Apresentação | “Semeando coragem e invenção junto à Lélia Gonzalez”
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conceito gramsciano que evidencia a inseparabilidade entre sua atuação intelectual e política.
Neste sentido, há o convite para a imersão em nas redes antirracistas junto com .
Seguindo pelas dimensões políticas, Amanda dos Santos Pereira, apresenta uma reflexão
sobre a formação dos quilombos e seus dilemas na contemporaneidade no ensaio Quilombos: the
land is life and freedom. A autora destaca como a relação com a terra é essencial para pensarmos
sobre as comunidades quilombolas, que entendem não apenas como sinônimo de liberdade, mas
também como espaço de aprendizado e ensinamento. Falar de terra quilombola é falar de ancestra-
lidade e resistência — não apenas em relação às violências do passado, historicamente abordadas,
mas também às violências atuais, como a luta pelo reconhecimento de seus territórios, incêndios
intencionais, homicídios, ameaças e outras formas que o racismo assume.
No artigo de Maria Aparecida de Oliveira Lopes, no artigo Sonhos e vivências transa-
tlânticos de Nize Isabel de Moraes, professora negra do estado de São Paulo (1955-1978), a
autora reconstrói analiticamente a trajetória profissional da professora Nize Isabel de Moraes
em um fio condutor que explora diários, cartas e documentos oficiais, e promove reflexões
sobre os atravessamentos de uma mulher negra em contextos de instabilidades políticas e eco-
nômicas na conexão entre o Brasil e o Senegal entre as décadas de 1950 e 1970 do século XX.
No artigo 30 anos da presença ancestral de Lélia Gonzalez entre nós: o fazer política e
a construção de agendas inegociáveis, na qual Francisco Nonato do Nascimento Filho e Geyse
Anne Souza da Silva nos conduzem à refletir sobre o legado e a memória de Lélia Gonzalez,
especialmente no contexto do movimento negro brasileiro. O texto dá ênfase às experiências
do nordeste, evidenciando como as ideias de Gonzalez moldaram uma geração politicamente
engajada, que se posiciona a partir de uma perspectiva decolonial e amefricana. Essa abordagem
se torna essencial para resistir à lógica colonizadora.
Concluímos com A paciência revolucionária de Lélia Gonzalez, intelectual amefricana
e intérprete do Brasil, de Taynara Aparecida Ferreira da Silva. No artigo a autora traz reflexões
sobre as propostas políticas de Lélia Gonzalez, através da análise de uma entrevista concedida
ao Jornal Nacional do Movimento Negro Unificado (MNU), realizada em 1991 para Jônatas
Conceição da Silva e editada por Edson Cardoso. Através deste artigo, é possível compreen-
dermos a atuação política e intelectual transgressora de Lélia, bem como suas potencialidades
epistemológicas para a interpretação do Brasil.
A memória se faz presente na Teoria Social Crítica de Lélia Gonzalez, na qual se institui
como uma manifestação histórica, cultural e política da ancestralidade afro-brasileira. Como
uma tecnologia ancestral, a memória é reconhecer, relembrar e evidenciar as potencialidades
da intelectualidade negra brasileira, por isso, caras leitoras e caros leitores, esperamos que esta