AS FLORES DO JARDIM DE ALICE WALKER:  
OS DIÁLOGOS ENTRE GÊNERO, VIOLÊNCIA E  
PERTENCIMENTO EM SUA PRODUÇÃO LITERÁRIA  
The Flowers in Alice Walker’s Garden:  
Dialogues on Gender,Violence, and Belonging in Her Literary Work  
Las Flores del Jardín de Alice Walker:  
Diálogos sobre Género,Violencia y Pertenencia en su Producción Literaria  
1
GABRIELA DA COSTA SILVA  
ORCID: 0000-0002-8563-2175  
RESUMO  
O presente trabalho visa dialogar sobre a trajetória de vida de Alice Walker, a partir do seu livro ensaístico “Em  
busca dos jardins de nossas mães”, e explorar sua produção literária por meio das obras “A cor púrpura” e “A  
terceira vida de Grange Copeland”. Com o intuito de apresentar um panorama sobre as aproximações entre  
seus livros e a história social dos Estados Unidos, este artigo foca seu debate em três grandes eixos temáticos:  
i) questões de gênero — retratadas por meio de suas personagens femininas; ii) a violência racial durante o  
período segregacionista; e, por fim, iii) o pertencimento à terra e o senso de comunidade construído pela  
experiência negra sulista. A partir de uma perspectiva sociológica, adoto a análise de trajetória e a análise de  
conteúdo para explorar os elementos literários e sociais que podem contribuir com o campo da sociologia  
das relações raciais e da cultura. Por fim, destaco ainda o papel que as trajetórias de mulheres negras ao seu  
redor tiveram em sua formação profissional, política e em seu fazer literário.  
Palavras-chave: Literatura feminina negra; Relações raciais; Sociologia da cultura; Violência.  
ABSTRACT  
The present work aims to discuss the life trajectory of Alice Walker, based on her essay collection In Search  
of Our Mothers’ Gardens: womanist prose, and to explore her literary production through the works The Color  
Purple and The Third Life of Grange Copeland. With the intention of presenting an overview of the connections  
between her books and the social history of the United States, this article centers its discussion on three  
major thematic axes: (i) gender issues — portrayed through her female characters; (ii) racial violence during  
the segregationist period; and finally, (iii) the sense of belonging to the land and the community built through  
the Black Southern experience. From a sociological perspective, I adopt trajectory analysis and content  
analysis to explore the literary and social elements that may contribute to the field of the sociology of race  
relations and culture. Finally, I also highlight the role that the life trajectories of the Black women around her  
played in her professional and political development and in her literary practice.  
Keywords: Black women’s literature; Race relations; Sociology of culture; Violence.  
RESUMEN  
El presente trabajo tiene como objetivo dialogar sobre la trayectoria de vida de Alice Walker, a partir de su  
1 Doutoranda em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP.  
E-mail: gabriela-costasilva19@gmail.com  
REVISTA PÓS - V. 20, N. 2 (2025)  
AS FLORES DO JARDIM DE ALICE WALKER: OS DIÁLOGOS ENTRE GÊNERO,  
VIOLÊNCIA E PERTENCIMENTO EM SUA PRODUÇÃO LITERÁRIA  
Gabriela da Costa Silva  
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libro ensayístico En busca de los jardines de nuestras madres, y explorar su producción literaria a través de  
las obras El color púrpura y La tercera vida de Grange Copeland. Con el fin de presentar un panorama sobre  
las aproximaciones entre sus libros y la historia social de los Estados Unidos, este artículo centra su debate  
en tres grandes ejes temáticos: i) cuestiones de género — retratadas a través de sus personajes femeninos; ii)  
la violencia racial durante el período segregacionista; y, por último, iii) la pertenencia a la tierra y el sentido  
de comunidad construidos por la experiencia negra del sur. Desde una perspectiva sociológica, adopto el  
análisis de trayectoria y el análisis de contenido para explorar los elementos literarios y sociales que pueden  
contribuir al campo de la sociología de las relaciones raciales y de la cultura. Por último, destaco también el  
papel que las trayectorias de las mujeres negras a su alrededor tuvieron en su formación profesional, política  
y en su quehacer literario.  
Palabras clave: Literatura femenina negra; Relaciones raciales; Sociología de la cultura; Violencia.  
INTRODUÇÃO  
[...] e no constante fazer  
de mim mesma  
nenhuma ideia de Tempo  
há de forçar, entulhar  
o espaço  
onde cresço.  
Poesia Consolo, de Alice Walker (1972)  
O ano era 2016 quando, em uma busca pessoal, encontrei o livro “A cor púrpura”, de Alice Walker, por um  
preço irrisório em um sebo da Estante Virtual. Na época a única edição disponível havia sido publicada pela  
editora Marco Zero, em 1982. Com as páginas amareladas e uma tradução muito questionada na atualidade,  
pude, pela primeira vez, ler Alice Walker. A escritora, que tinha sua carreira consolidada nos Estados Unidos,  
surgia para mim como uma nova porta de entrada para a leitura de autoras negras. Enquanto lia “A cor  
púrpura”, compreendi que Alice Walker tinha uma escrita singular, uma voz potente e uma narrativa literária  
que me conectou com as gerações de mulheres da minha família.  
Alice Malsenior Tallulah-Kate Walker, mais conhecida como Alice Walker, é uma das expoentes da literatura  
de autoria negra nos Estados Unidos. Escritora, ativista e intelectual, possui uma vasta produção literária que  
se debruça sobre as discussões de gênero, os conflitos raciais nos Estados Unidos, a vida em comunidade,  
religião, relações afetivas entre pessoas negras, entre outros temas variados. Autora de diferentes romances,  
textos críticos de não-ficção, literatura infantil e poesia, Walker teve nos romances seus maiores sucessos.  
Sua maior obra é justamente “A cor púrpura”, romance que narra a história das duas irmãs, Celie e Nettie,  
no sul dos Estados Unidos. O livro venceu o Prêmio Pulitzer de Melhor Ficção, em 1983, além de ganhar uma  
adaptação nos cinemas dirigida por Steven Spielberg, em 1985, que se tornou um sucesso mundial.  
Nos últimos anos, Walker teve boa parte de seus romances traduzidos para o português, como “A terceira vida  
de Grange Copeland” (2020), “Meridian” (2022), “O segredo da alegria” (2023) e o “Templo dos meus familiares”  
(2024), todos lançados pela Editora Record; enquanto a editora Bazar do Tempo foi responsável por publicar o  
livro que inspira essa pesquisa, a edição dos ensaios de “Em busca dos jardins de nossas mães: prosa mulherista”  
(2021). Essas traduções se inserem na dinâmica de maior publicação de autoras negras no país, tendo o inglês  
como língua central, assumindo então um lugar político, social e econômico na circulação literária brasileira  
(Carrascosa, 2016; Sapiro&Heibron, 2009; Sapiro, 2016). Além de suas obras, a autora circulou pelo país em  
eventos acadêmicos e literários, como a Feira Literária de Paraty (FLIP), de 2021, e se tornou uma das grandes  
autoras afro-americanas lidas pelos leitores brasileiros, ao lado de Toni Morrison, bell hooks e Maya Angelou.  
As histórias escritas por Walker ganharam espaço e atenção, dada sua sensibilidade ao retratar protagonistas  
negras e a realidade racial do sul dos Estados Unidos durante o século XX. Com a ampliação das traduções,  
encontramos um público leitor cada vez mais interessado em se aprofundar e desvendar as camadas por  
trás de sua produção. Diante do contato com seus escritos2 e do interesse por suas motivações literárias  
2 Este texto nasce da leitura das obras traduzidas de Alice Walker, do desenvolvimento de um workshop sobre a autora e sua produção literária, re-  
alizado em 2021, de uma leitura coletiva promovida em parceria com a editora Bazar do Tempo em 2022 e, por fim, de uma conferência em que pude  
apresentar reflexões sobre “Em busca dos jardins de nossas mães” na Universidade de Brasília, também em 2022. Esse conjunto de atividades me  
impeliu a iniciar uma conversa sobre a sensibilidade literária de Walker e sobre sua trajetória singular com quem possa se interessar por esses temas.  
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e sociais, essa pesquisa se dedica a apresentar a trajetória de vida da autora em diálogo com seu livro  
ensaístico “Em busca dos jardins de nossas mães” (2021), bem como refletir atentamente sobre dois  
romances contemporâneos da autora, o seu maior sucesso “A cor púrpura”3 (2009) e “A terceira vida de  
Grange Copeland”4 (2020), seu primeiro romance publicado.  
Para isso, este trabalho tem como principais referências as pesquisas de Fernanda Miranda (2019), de Mirian  
Santos (2018) e de Fernanda Sousa (2023), investigações que constroem pontes entre a trajetória de vida dos  
autores negros e o contexto histórico-social de suas obras. Dessa forma, utilizo a análise de trajetória para  
compreender as relações entre a vida e a obra de Alice Walker, assim como trazer à tona suas referências  
literárias e ativistas, dando destaque ao importante papel que as mulheres da sua vida tiveram em seu fazer  
literário.  
Por meio da análise de conteúdo, abordo três grandes temas em suas obras: a representação feminina negra,  
o racismo vivido pela intrínseca violência racial no país e o vínculo com a terra a partir da experiência da  
negritude no sul dos Estados Unidos. A escolha desses dois livros se dá a partir do interesse pela produção  
dos romances da autora e pelas principais temáticas discutidas em suas narrativas literárias. Dentre os  
diferentes gêneros literários escritos por Walker, este artigo se dedica ao gênero romance. Em diálogo com  
Fernanda Miranda (2019), compreendo que o gênero permite que a autora explore com mais profundidade  
e complexidade as personagens, o enredo, as dimensões sociais e psicológicas estabelecidas no livro,  
apresentando também inovações em sua forma e dimensão estética.  
Ao olhar para o conteúdo das narrativas produzidas por Walker, o artigo se atém centralmente à discussão  
das relações de gênero e ao cotidiano da vida no campo. A partir das pesquisas de Zenon Henrique Moreira e  
Islara Mendes (2024) e Maria Clara Menezes (2019), é possível reconhecer o papel que a questão de gênero  
tem em seus livros, explorando a representação feminina, as relações afetivas entre mulheres e a violência  
de gênero, seja ela física ou psicológica. Enquanto isso, o interesse por explorar especificamente a vivência  
negra nos campos do sul dos Estados Unidos vem das entrevistas, reflexões públicas e da própria agenda  
levantada pela autora em suas obras ensaísticas e biográficas, de modo que a identidade sulista negra é um  
marcador central para a forma como Walker se vê no mundo e enxerga sua própria produção literária.  
Por fim, espero apresentar as conexões e relações entre os contextos da luta racial nos Estados Unidos com  
as temáticas retratadas em suas obras. Destaco, desde a escolha pelas protagonistas negras, sua estética  
literária marcada pelo sotaque sulista negro e seu olhar crítico sobre as camadas de violência que atravessam  
a vida de suas personagens. Dessa forma, busco evidenciar elementos e perspectivas que contribuam para as  
discussões das sociologias das relações raciais, do pensamento social e da cultura.  
AS FLORES DO JARDIM DE ALICE WALKER  
Alice Walker nasceu em Eatonton, na Geórgia, em 1944. Filha dos agricultores Lee Walker e Minnie Tallulah  
Grant, é a irmã mais nova de oito filhos e cresceu em meio à segregação racial no sul dos Estados Unidos,  
contexto que influenciou diretamente sua vida. O conjunto de Leis Jim Crow, estabelecido oficialmente no  
sul do país entre 1876 e 1965, determinava a separação geográfica, política, educacional e social entre negros  
e brancos nos Estados Unidos. O regime foi responsável por construir espaços segregados entre os grupos  
raciais, limitando o acesso da população negra aos serviços governamentais e privados e criando diferentes  
barreiras na busca por oportunidades iguais após o período escravista no país (Du Bois, 2023; Husein, 2022;  
Tischauser, 2012).  
Apesar de não possuir embasamento legal no norte do país, o sistema foi amplamente adotado e imposto  
ilegalmente aos negros da região. O regime ganhou o lema “separados porém iguais” e ficou historicamente  
marcado pelas violências impostas à população negra e pela restrição dos direitos que deveriam ser  
garantidos pela Constituição americana. Entre as principais práticas de violência empregadas no período  
estavam o sucateamento dos serviços oferecidos exclusivamente a mulheres e homens negros, além de  
linchamentos e perseguições coordenados e executados por brancos vinculados à Ku Klux Klan5. Este último,  
majoritariamente destinado a homens negros diante de falsas acusações e/ou acusações não investigadas  
(Husein, 2022; Tischauser, 2012).  
3 Traduzido por Betúlia Machado, Maria José Silveira e Peg Bodelson  
4 Traduzido por Carolina Simmer e Marina Vargas.  
5 Organização supremacista branca construída para impedir avanços de direitos e igualdade para a população negra, historicamente conhecida pelos  
linchamentos em praça pública, perseguições e demais tipos de violência direta (seja com armas de fogo ou física) contra a população negra. O grupo  
atuava com vestimentas brancas características e chapéus pontudos que cobriam todo o rosto (Hussein, 2022; Tischauser, 2012).  
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A ausência do direito ao voto era uma das restrições mais polêmicas e foi a principal agenda levantada pelo  
movimento dos direitos civis no país, tornando-se o gancho fundamental para a derrubada do regime na  
segunda metade do século XX. Foi somente com a luta pelos Direitos Civis, liderada por figuras como Martin  
Luther King, Coretta King, Malcolm X, entre tantos outros nomes, que as leis foram derrubadas (Alexander,  
2018; Chappel, 2008). É diante deste marcante cenário que Alice Walker cresce e se torna escritora.  
Durante a infância, ela viveu em uma casa simples, cercada de mulheres, por um forte senso de comunidade  
e por uma educação religiosa, comum às famílias negras no sul dos Estados Unidos. Formou-se em história  
pela Universidade Sarah Lawrence, em 1965, e se dedicou ativamente à luta pelos direitos civis e à escrita.  
Assim como ocorreu com uma geração de escritores negros estadunidenses, a trajetória pessoal e política de  
Alice Walker caminhou diretamente entrelaçada à sua carreira literária (Bastos, 2017).  
Em seu livro “Em busca dos jardins de nossas mães” (2021), a autora traça um paralelo entre sua vida e  
os eventos políticos ocorridos no país, entrelaçando suas memórias de infância com sua percepção sobre  
temas como cultura, política, literatura e arte. Suas memórias apontam para a relação íntima entre a luta  
dos movimentos negros estadunidenses e a crescente cena cultural negra — movimento que também pode  
ser percebido na história brasileira. Além disso, ela revela sua percepção crítica acerca das condições de  
opressão vividas pelos negros, em especial pelas mulheres negras.  
O pontapé inicial da obra está na discussão sobre o conceito de mulherismo, criado pela autora por volta  
dos anos 1980. Em sua concepção, o mulherismo tem sido relativamente pouco conhecido em comparação  
à luta feminista — espaço no qual muitas mulheres negras não se reconheceram na história dos Estados  
Unidos. A partir da expressão “mulherio”, comumente utilizada para se referir a mulheres audaciosas ou  
crianças que desejam agir como adultas, Walker constrói a ideia de mulherismo. Na percepção mulherista, as  
mulheres negras estão no centro: seus saberes, heranças e vivências. Esse sentido torna-se parte crucial para  
a compreensão da representação feminina em suas obras, para suas escolhas narrativas e para a estética de  
seus romances (Walker, 2021; Bastos, 2017).  
Em oposição ao movimento feminista branco das décadas de 1970 e 1980, ela racializa o debate e propõe uma  
dimensão coletiva para o enfrentamento ao patriarcado. Para além da herança linguística do termo, Walker  
elenca outros aspectos vinculados à noção de mulherismo. O primeiro deles diz respeito às mulheres que  
amam sexualmente — ou não — outras mulheres, abrindo o debate sobre relações afetivas entre mulheres  
negras em um contexto de forte tabu e repressão. Ela destaca o comprometimento com a integridade e a  
justiça para homens e mulheres, aproximando os homens negros do debate sobre a opressão de gênero e  
construindo um senso de coletividade para esse fim. Por fim, ressalta o amor pela cultura, pela luta e por seu  
povo como características complementares (Walker, 2021).  
Em seu artigo “O que é um nome? Mulherismo, Feminismo Negro e além disso” (2017), Patricia Hill Collins  
ressalta o ideal humanizador e democrático presente no conceito: “o mulherismo fornece uma visão em  
que as mulheres e os homens de diferentes cores coexistem como flores em um jardim e ainda mantêm a  
distinção e a integridade cultural” (Collins, 2017, p. 8). Nessa passagem, Collins enfatiza o potencial ético de  
um mulherismo vinculado à prática cotidiana de mulheres negras, mas voltado à superação de opressões  
coletivas. Um projeto que, a princípio, desejava tensionar o feminismo branco do período, mas que se coloca  
como proposição na agenda de luta das mulheres em diferentes frentes.  
Há ainda nessa percepção um vínculo com a liberdade e até mesmo uma postura afastada da subjugação e das  
ideias de subserviência feminina. Entendo que essa proposição constitui uma construção narrativa e social  
marcante em seus romances, apresentada como um convite à prática real de vínculo, luta e solidariedade  
entre mulheres que, ao final, cruza uma linha tênue com o feminismo negro, por exemplo. Sobre essa relação,  
ela afirma: “a mulherista está para a feminista assim como o roxo está para a lavanda” (Walker, 2021, p. 9).  
Além da construção teórica mulherista, Walker traz para seus livros outra influência fundamental sobre a  
vida das mulheres negras: sua mãe. Ao refletir sobre os desafios de permanecer, criar uma família e existir  
enquanto mulher negra no sul dos Estados Unidos, a autora resgata as diferentes estratégias de resistência  
mobilizadas pelas mulheres de sua família e pela comunidade em que vivia. Em especial, destaca a profunda  
espiritualidade e o senso de criatividade cultivado em meio à dor e à pobreza. Sobre isso, afirma: “essas  
mulheres tinham sonhos que ninguém apreendia — nem elas mesmas, de nenhuma forma coerente — e viam  
coisas que ninguém entendia” (Walker, 2021, p. 210).  
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Para a autora, a paciência e a espiritualidade não as tornavam santas, mas sim artistas. Ela se questiona:  
“o que significava para uma mulher negra ser uma artista no tempo de nossas avós? Na época de nossas  
bisavós? É uma pergunta cuja resposta é cruel o bastante para nos gelar o sangue” (Walker, 2021, p. 211). Sua  
inquietação está ligada à permanência dessa criatividade em meio às mazelas da escravidão, da segregação  
racial e dos impedimentos que dificultavam às mulheres negras aprender a ler e escrever. Para ela, o  
exemplo mais claro de artista que cria em meio a esse cenário era sua própria mãe. A centelha criativa que  
sua mãe alimentava esteve sempre diante de seus olhos, expressa pelas flores e pelo enorme jardim que ela  
cultivou em meio à pobreza. Foram girassóis, petúnias, rosas, dálias, sinos dourados e tantas outras flores  
que marcaram a infância de Walker.  
Ela observa que sua mãe dedicava-se ao jardim, o espaço em que dava vida às coisas. Dividia seu tempo entre  
os afazeres da casa, o trabalho no campo e o cuidado com os filhos, mas, como Walker evidencia, era em seu  
jardim que ela se mostrava mais sorridente e feliz. É nesse equilíbrio entre vida e dor que sua mãe se tornou  
uma artista aos seus olhos. Ela diz: “[...] minha mãe enfeitava com flores qualquer casa miserável em que  
fôssemos obrigados a morar. Por causa de sua criatividade com as flores, até minhas memórias da pobreza  
são vistas através de uma tela florida.” (Walker, 2021, p. 217-218).  
Assim como tantas outras mulheres negras, ela expressava a complexidade de quem construía alternativas  
e estratégias para driblar o racismo cotidianamente, enquanto oferecia aos filhos um mundo melhor. A  
concepção de arte e criatividade trabalhada ao longo do ensaio se desloca do ideal academicista branco  
e eurocêntrico, para centrar-se nas experiências diaspóricas e femininas (Moreira & Mendes, 2024).  
Compreende, portanto, como mulheres negras anônimas têm transformado a vida de suas famílias e  
colocado sua essência no mundo de inúmeras formas: pela poesia, pelo bordado, pela contação de histórias e  
pelo ato de plantar flores. Assim, ao refletir criticamente sobre seu próprio processo de escrita, Alice Walker  
parece se reconhecer nesse mesmo contexto. Sobre isso, comenta: “guiada por minha herança de amor pela  
beleza e de respeito pela força — em busca do jardim de minha mãe, encontrei o meu” (Walker, 2021, p. 219).  
A discussão da beleza como gesto ou método aparece também nos recentes trabalhos de Christina Sharpe.  
Em seu livro “Notas ordinárias”, ela compartilha uma experiência semelhante à de Alice Walker com a  
presença de flores e arranjos em uma casa simples. Das memórias do cuidado de sua mãe, Sharpe reconhece  
o potencial organizador e metodológico que a manutenção da beleza — nos ambientes internos ou na  
aparência física — tem para a comunidade negra na ruptura de violências e estigmas vinculados à pobreza  
(Sharpe, 2024). Sua discussão remete a Alice Walker justamente por reforçar o cuidado e os pequenos  
gestos que orientavam essa busca pelo belo, pois o belo representaria conforto, segurança e, sobretudo,  
novas possibilidades de futuro. Por fim, Sharpe compartilha,  
a beleza é um método: ler no peitoril da janela  
botar a política pra correr  
uma lista em um pedaço de papel esquecido num livro  
o arranjo dos alfinetes no tecido  
a capacidade de fazer lenha com o jornal  
Essa atenção à estética Negra me formou: me moveu do peitoril da janela para o mundo.  
(Sharpe, 2024, p. 126-127)  
Essas estratégias são recorrentemente adotadas por mulheres negras e se solidificam através das gerações,  
construindo um importante arcabouço de rupturas possíveis com o racismo, seja no âmbito mais subjetivo,  
seja no âmbito material da existência negra. Essa perspectiva se alinha às reivindicações por humanidade,  
por cidadania e por novas condições de vida para as mulheres negras e suas famílias. Diante deste contexto,  
Walker reconhece, nas mulheres negras comuns, o caráter artístico e criativo, de modo que essas estratégias  
e tantas outras expressões sutis de resiliência são uma garantia da vida digna. Para aqueles que enquadram a  
história das mulheres em uma grande caixa, ela narra, através de sua mãe, um olhar complexo e coletivo no  
qual as mulheres negras imprimiram suas origens no mundo. Ela segue  
E assim, nossas mães e avós, quase sempre de forma anônima, têm transmitido à centelha criativa, a semente da flor que elas  
mesmas nunca tiveram esperança de ver: ou uma carta lacrada que elas não conseguiram ler muito bem. (Walker, 2021, p. 217)  
Logo, são essas mulheres, com suas vivências e marcas plurais, agentes de mudança social. Muitas vezes  
esquecidas pelas páginas da história, são as responsáveis pela sobrevivência de suas comunidades. Para elas,  
a arte, a criação e a beleza estão ligadas ao gesto sutil de ressignificar sua própria realidade. Essa discussão  
nos permite refletir sobre a estreita relação entre a obra de Walker, sua trajetória pessoal e os aspectos  
culturais que atravessam a realidade da comunidade negra nos Estados Unidos, de modo que não podem  
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ser dissociadas. A respeito disso, Antonio Candido destaca: “percebe-se o movimento dialético que engloba a  
arte e a sociedade num vasto sistema solidário de influências recíprocas” (Candido, 2006, p. 34). Reconhecer  
este aspecto é, portanto, fundamental para compreender as obras de autores na contemporaneidade e o  
impacto que elas podem produzir para os leitores, pesquisadores e o próprio mercado literário.  
GÊNERO E A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA VIOLÊNCIA EM ALICE WALKER  
É diante dessas influências que Alice Walker cria personagens negras complexas em suas obras literárias,  
como é o caso de Celie e Nettie, em “A cor púrpura”, ou Mem e Ruth, em “A terceira vida de Grange Copeland”.  
Em diálogo com Zenon Henrique Moreira e Islara Floriana (2024), observo que a discussão de gênero  
traçada em seus trabalhos visa explorar a dor coletiva vivida pelas mulheres negras e também as estratégias  
de sobrevivência frente ao projeto de nação construído sobre seus corpos. Em suas características próprias,  
Walker apresenta personagens que travam batalhas no âmbito privado — sejam com filhos e maridos — e  
também no âmbito público, nas casas de outras famílias, no trabalho, nas ruas.  
Há, em sua percepção de gênero, uma complexa relação entre essa experiência feminina negra que se dá  
através da exploração do trabalho, da violência de gênero e da construção coletiva de liberdade (Moreira &  
Mendes, 2024; Rocha, 2019). Logo, de alguma forma, suas protagonistas são inseridas em contextos sociais  
diretamente relacionados à realidade do país, um compromisso político da autora ao escolher retratar  
protagonistas complexas, com diferentes camadas, ainda que uma narrativa histórica racista se imponha  
socialmente às mulheres negras nos Estados Unidos.  
Suasprotagonistasseassemelhamàsmulheresanônimasquenãosabiamler,quesãoreligiosas,trabalhadoras  
domésticas, do campo e que sonham em romper ciclos geracionais de violência, seja através de si mesmas  
ou de seus filhos. Essa dualidade entre público e privado, vivida pelas protagonistas, amplia o olhar sobre a  
representação feminina negra em suas histórias e coloca em questão dilemas internos da comunidade negra,  
como o machismo e a violência (Bastos, 2017). Com o intuito de não cair em esquemas e homogeneizar suas  
personagens, chamo atenção para alguns dos casos em que a autora trabalha essa questão.  
Em “A cor púrpura”, um romance epistolar, acompanhamos o vínculo entre duas irmãs, Celie e Nettie. Por meio  
das cartas que Celie escreve para Deus, somos apresentados ao contexto do sul dos Estados Unidos durante a  
segregação racial. Ao manter essa estrutura, o livro é narrado em primeira pessoa, em uma linguagem popular,  
com expressões de um inglês marcado pelo sotaque negro e sulista. Esse tom é pessoal, singelo, revela certa  
ingenuidade da narradora, sua simplicidade e a forma mais subjetiva com que vê o mundo.  
Celie é uma jovem sensível, religiosa e sem escolaridade. Sua vida muda de forma brusca após ser abusada  
sexualmente por seu pai e perder a mãe. Ela é forçada a se casar com um homem mais velho e é submetida a  
um casamento violento física e psicologicamente, sendo subjugada e exposta a diferentes assédios. Em meio  
a vários acontecimentos, as irmãs são separadas e passam toda a história tentando se reencontrar. A dor e a  
busca incessante por Nettie modificam até mesmo o destinatário de suas cartas: em determinado momento,  
Celie passa a escrever para a irmã, e não mais para Deus.  
Elas se apresentam como sutis opostos. Nettie é uma jovem destemida, deseja estudar e ter uma vida melhor,  
encontra na fé seu próprio caminho. Tem na figura de Celie proteção e amparo. A relação de afeto e parceria  
entre ambas solidifica a compreensão do apoio entre mulheres. A religião leva Nettie ao continente africano,  
colocando-a em contato com sua herança africana e apresentando-lhe um novo mundo. Os desafios  
enfrentados pelas irmãs são marcados pela violência racial e de gênero, por um pai e/ou marido abusivo.  
A história apresenta muitas camadas; aqui, gostaria de focar em duas perspectivas sobre a representação  
feminina: a relação afetivo-sexual entre mulheres e a violência de gênero. Sobre o primeiro ponto, exploro  
a relação amorosa construída entre Celie e Shug Avery. O par romântico de Celie é uma cantora negra,  
bissexual, que, na verdade, é amante de seu marido e frequenta sua casa ocasionalmente após shows. A  
relação das duas cresce de uma admiração pela sofisticação, coragem e franqueza que Shug possui para um  
vínculo emocional marcado pelo cuidado e pela curiosidade que ambas despertam uma na outra.  
Ela falou, eu gosto de você, dona Celie.  
E aí ela virou e me beijou na boca. Uhm, ela falou, como se tivesse ficado surpresa.  
Eu beijei ela de volta, falei, uhm, também. A gente beijou e beijou até que a gente já num conseguia beijar mais. Aí a gente tocou  
uma na outra. Eu num sei nada sobre isso, eu falei pra Shug.  
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Eu também num sei muita coisa, ela falou. (Walker, 2021, p. 110-111)  
Celie conhece, através de Shug, o amor que não é conduzido como justificativa para a violência, o abuso e  
todo tipo de exploração. Apesar de a relação delas ser atravessada pelas figuras masculinas — com quem  
são casadas ou amantes, no caso de Shug —, a aproximação entre elas vem primeiro de um lugar da amizade  
e depois se desenrola para o nível romântico. Celie reconhece em Shug um lugar seguro e, por meio da  
relação das duas, pode crescer, sonhar e tomar consciência de sua própria voz. Com Shug, descobre o prazer  
sexual, o ciúme, o carinho, a saudade. Mas também constrói um novo olhar para si mesma, para sua carreira  
profissional e para seu passado.  
Alice Walker retrata o amor entre mulheres entre os anos 1900 e 1940, trazendo o debate para um contexto  
de grande tabu e preconceito sobre as relações homoafetivas entre mulheres negras. Retratar essa realidade  
remete à sua compreensão da ideia de womanism e do amor entre mulheres como uma agenda central de  
uma mulherista. Esse passo marca também um compromisso político dos anos 1970 e 1980 em tratar da  
diversidade na luta das mulheres negras, um processo árduo que também expôs dilemas internos da própria  
comunidade negra (Collins, 2017).  
Para além disso, a escolha por dar destaque a essa agenda em seu romance remonta ao debate feito por  
Audre Lorde (2019) sobre o uso da linguagem e a urgência em utilizá-la para contar outras verdades ainda  
não ditas.  
[...] compartilhamos um compromisso com a linguagem, com o poder da linguagem e com o ato de ressignificar essa linguagem  
que foi criada para operar contra nós. Na transformação do silêncio em linguagem e em ação, é essencial que cada uma de nós  
estabeleça ou analise seu papel nessa transformação e reconheça que seu papel é vital nesse processo. (Lorde, 2019, p. 53)  
Sua reivindicação pela fala e pela escrita atravessou sua trajetória enquanto poeta e também como ativista  
lésbica. A possibilidade de narrar, falar, denunciar e apresentar outras perspectivas sobre diferentes histórias  
marca suas reflexões. Lorde compreendia que ensinar pela fala, escrever e dar sentido às verdades vividas  
fazia parte de um processo de crescimento e liberdade (Lorde, 2019). Enxergo que Alice Walker percorre um  
caminho semelhante: ao retratar o amor entre Celie e Shug, rompe estereótipos e revela as diversas camadas  
do amor entre mulheres, mesmo nos contextos mais adversos possível.  
Ao tratar do afeto, Walker não deixa de explorar a violência de gênero em suas diferentes nuances. Seu  
trabalho funciona como denúncia clara da violência presente nas comunidades negras no período; por meio  
de uma narrativa poética, expõe comportamentos abusivos de homens negros em relação a mulheres negras  
(Rocha, 2019; Sedrins et al., 2005). Ao narrar, em várias passagens, violências físicas, sexuais, psicológicas  
e morais vividas por mulheres negras, observo que o ponto condutor e argumento central de Walker é: a  
violência produz mais violência, ainda que isso jamais a torne justificável.  
Apesar das frequentes críticas sobre a forma como retratou homens negros, Walker demonstra aos leitores  
como as violências às quais esses homens eram submetidos — linchamentos, exploração do trabalho,  
segregação racial — moldaram uma sociedade baseada na violência racial. Essa estrutura também sustentou  
a violência de gênero entre homens negros e mulheres negras. Assim, homens negros violentados continuam  
a reproduzir violência dentro da própria comunidade.  
Diante dessa perspectiva, Walker apresenta duas personagens que lidam com a questão sob óticas diferentes  
em “A cor púrpura”. Celie é abusada e violentada pelo pai e pelo marido ao longo da história; ainda assim, não  
é retratada como uma personagem submissa que acredita merecer a violência. Pelo contrário, compreende  
as dificuldades de sua realidade e escreve para Deus com clareza de que a violência não deveria ocorrer,  
embora não consiga reagir. Celie é uma mulher sobrecarregada pela violência, sem rede de apoio e totalmente  
presa à própria realidade. Ela deseja uma saída, mas não consegue encontrá-la.  
Já Sofia se apresenta como contraponto. É uma jovem negra, direta e firme. Apaixona-se e se casa com Harpo,  
enteado de Celie, um jovem aparentemente bom. No entanto, durante o casamento ele deseja controlá-la e  
dominá-la, apesar de Sofia ser tão livre quanto podia ser. Em busca de conselhos, Harpo recebe do pai a  
orientação de agredi-la para torná-la obediente.  
Você nunca bate nela? Sinhô pergunta.  
Harpo olha pras mão dele. Não senhor, ele fala baixo, sem graça.  
Bom, então como você quer fazer ela obedecer? As esposa são feito criança. Você tem que fazer elas aprenderem quem manda.  
Nada resolve melhor esse problema que uma boa surra.  
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VIOLÊNCIA E PERTENCIMENTO EM SUA PRODUÇÃO LITERÁRIA  
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Ele chupa o cachimbo.  
De qualquer maneira, Sofia pensa que ela é muita coisa, ele falou. Ela pricisa baixar um pouco a crista. (Walker, 2021, p. 40)  
Depois dessa conversa, Harpo agride Sofia e ela revida. Sofia se apresenta ao leitor como uma jovem reativa,  
que sabe se defender usando seu tamanho e força. Construída como uma mulher negra grande e forte  
fisicamente, Walker utiliza essas características para torná-la apta a se defender. Ela é retratada como uma  
grande mulher diante das mazelas da vida, que quase nunca se silencia. Entretanto, essa postura não impede  
que a violência cesse, seja com Harpo ou com as mulheres brancas que desejam humilhá-la em diferentes  
situações. Até que ela reaja novamente e seja presa por isso (Sedrins et al., 2005). A autora nos mostra que as  
posturas de passividade ou de reação não rompem o ciclo da violência por si sós; trata-se de uma realidade  
muito mais complexa, visto que o fenômeno da violência está ligado às opressões de gênero e raça.  
A violência de gênero também é um ponto-chave em seu romance “A terceira vida de Grange Copeland”.  
Como um fio condutor pelas gerações da família Copeland, acompanhamos seu início e fim. Em três gerações  
familiares, compreendemos como a violência se organiza como linguagem na relação entre o pai, o filho e a  
neta. Nesta história, somos apresentados à vida de Grange Copeland, um homem que trabalha nas terras de um  
proprietário branco durante a segregação racial no sul dos Estados Unidos. A história de Grange se entrelaça à  
de seu filho, Brownfield, e de uma de suas netas, Ruth. As gerações da família são trabalhadas para explorar os  
desafios presentes na relação entre pai e filho e, posteriormente, entre filho e esposa e entre avô e neta.  
Em uma perspectiva de gênero, Walker retrata um tema importante neste livro: o feminicídio. A relação  
conflituosa de Grange e Brownfield constrói um jovem negro violento, controlador e ressentido. Ele se  
apaixona por Mem, uma mulher negra inteligente e sonhadora que atua como professora. Ao longo da  
história, ela é colocada em oposição a ele, evidenciando os conflitos da relação. Seu jeito gentil, sua força em  
lutar por meio da educação e seu espírito marcante são as características que fazem Brownfield se apaixonar  
e ressentir-se dela. Após se casarem, Brownfield passa a exercer poder sobre ela, minando sua confiança e  
alegria, até que o relacionamento se encerra de forma trágica quando ele assassina a mãe de suas filhas.  
A relação é minada por ele, por suas inseguranças, pela frustração e pelo machismo, arrastada ao longo dos  
capítulos até que tenha um fim trágico. Em um das passagens, o narrador em terceira pessoa conta:  
Era a raiva que sentia de si mesmo, de sua vida e de seu mundo, que fazia com que batesse nela por causa de uma atração imagi-  
nária que ela despertava em outros homens, homens brancos, embora ela não tivesse nenhuma participação em nada disso. [...]  
Ele não se ressentia dela por ter um grande coração, mas não a perdoava por ter um grande conhecimento, pois isso a colocava  
mais perto, em termos de poder, deles do que ele jamais estaria. (Walker, 2021, p. 85)  
No posfácio do livro, Walker comenta que esse caso foi inspirado em uma história real que aconteceu em  
sua cidade. Questionada sobre o porquê de escrever histórias que retratam a violência contra mulheres  
negras em sua perspectiva mais transparente e crua, ela afirma: “a resposta mais simples é que talvez eu  
não conseguisse evitar. Uma bem mais complicada é que sou uma mulher de origem africana, então,  
naturalmente, insisto em todas as liberdades. Por que não?” (Walker, 2020, p. 331).  
Seu olhar é bastante sociológico sobre a organização e a construção da violência racial e de gênero no  
período. Ao longo da vida, a autora recebeu muitas críticas pela forma como retratou os homens negros  
em suas histórias, cercados pela violência e também violentos em si. No entanto, no posfácio, ela rebate: “a  
opressão que sofremos nas mãos do homem branco jamais justificará a opressão que cometemos com as  
próprias mãos, seja você homem, mulher, criança, animal ou árvore, porque o interior que eu valorizo se  
recusa a ser propriedade dele. Ou de qualquer um” (Walker, 2020, p. 334).  
Dessa forma, compreendo seu interesse em denunciar os diferentes desafios e expor dilemas internos da  
comunidade negra através da literatura, localizados em um contexto em que esse cenário era urgente.  
As críticas sobre seus textos não são infundadas, visto que podemos reescrever ou representar homens  
negros em diferentes camadas; este tem sido, inclusive, um desafio da produção literária brasileira na  
contemporaneidade. Porém, enxergo que essa foi uma escolha consciente de rompimento com o silêncio,  
seguida da pretensão de não romantizar as comunidades negras, mas sim falar de suas nuances.  
O SUL FOI SEU NORTE  
Outro tema importante e muito explorado nos romances da autora é o vínculo da comunidade negra no sul  
do país com a terra. Esse vínculo, de caráter trabalhista, surge desde a experiência escravista e se configura  
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VIOLÊNCIA E PERTENCIMENTO EM SUA PRODUÇÃO LITERÁRIA  
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como herança colonial, marcando as oportunidades para trabalhadores negros no sul dos Estados Unidos.  
Grange e Brownfield ocupam esse lugar em A terceira vida de Grange Copeland, e logo percebemos que a  
colheita do algodão é uma prática que atravessa gerações familiares, sob uma condição de escravidão que se  
perpetua após a Guerra Civil no país.  
A terra é o lugar em que seus antepassados cultivaram e permaneceram, sendo-lhes novamente imposta  
como local de trabalho. O regime se modifica, mas a condição de exploração se mantém, de modo que homens  
e mulheres negras continuam trabalhando nas fazendas, submetidos a inúmeras formas de subjugação e a  
um trabalho precário. O trabalho, agora supostamente livre, mantém similaridades e perpetuações de um  
regime escravista anterior. Brownfield externaliza isso em uma passagem da história:  
Aquele foi o ano em que ele se deu conta pela primeira vez de que sua própria vida estava se tornando uma repetição da vida do  
pai. Ele não podia poupar as filhas da escravidão; elas nem sequer pertenciam a ele. Seu endividamento o deprimia. Ano após  
ano, o montante que devia continuava a aumentar. [...] Reza por um emprego decente nos braços de Mem. Mas como todas as  
preces que fazia de lá, essa prece se transformou em mais uma boca para alimentar, outro corpo para escravizar a fim de pagar  
suas dívidas. Sentia-se destinado a se tornar não mais do que um capataz dos próprios filhos na plantação do homem branco.  
(Walker, 2021, p. 84)  
Seu olhar complexifica a questão sobre o direito à terra, vinculando-se a um debate sobre a propriedade e o  
direito efetivo àquele solo, de quem se dedicou durante séculos à sua manutenção, mas continua submetido  
a um patrão branco. Para além dos termos jurídicos, trata-se de uma discussão sobre as condições de  
vida, sobre o trabalho digno, que ganha uma dimensão ainda maior quando atravessa a subjetividade e  
as memórias que se constroem com a terra e através dela. A condição de trabalho traz seus estigmas, mas  
a relação da população negra com a terra, com o plantar e colher, é muitas vezes ressignificada por Alice  
Walker. No ensaio Escolha: Um tributo a Dr. Martin Luther King Jr., ela escreve: “nós amávamos a terra e a  
cultivamos, mas ela nunca nos pertenceu” (Walker, 2021, p. 131).  
Ela propõe um olhar crítico, sem desejar romantizar ou alienar seus leitores sobre as condições de vida  
dos negros sulistas, mas também evidencia como esse exercício pode estar acompanhado de afeto e de um  
senso de comunidade muito demarcado. O ódio é frequentemente vinculado às condições, à exploração e  
aos exploradores, mas o amor é direcionado à terra e ao que ela pôde proporcionar às famílias que dela  
precisaram. Essa perspectiva atravessa sua identidade enquanto autora: a partir de um lugar muito pessoal  
e político, Alice Walker elabora sobre a herança sulista negra para os escritores do sul e sobre como isso  
impacta a construção de seus romances.  
Ninguém poderia desejar uma herança mais vantajosa do que aquela legada ao escritor negro no Sul: uma compaixão pela terra,  
uma confiança na humanidade além de nosso conhecimento e um amor duradouro pela justiça. Nós herdamos também uma  
responsabilidade, pois devemos dar voz a séculos não apenas de amargura e ódio silenciosos, mas também de vizinhança gentil  
e amor substancial. (Walker, 2021, p. 26)  
Esta origem sulista e seus valores são pontos centrais na escrita de seus romances, perceptíveis nas discussões  
acerca da ideia de pertencimento e na relação comunitária estabelecida entre as personagens de suas obras,  
evidenciando que Alice Walker é profundamente tocada por tudo o que significa ser um negro nascido no sul  
dos Estados Unidos. O sentimento de comunidade, o vínculo com a terra, a vida no campo, a violência racial  
e de gênero, juntamente com toda a complexidade da experiência vivida naquela região, são elementos que  
ela levanta para se autoafirmar como escritora negra sulista.  
A expressividade dessa identidade em seu trabalho se manifesta nos sentimentos conflitantes sobre sua  
terra, mas também na resiliência familiar, como Walker destaca: “escritores negros sulistas devem a clareza  
de sua visão a pais que não sucumbiram ao racismo e assim se recusaram a se ver como seres humanos  
menores” (Walker, 2021, p. 24). Isso remonta aos jardins de sua mãe e à resiliência em criar oito filhos  
durante o regime segregacionista, considerando também o espírito religioso que marcou sua infância e a  
comunidade negra à qual pertencia.  
Durante sua formação, diferentes intelectuais, ativistas e escritoras serviram de inspiração para Walker  
e contribuíram para sua perspectiva crítica acerca do racismo nos Estados Unidos. No entanto, foi o  
movimento pelos direitos civis que representou a grande reviravolta em sua vida, o impulso que lhe permitiu  
lutar por seus ideais. A inspiração em Martin Luther King e Coretta Scott King levou Alice Walker a trilhar  
seu caminho. Em muitos momentos, ela rememora o poder de King e a luta liderada por ele, narrando que,  
quando era uma jovem universitária, enxergou naquele movimento algo único. Sobre esse contexto, ela  
afirma:  
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Por causa do Movimento, por causa de uma fé vigilante no frescor e na imaginação do espírito humano, por causa do ‘negros e  
brancos juntos’ - pela primeira vez em nossa história, em um relacionamento humano na TV e fora dela -, por causa dos espan-  
camentos, das prisões, do inferno nas batalhas ao longo dos últimos anos, eu tenho lutado, como nunca lutei antes, por minha  
vida e por uma chance de ser eu mesma, de ser algo mais do que uma sombra ou um número. (Walker, 2021, p. 116)  
Diante do contexto de segregação racial, Martin Luther King surgia como uma importante chama de  
esperança e luta pelas condições de vida digna para a população negra. Dessa forma, ao compreender seus  
esforços, ela teve seus sonhos e anseios transformados não somente pela luta antirracista, mas também  
pela herança sulista do casal. Walker reforça que a batalha trilhada pelo ativista tornou o sul um lugar de  
pertencimento e reconhecimento de sua própria história. Ao rememorar o impacto do movimento pelos  
direitos civis para os negros sulistas, ela destaca que Martin Luther King foi fundamental para a construção  
desse sentimento. Segundo a autora:  
[...] ele nos devolveu nossa herança. Devolveu-nos nossa terra natal; os ossos e o pó de nossos ancestrais, que podem agora des-  
cansar sob nosso cuidado e nossa atenção. Ele nos deu a continuidade do pertencimento sem a qual uma comunidade se torna  
efêmera. Ele nos deu um lar. (Walker, 2021, p. 133)  
A persistência em permanecer em uma terra que lhes é de direito, mas que nunca foi de fato deles, ganha uma  
dimensão fundamental nos discursos de Martin Luther King e ressoa nas comunidades negras da região.  
Esse sentimento atravessa não apenas o senso pessoal de pertencimento da autora, mas também sua posição  
enquanto escritora. É a partir dessa perspectiva que suas histórias ganham o pano de fundo sulista, em todas  
as suas contradições e complexidades. Esse lugar narrativo evidencia a crítica à propriedade da terra, ao  
senso de comunidade que se constrói através dela e ao papel religioso que dialoga com a trajetória do pastor  
King.  
Nesse sentido, os movimentos pelos direitos civis transformam a história de mulheres e homens negros  
em todo o país. Se esse contexto da segregação racial está presente em seu primeiro romance, mais tarde  
Walker retrata um novo cenário ao narrar a vida de uma ativista pelos direitos civis em Meridian. Walker  
é uma escritora comprometida com a agenda racial, desenvolve uma literatura de denúncia, estabelece  
paralelos entre a ficção e a realidade histórica de seu país. Ela realiza movimentos incisivos para expor temas  
invisibilizados, abordar discussões conflituosas e se comprometer filosoficamente com novas perspectivas  
de mundo, que também encontram espaço em suas histórias. Sua trajetória pessoal enquanto mulher negra  
sulista está em diálogo com aquilo que deseja imprimir em seus livros e apresentar aos seus leitores.  
CONCLUSÃO  
Ao longo deste artigo, apresentei um panorama sobre a estreita relação entre as vivências de Alice Walker e os  
debates propostos em seus livros, dando destaque à sua preocupação com a violência de gênero, à denúncia  
do racismo, às duras condições de trabalho e à importância das lutas antirracistas para o período. A partir  
dessa perspectiva, é possível compreender os anseios que afligem a autora, as histórias de sua família e o  
lugar que uma luta nacional ocupou em seu sentimento de pertencimento. Um compromisso político com a  
terra de sua família ganhou corpo por meio de suas personagens.  
Walker escolheu um lugar de denúncia para sua narrativa histórica, assumindo também uma posição  
conflituosa em sua própria comunidade ao expor as violências de gênero e o amor entre mulheres. Ela  
deixou sua marca na produção literária negra do período ao colocar mulheres negras como protagonistas,  
vivendo histórias semelhantes às das avós, mães e irmãs negras de todo o país. Assim como Toni Morrison,  
Gwendolyn Brooks, Zora Neale Hurston, entre outras autoras, Alice Walker possui uma produção ficcional  
de grande arcabouço sociológico, especialmente no que diz respeito às discussões promovidas pela sociologia  
das relações raciais, pelo pensamento social e pela cultura.  
Nesse sentido, compreendo que suas narrativas literárias podem somar-se às produções teóricas e aos  
debates do campo das ideias sobre os desafios enfrentados na luta contra o racismo e na busca por uma  
sociedade menos desigual para as mulheres negras. Walker ocupa uma posição importante na tradição  
literária e intelectual negra, que anseia e produz representação negra em sua pluralidade. Seu trabalho  
caminhou por novos horizontes éticos e literários; há ainda muito a ser explorado, repensado e discutido  
sobre seus narradores, contextos, personagens e elementos literários. No entanto, reforço aqui o lugar sólido  
que ela ocupa diante da produção literária construída por mulheres negras contemporâneas.  
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Por fim, destaco que a análise de suas obras nos permite compreender diretamente a estreita relação entre  
forma, conteúdo e realidade social, assim como as aproximações e dimensões subjetivas do seu fazer literário.  
Elas retratam um pano de fundo histórico vivido por ela e por sua comunidade, ainda que carreguem um  
senso estético particular e noções políticas elaboradas frente às reivindicações do período. Consciente do  
seu próprio papel enquanto autora e das portas que suas obras abriram para diferentes debates na arena  
pública, Walker evidencia seu compromisso com a ruptura de esquemas, caixas e imposições literárias tão  
comuns às autoras negras. Sob essa perspectiva, ela afirma: “escrever me permite ser mais do que eu sou”  
(Walker, 2024, p. 328). Diante de um olhar atento à dimensão coletiva e às influências das mulheres de sua  
família, ela transpôs seu olhar sobre o mundo através das páginas.  
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Data de submissão: 05/06/2025  
Data de aceite: 21/11/2025  
Data de publicação: 15/12/2025