanti; Ramos, 1976, p. 49)  
Ainda em 1969, Nascimento conseguiu montar suas primeiras exposições na Harlem Art Gallery e na Crypt  
Gallery (Columbia University). Atendendo a um convite da Escola de Drama da Universidade de Yale, em  
New Haven, o autor ministrou oficinas como Visiting Lecturer, relatando aos estudantes suas experiências  
com o Teatro Experimental do Negro e expondo suas pinturas na galeria da Faculdade de Arte e Arquitetura  
de Yale. Focada na temática do resgate da cultura negra, a maioria dos quadros produzidos por Nascimento  
fazia referência a orixás e entidades das religiões de matriz africana, mais especificamente o candomblé.  
Símbolo de resistência ancestral, o candomblé constitui o pilar da produção artística de Abdias Nascimento  
e é representado por meio dos orixás e entidades traçados pelo autor, com o objetivo de resgatar o legado de  
resistência, expressar as raízes culturais e evidenciar a força do povo negro brasileiro, conforme ele mesmo  
explica em depoimento:  
Em minha pintura procuro distinguir entre os símbolos e mitos que só existem como tradição, e aqueles que preenchem neces-  
sidades do nosso tempo podendo abrir uma perspectiva de futuro. Não advogo que simplesmente lembremos o nosso passado.  
Meus orixás não estão imobilizados no tempo e no espaço. São forças do presente. Emergem na vida diária e em assuntos se-  
culares. Os orixás recebem nomes de pessoas vivas, assumem a defesa dos heróis e mártires que ainda hoje são oferecidos pela  
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raça negra como sacrifício na busca da liberdade. Mencionar Ogun é evocar uma idéia-força que se opõe à submissão dos povos  
africanos e negros em qualquer parte do mundo. (Cavalcanti; Ramos, 1976, p. 49-50)  
Em 1970, Nascimento foi convidado a atuar como professor visitante na Wesleyan University, onde  
abordava o teatro negro como instrumento de luta e de afirmação dos valores da cultura afro-brasileira.  
Nessa instituição, o autor foi responsável por organizar o seminário A Humanidade em Revolta, que teve  
duração de um ano e contou com a participação de nomes importantes da época, como o escritor Norman O.  
Brown e o compositor John Cage. O evento tinha como objetivo refletir, de maneira interdisciplinar, sobre  
as questões emergentes do contexto social turbulento vivido pelos Estados Unidos naquele período. Após  
sua passagem pela Wesleyan, Abdias foi contratado como professor adjunto pela Universidade do Estado de  
Nova York, em Buffalo. Segundo Elisa Larkin (2014), o convite para integrar o corpo docente da universidade  
teria surgido das relações que Abdias mantinha com ativistas porto-riquenhos. Responsáveis pela instalação  
do Centro de Estudos Porto-Riquenhos da instituição, o escritor Alfredo Matilla e o cineasta Francisco  
Pabón conheciam o trabalho de Nascimento e o convidaram para fundar a cadeira de Culturas Negras das  
Américas. É importante destacar, porém, que fatores externos também contribuíram para a inserção de  
Abdias Nascimento na academia norte-americana. De acordo com Custódio (2012), havia grande interesse,  
por parte de algumas universidades, em aprofundar os estudos acerca das relações raciais na América Latina  
— um campo de pesquisa até então considerado “marginal”. Essas buscas por novas abordagens acadêmicas  
também teriam influenciado sua admissão:  
O convite a Nascimento se inscreveria no interesse daquela Universidade por ter um artista afro-latino americano em seu qua-  
dro de docentes. Vale ainda ressaltar que nesse momento pouco se conhecia sobre o Brasil, pincipalmente sobre a cultura negra  
brasileira, a qual estava submersa no discurso oficial do país em torno da democracia racial. Dessa maneira, a presença de Nas-  
cimento enquanto artista, com suas pinturas orientadas para a representação dos elementos africanos, tinha um interessante  
valor simbólico, (Custódio, 2012, p. 69)  
Abdias permaneceu na Universidade de Nova York de 1971 a 1981, sendo promovido a professor titular com  
estabilidade. Para o intelectual, a experiência de lecionar nas universidades norte-americanas teve grande  
importância, visto que ele não teve a mesma oportunidade em seu país de origem. Tratava-se de um momento  
de reconhecimento de sua trajetória política, pois, segundo ele, “viajava muito dando conferências, recebia  
muito convite e fazia também exposições. Sempre denunciando essa falta da democracia racial” (Almada,  
2009,p.44).AbdiasaindaassumiriaascadeirasdeCulturaAfricananoNovoMundoeExperiênciaAfricana  
nas Américas do Sul e Central” na mesma universidade. Como Nascimento não falava inglês fluentemente,  
recorria sempre a tradutores em suas aulas, sendo, em sua maioria, estudantes e pesquisadores interessados  
nos estudos sobre a América Latina, falantes de português ou espanhol.  
2.1  
ABDIAS NASCIMENTOS NOS ENCONTROS PAN-AFRICANISTAS  
A partir de 1973, o ativismo de Abdias Nascimento ganhou proporções intercontinentais. Segundo Túlio  
Custódio (2012), o intelectual buscou ampliar sua participação em congressos e seminários fora do  
território norte-americano entre os anos de 1973 e 1981, período que marcaria o auge de suas experiências  
no exílio. Nesse intervalo, o autor publicou importantes livros, como O genocídio do negro brasileiro (1978),  
participou de grandes eventos pan-africanistas e tornou-se professor na Universidade Nigeriana de Ilê Ifé. O  
pan-africanismo desempenhou um papel central na reformulação do pensamento de Nascimento acerca da  
cultura e da identidade negra.  
O pan-africanismo ganhou destaque como movimento social na luta pela descolonização e libertação dos  
países africanos a partir da década de 1970. Segundo Carlos Moore (2002), após a Revolução do Haiti, em  
1804, o pan-africanismo tornou-se um movimento mundial, intensificando-se nas Américas a partir das  
reivindicações pós-abolicionistas e da oposição à tutela colonial e imperial na África, no Caribe e no Pacífico.  
Baseado na ideia de solidariedade racial entre os povos africanos e afrodescendentes, o pan-africanismo  
pode ser dividido em três principais correntes, que se transformaram ao longo do tempo.  
A primeira teve início no final do século XIX e foi construída a partir da aspiração de dar continuidade ao  
protagonismo negro trazido pela Revolução do Haiti. Nesse momento, a preocupação era libertar os países  
africanos do colonialismo e construir estratégias de integração da população negra à sociedade. Essa  
corrente, composta por nomes como Edward Blyden, Sylvester Williams e W. E. B. Du Bois, foi responsável  
por organizar a “Conferência dos Povos de Cor”, em 1900, na Inglaterra. Embora tenha ocorrido fora  
do continente africano, o evento é considerado um dos primeiros responsáveis por articular laços de  
solidariedade negra intercontinental — característica ímpar do pan-africanismo.  
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A segunda corrente é representada pela figura de Marcus Garvey, um dos principais expoentes do movimento  
em nível mundial. O garveísmo destacou-se por abordar o pan-africanismo a partir do nacionalismo negro.  
Segundo Paim (2014, p. 96), “Garvey representa um divisor de águas por dois motivos. Nele encerra-se a  
fase pioneira da edificação pan-africana (1940), ao mesmo tempo em que inaugura a fase de concretização e  
difusão do pensamento a partir de seu projeto”.  
Tida como uma vertente “messiânica” ou religiosa, a proposta pan-africanista de Garvey também mantinha  
relações com o movimento/religião rastafári, que teve no cantor de reggae Bob Marley um dos principais  
divulgadores de suas ideias. Rejeitando as concepções integracionistas, o garveísmo defendia a autonomia  
dos povos africanos por meio do desenvolvimento econômico, político e cultural do continente. Segundo  
essa corrente, era preciso estabelecer forças políticas e econômicas conjuntas na diáspora das Américas, do  
Caribe e do Pacífico, que fossem independentes dos blocos econômicos europeus e estadunidenses. Dessa  
forma, visava-se à criação de um Estado negro autônomo que agregasse os povos da África e da diáspora sob  
um mesmo propósito: a edificação de uma comunidade negra próspera. O pensamento garveísta influenciou  
grandes nomes do movimento negro estadunidense, como Malcolm X, e foi a base do movimento Black  
Power e do Partido dos Panteras Negras.  
Por fim, a terceira e última corrente é comumente associada à vertente cultural do pan-africanismo: a  
Négritude francófona. O movimento da Négritude surgiu em meados da década de 1920, com origem  
primordialmente nos países de colonização francesa. Responsável por destacar a contribuição das culturas  
negras para a história da civilização ocidental, esse movimento teve como principais porta-vozes intelectuais  
como Aimé Césaire, Léon Damas e Léopold Senghor, que utilizaram a literatura como ferramenta de luta  
contra a assimilação colonial da cultura europeia. De acordo com Petrônio Domingues (2009, p. 197), em  
rejeição ao processo de alienação, “os protagonistas da ideologia da negritude passaram a resgatar e a  
enaltecer os valores e símbolos culturais de matriz africana”.  
Promoveroorgulhodasraízesculturaisafricanasnacomunidadenegramundialeraumdosobjetivoscentrais  
da Négritude. Segundo Munanga (1988), para os ativistas desse movimento, a negritude se caracterizava  
pelo ato de assumir-se como negro, consciente de sua identidade, história e cultura. Aimé Césaire, um dos  
idealizadores do movimento, definiu a negritude em três características principais: identidade, fidelidade e  
solidariedade. O primeiro aspecto referia-se ao orgulho de sua identidade negra; o segundo expressava-se na  
relação de vínculo com a herança ancestral africana; e o último definia-se pelo sentimento de solidariedade  
com a diáspora africana.  
Conforme indica Carlos Moore (2002), entre as três vertentes do pan-africanismo, Abdias Nascimento,  
enquanto homem das letras e artista, teria se identificado de maneira natural e espontânea com o pan-  
africanismo político-cultural da Négritude, com o qual vinha mantendo contato desde a década de 1950  
no Brasil. Tal relação se intensificou ao longo dos congressos e seminários pan-africanistas que o autor  
frequentou durante o exílio, visto que seu contato com esses ativistas tornava-se cada vez mais direto. A  
primeira participação de Abdias nos encontros pan-africanos ocorreu durante a conferência preparatória do  
6º Congresso Pan-Africano, que seria realizado em Dar es Salaam, na Tanzânia, em 1974. O ativista teria sido  
convidado pelo célebre C. L. R. James, um dos maiores representantes da diáspora africana no Congresso,  
que “conhecia o trabalho de Abdias Nascimento e externou sua intenção de dedicar um dia inteiro do 6º  
Congresso para discutir a situação brasileira” (Nascimento, E., 2014, p. 221).  
Em 1974, Abdias recebeu o convite oficial do governo da Tanzânia para participar do 6º Congresso  
Pan-Africano em Dar es Salaam. Segundo Larkin (2014), no mesmo dia em que recebeu o telegrama de  
confirmação de participação, Nascimento soube que o coordenador da região do Caribe e da América do Sul,  
bem como a delegação da Guiana Inglesa, haviam sido excluídos do Congresso. Em solidariedade a eles, C. L.  
R. James desistiu de comparecer ao evento. Abdias quase tomou a mesma decisão, mas resolveu participar  
em forma de protesto. Durante o Congresso, o ativista brasileiro foi o único representante da América do  
Sul. Apresentando o paper intitulado “Revolução Cultural e o Futuro do Pan-Africanismo”4, Nascimento  
defendeu a adoção de uma cultura progressista pan-africana mundial que considerasse as contribuições das  
diásporas na luta pela libertação: “tornar contemporâneas as culturas africanas e negras na dinâmica de  
uma cultura pan-africana mundial, progressista e anticapitalista, me parece ser o objetivo primário, a tarefa  
básica que a história espera de nós” (Nascimento, 1980, p. 45).  
Além disso, o autor chamou a atenção para o caráter excludente do Congresso no que se referia às línguas  
4 A maioria dos papers e relatos sobre a experiência de Nascimento nestes eventos internacionais pode ser encontrada na obra O Quilombismo:  
Documentos de uma militância pan-africanista, publicada pelo autor em 1980.  
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oficiais adotadas. De acordo com Abdias, “exigem dos africanos que falam português – o grande contingente  
que inclui Brasil, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau – o uso obrigatório do inglês ou do francês, exigência  
que significa para nós uma dupla colonização em termos de linguagem” (Nascimento, 1980, p. 29). Segundo  
Almada (2009) e Custódio (2012), a participação do intelectual nesse evento teria sido prejudicada, visto que  
não havia tradutores do português. Sua intervenção só foi possível porque uma mulher francesa, integrante  
do corpo oficial de tradutores, se dispôs a auxiliá-lo. Dessa forma, Nascimento conclui afirmando que esse  
elitismo linguístico desestimulava a participação de negros brasileiros nas lutas internacionais e favorecia a  
presença de representantes oficiais do governo, os quais apresentavam uma versão distorcida da história e  
da identidade afro-brasileira.  
A busca de Abdias pela construção de caminhos autônomos de atuação política apresentou-se novamente no  
Seminário Alternativas para o Mundo Africano, realizado em Dacar, no Senegal, em fevereiro de 1976. Esse  
foi um momento especialmente simbólico para o autor, que estava conhecendo o país após ter sido excluído  
da delegação brasileira do 1º Festival Mundial de Artes Negras pela ditadura militar, dez anos antes. Nesse  
encontro, Abdias deu sua contribuição ao evento internacional defendendo um pan-africanismo focado “nas  
referências culturais africanas como ferramentas para pensar o futuro e na autonomia política e econômica,  
não alinhada aos eixos hegemônicos” (Nascimento, E., 2014, p. 224). Na mesma ocasião, o intelectual  
também conheceu os pensadores africanos Wole Soyinka e Cheikh Anta Diop, autores que se tornaram suas  
principais referências no que se refere à reflexão sobre as dimensões históricas e epistemológicas da herança  
africana no Brasil e no mundo ocidental.  
O trabalho de Cheikh Anta Diop é considerado, pela literatura africana, um dos principais legados científicos  
da reflexão pan-africanista. Em seu livro A origem africana da civilização: mito ou realidade (1974), Diop  
realiza um profundo resgate da história antiga do continente africano e demonstra a influência cultural que  
os povos africanos exerceram sobre a civilização egípcia, revelando que o antigo Egito possuía raízes negras.  
De acordo com Túlio Custódio (2012), a obra de Cheikh Anta Diop tornou-se um dos principais referenciais  
teóricos de Abdias Nascimento durante e após o exílio. Essas influências podem ser observadas diretamente  
no texto escrito para o Segundo Festival Mundial de Artes e Cultura Negra e Africana – FESTAC 77: Racial  
Democracy in Brazil: Myth or Reality, que mais tarde seria editado e publicado no Brasil como O genocídio do  
negro brasileiro (1978). Nessa obra, Nascimento faz uma releitura da história do negro no Brasil, destacando  
o processo de embranquecimento e o apagamento histórico das contribuições africanas para a cultura e a  
sociedade brasileira.  
Além disso, décadas depois, Nascimento também promoveu um movimento de resgate da herança africana  
por meio da produção da Revista Thoth: Escriba dos Deuses (1997–1999). Principal veículo de comunicação  
do gabinete de Abdias durante seu mandato como senador, a revista também tinha a função de divulgar  
informações e debates sobre temas de interesse da população afrodescendente. Frequentemente, as seções  
da revista eram dedicadas à difusão de referências sobre o legado africano no Brasil e no mundo, com o  
intuito de recuperar “uma tradição africana escamoteada à população brasileira enquanto verdadeira matriz  
de nossa civilização”.  
Em 1976, Abdias Nascimento recebeu convite para passar um ano como professor visitante no Departamento  
de Línguas e Literaturas da Universidade de Ifé, na Nigéria, dirigido pelo professor e babalaô Wande  
Abimbola. Durante o tempo em que esteve no país, Abdias aproveitou para realizar um itinerário de visitas  
a locais sagrados da religião iorubá. Admirador dos orixás do candomblé, o autor passou pelas cidades  
de Oshogbo, capital do estado de Oxum, e Oyó, território onde se situava o reino de Xangô. Além disso,  
Nascimento buscou conhecer outros países do continente, como Angola, Guiné-Bissau e Gana. Sobre suas  
experiências e os aprendizados adquiridos na universidade africana, Abdias relata:  
Estou sumamente honrado e feliz de representar, como um afro-brasileiro, o Projeto das Culturas Africanas na Diáspora, da  
Universidade de Ifé, na Nigéria. Instalada nas vizinhanças do próprio local onde Obatalá, o enviado de Odudua, baixou sobre as  
águas de Olokum para fundar a terra e criar os seres humanos, Ilê-Ifé é a cidade que significa para o mundo negro-africano não  
somente o berço da nossa resistência, como também um dos lugares onde os padrões da criação artística afro-negra atingiram  
os níveis mais altos em técnicas e significação simbólica. Foi como se eu estivesse praticando a volta ritual às minhas origens o  
tempo em que permaneci no seu Departamento de Línguas e Literaturas Africanas; durante aquele ano pude ser uma testemu-  
nha participante do que aquela bela instituição de ensino superior está realizando para atender às exigências da reconstrução  
da África, após séculos de destruição colonial. (Nascimento, 1980, p. 157)  
No ano de 1977, enquanto atuava como professor visitante em Ilê Ifé, Abdias teve a oportunidade de participar  
do II Festival Mundial de Artes e Culturas Negras e Africanas (FESTAC 77). O evento tinha como propósito  
reunir intelectuais, professores, pesquisadores, artistas e estudiosos do mundo africano para refletir e  
dialogar sobre o futuro dos povos de origem africana. A convite da UNESCO, o ativista preparou um texto  
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sobre as influências da cultura africana no Brasil, que seria apresentado em um colóquio promovido pela  
instituição durante o encontro. Entretanto, conforme relata em Sitiado em Lagos (1981), movimentações  
políticas externas ao Festival resultaram na retirada da UNESCO e das Nações Unidas da organização do  
evento, que passou a ser conduzido por delegações oficiais dos países participantes — tal como ocorrera no  
primeiro FESTAC.  
A participação de Nascimento tornou-se, nesse contexto, incerta, uma vez que o ativista mantinha uma  
relação conflituosa com a ditadura militar brasileira. Em 1975, em razão de sua participação no VI Congresso  
Pan-Africano, no qual denunciou o mito da democracia racial, Abdias teve seu passaporte apreendido nos  
Estados Unidos. Viajando apenas com um salvo-conduto concedido pelo governo norte-americano, o autor  
passou a ser monitorado pelo regime brasileiro, encontrando-se sob vigilância desde outubro de 1976,  
quando chegou à Nigéria para assumir o cargo de professor visitante (Custódio, 2012). O próprio Abdias  
relata um episódio em que percebeu uma aproximação suspeita durante o FESTAC 77:  
Trocávamos cumprimentos e abraços quando, de repente, alguém me chamou a atenção para um vulto, uma pessoa talvez, que,  
evitando ser vista, tentava me fotografar. Escondia-se atrás de outras pessoas, e ao ver-se apanhado em flagrante por mim e  
meus amigos, todos nós voltados surpresos em sua direção, o improvisado fotógrafo rapidamente guardou sua máquina e seu  
vulto desapareceu entre a multidão das delegações. Com o auxílio dos companheiros, pude identificar o inusitado “retratista”:  
tratava-se, nada mais nada menos, do que Dr. George Alakija, representante permanente do governo ditatorial brasileiro junto  
ao FESTAC. (Nascimento, 2002, p. 263-264)  
Piu Zirimu, um dos organizadores do evento, tentou assegurar a participação de Abdias Nascimento mesmo  
diante da tensão provocada pela delegação oficial brasileira. Entretanto, o texto submetido por Nascimento  
— que trazia duras críticas ao mito da democracia racial — foi vetado pelo corpo diplomático brasileiro,  
que exercia influência considerável na Nigéria. Segundo Túlio Custódio (2012), durante a década de 1970  
o governo brasileiro mantinha estreitas relações comerciais com o país africano, que vivia um período de  
crescimento econômico impulsionado pelo petróleo. Interessado em consolidar sua presença no mercado  
pós-colonial africano, o regime ditatorial brasileiro não poderia correr o risco de manchar a imagem do  
país como uma suposta “democracia racial”. Assim, “o corpo diplomático teria feito o possível para coibir a  
participação de Nascimento no colóquio, delegando inclusive à comitiva de intelectuais que o ‘respondesse’  
à altura em qualquer comentário ou denúncia” (Custódio, 2012, p. 96).  
Dessa forma, Abdias foi impedido de apresentar propostas e de votar durante o FESTAC 77, podendo apenas  
se manifestar na condição de observador no Colóquio Internacional — espaço que utilizou como plataforma  
para denunciar a perseguição política que sofria. No decorrer das atividades, conseguiu distribuir cópias  
do texto vetado, que circulou amplamente entre os participantes. A denúncia alcançou a mídia nigeriana,  
que noticiou o episódio, contribuindo para ampliar o apoio ao ativista. Com o respaldo da delegação norte-  
americana e de intelectuais africanos, como Wole Soyinka, Nascimento obteve, enfim, um espaço para  
apresentar o conteúdo do texto Racial Democracy, posteriormente publicado com o título O Genocídio do  
Negro Brasileiro (1978).  
Sem dúvida, esse episódio representou uma vitória simbólica para Abdias Nascimento. Denúncias  
relacionadas à repressão, à censura e à questão racial eram fortemente indesejadas pelo regime militar  
e acompanhadas de perto pelo corpo diplomático, como se observa na correspondência oficial da época.  
No entanto, à medida que as declarações de Nascimento ganhavam projeção internacional, a imagem do  
Brasil como “democracia racial” se fragilizava. Conforme relata Custódio (2012), com o enfraquecimento da  
repressão, o país vivia o início do processo de abertura política, o que impediu que o ativista sofresse novas  
perseguições ou represálias. Esse contexto contribuiu para consolidar a imagem de Abdias como uma das  
principais lideranças do protesto negro em escala internacional.  
Logo após o FESTAC 77, o ativista recebeu um convite do escritor e antropólogo colombiano Manuel Zapata  
Olivella para participar do 1º Congresso de Cultura Negra das Américas, realizado em Cali, na Colômbia,  
em agosto de 1977. Nesse evento, Abdias apresentou um estudo que denunciava a política externa brasileira  
diante do processo de descolonização dos territórios africanos então sob domínio português — hoje,  
Moçambique, Angola e Guiné-Bissau.  
Notextointitulado Etniaafro-brasileiraePolíticaInternacional, Nascimentoafirmaquehaviamovimentações  
para a formação de uma aliança entre África do Sul, Brasil e Argentina, denominada Tratado do Atlântico Sul,  
cujo objetivo seria utilizar os portos de Angola e Moçambique para a defesa das rotas marítimas do petróleo:  
“o objetivo básico na projetada Aliança ou Tratado seria integrar a África do Sul ao perímetro de defesa  
ocidental, e os aliados locais, neste caso, seriam o Brasil, a Argentina e o Chile” (Nascimento, 1980, p. 202). A  
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denúncia apresentada por Nascimento foi acolhida pelo Congresso, que emitiu uma declaração dirigida aos  
países envolvidos, à OEA, à OUA e às Nações Unidas, repudiando qualquer tipo de aliança que colaborasse  
com os regimes racistas da África Austral.  
3
CONCLUSÃO  
Abdias Nascimento deixou um legado importante, fortalecendo o ativismo negro na América Latina, nos  
Estados Unidos e na África e contribuindo significativamente para a luta mundial contra o racismo. Neste  
artigo, foi possível acompanhar a versatilidade de Nascimento dentro dos movimentos negros, perpassando  
da sua arte afrocentrada até seu nacionalismo negro. Após todas essas experiências e trocas, Nascimento  
retorna ao Brasil em 1979, propondo um modelo de pan-africanismo centrado nas experiências quilombolas.  
Caracterizado como ruptura afrocêntrica, o Quilombismo é proposto como uma possibilidade político-social  
de combate ao racismo e de elaboração de uma sociedade inspirada na experiência histórica dos quilombos  
brasileiros e nas culturas de matriz africana. A elaboração desse conceito reflete a interlocução que  
Nascimento estabelece entre sua produção teórica e artística, seu trânsito pelo mundo negro internacional e  
as experiências e construções teóricas adquiridas no Brasil com o Teatro Experimental do Negro.  
Por meio desta pesquisa, conseguimos captar a síntese que o autor realiza das diversas influências e fontes  
contidas em sua trajetória: a valorização da história e da cultura negra aprendida no Teatro Experimental do  
Negro e pela Negritude; a perspectiva afrocêntrica da ciência, inspirada em Cheikh Anta Diop (1974); e o anti-  
imperialismo dos pan-africanistas. Dessa forma, podemos concluir que Nascimento utilizou seu autoexílio  
como instrumento de luta e resistência frente às violências do Estado brasileiro, somando-se aos movimentos  
da diáspora e retornando ainda mais combativo ao publicar O Quilombismo: Documentos de uma Militância  
Pan-Africanista (1980) e ao assumir cargos políticos como deputado federal (1983) e senador (1997), nos  
quais representou os interesses da população negra frente à estrutura racista da política brasileira.  
Neste campo, é importante ressaltar o papel transformador que a atuação parlamentar de Nascimento  
teve em um dos momentos históricos do Brasil: o período de redemocratização política. Em seus discursos  
e projetos de lei, o autor buscava citar as reivindicações e ações desenvolvidas por organizações negras,  
antigas e contemporâneas a ele, tornando-se um divulgador e defensor desses movimentos em uma casa  
legislativa nitidamente branca, tanto em termos numéricos quanto ideológicos (Nascimento, E., 2021).  
Dentre esses projetos, destaca-se o PL 1.332/1983, apresentado pelo ativista em seu primeiro ano de mandato,  
que versava sobre a adoção de políticas de ação compensatória no Brasil — princípio do que conhecemos  
hoje como política de ações afirmativas, sancionada no país em 2012. O projeto de lei de Abdias Nascimento  
foi inovador não apenas por exigir reserva de vagas para pessoas negras em instituições públicas e privadas,  
mas também por abordar a inclusão de conteúdos sobre a história do negro no Brasil nos currículos escolares  
e por indicar a necessidade de formação antirracista para agentes policiais (Nunes, 2022).  
Infelizmente, o PL 1.332/83 teve tramitação semelhante aos demais projetos apresentados por Abdias  
Nascimento. Após sua apresentação no plenário, foi encaminhado e obteve aprovação de três comissões  
diferentes: Constituição e Justiça, Finanças e Trabalho e Legislação Social. Retornou ao plenário em 20 de  
março de 1986, registrado como “Pronto para a ordem do dia”, ou seja, pronto para votação. Entretanto,  
a votação foi adiada diversas vezes por falta de quórum, e o projeto nunca foi apreciado pela Câmara dos  
Deputados, sendo arquivado em 5 de abril de 1989. Embora não tenha sido concretizada naquele período, a  
iniciativa de Nascimento abriu caminhos para a discussão e implementação das ações afirmativas no Brasil  
(Nunes, 2022).  
Ao explorar a tramitação dos PLs de Abdias, constata-se o caráter conservador e elitista dos espaços de poder  
político no Brasil. Recentemente, assistimos ao retrocesso promovido pelo governo Bolsonaro (2018–2022)  
no que tange ao descrédito das desigualdades raciais do país e ao ataque às conquistas civis já estabelecidas  
pelo movimento negro, como a política de cotas e as ações afirmativas nas universidades públicas, que  
transformaram a vida de milhões de afro-brasileiros. Portanto, a atuação de Abdias Nascimento revela-  
se representativa tanto para a comunidade negra daquele período histórico quanto para os dias atuais. É  
imprescindível reconhecer a determinação e a resiliência de Abdias Nascimento em sua missão no Congresso  
Nacional, que, mesmo enfrentando resistência de seus colegas, permaneceu firme na defesa dos direitos da  
população afro-brasileira, inspirando as gerações futuras.  
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Data de publicação: 15/12/2025