EMPREGO VERDE: ALIADO OU ALGOZ
DA JUVENTUDE BRASILEIRA?
Green job: Brazilian youth ally or tormentor?
Trabajo verde: ¿aliado o verdugo de la juventud brasileña?
ROCHELI KORALEWSKI
1
ORCID: 0000-0002-2806-0844
LUÍS FERNANDO SANTOS CORRÊA DA SILVA
2
ORCID: 0000-0002-8023-2084
RESUMO
Este artigo tem por objetivo compreender a relação dos/as jovens com o trabalho em uma conjuntura de
alerta no que tange à crise ambiental. Cientistas de diversas áreas consentem sobre a urgência de mudanças
econômicas e relacionais tanto para a mitigação dos efeitos advindos das alterações climáticas quanto para
a adaptação nesse novo cenário. Nessa realidade, a economia verde se insere com a constituição de oportuni-
dades por meio dos empregos verdes. Como metodologia, utilizou-se a análise de conteúdo, com o objetivo
de construir relações comparativas entre dois documentos. O primeiro é o “Guia Global para a Educação so-
bre os Empregos Verdes: conectando o ensino superior e as oportunidades verdes pela saúde planetária” (2021),
desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e pela Parceria para Educação para
o Desenvolvimento Sustentável dos EUA, com a contribuição de agências da ONU e do Banco Mundial. O
segundo documento baseia-se em dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeco-
nômicos (DIEESE) sobre “empregos verdes e sustentáveis no Brasil” (2022). Os dados foram analisados para
compreender de que forma esses empregos diferem do mercado de trabalho tradicional, sendo algozes ou
aliados. Afetado pelo desemprego estrutural, há um exército de mão de obra juvenil à disposição para ocupar
essas vagas, contudo é primordial compreender como esses empregos são desenvolvidos e de que forma o
“verde” pode ser um aliado contra o desemprego, e não o algoz para a continuidade da lógica exploratória.
Palavras-chave: Emprego verde; Juventude; Trabalho; Desemprego.
ABSTRACT
This article aims to understand young people’s relationship with work in a context of heightened alert con-
cerning the environmental crisis. Scholars from diverse fields agree on the urgent need for both economic
and social changes to mitigate the effects of climate change and to adapt to this new reality. Within this
scenario, the green economy emerges by creating opportunities through green jobs. As a methodology, con-
tent analysis was employed to establish comparative relationships between two documents. The first is the
Global Guide for Education on Green Jobs: Connecting Higher Education and Green Opportunities for Planetary
Health (2021), developed by the United Nations Environment Programme and the U.S. Partnership for Ed-
ucation for Sustainable Development, with contributions from UN agencies and the World Bank. The sec-
ond document is based on data from the Inter-Union Department of Statistics and Socioeconomic Studies
(DIEESE) on “Green and Sustainable Jobs in Brazil” (2022). These data were analyzed to understand how
1 Mestranda no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas da Universidade Federal da Fronteira Sul com bolsa CAPES.
Especialista em Juventudes, licenciada em Ciências Sociais e Letras – Inglês. Compõe o Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares em Educação
e Estratificação Social (GEPIEES/UFFS).
2 Sociólogo, doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Possui graduação em Ciências Sociais (bacharelado e licenciatura)
e mestrado em Sociologia também pela UFRGS. Foi Investigador Visitante em Estágio Pós-Doutoral no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universi-
dade de Coimbra, Portugal. Professor Associado III da Universidade Federal da Fronteira Sul.
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such jobs differ from the traditional labor market, acting either as oppressors or as allies. Confronted with
structural unemployment, there exists a large pool of young labor ready to fill these positions; however, it
is essential to comprehend how these jobs are structured and in what ways the “green” can serve as an ally
against unemployment, rather than as a force perpetuating exploitative dynamics.
Keywords: Green job; Youth; Labor; Unemployment.
RESUMEN
Este artículo tiene como objetivo comprender la relación de los jóvenes con el trabajo en un contexto de aler-
ta máxima respecto a la crisis ambiental. Investigadores de diversas disciplinas coinciden en la urgencia de
implementar cambios económicos y sociales tanto para mitigar los efectos derivados del cambio climático
como para adaptarse a esta nueva realidad. En este escenario, la economía verde surge al generar oportuni-
dades a través de los empleos verdes. Como metodología, se empleó el análisis de contenido para establecer
relaciones comparativas entre dos documentos. El primero es la Guía Global para la Educación sobre Empleos
Verdes: Conectando la Educación Superior y las Oportunidades Verdes para la Salud Planetaria (2021), elabo-
rada por el Programa de las Naciones Unidas para el Medio Ambiente y la Asociación Estadounidense para
la Educación en Desarrollo Sostenible, con contribuciones de agencias de la ONU y del Banco Mundial. El
segundo documento se basa en datos del Departamento Intersindical de Estadística y Estudios Socioeco-
nómicos (DIEESE) sobre Empleos Verdes y Sostenibles en Brasil (2022). Estos datos fueron analizados para
comprender de qué manera estos empleos difieren del mercado laboral tradicional, actuando ya sea como
opresores o como aliados; ante el desempleo estructural, existe un amplio contingente de mano de obra
juvenil dispuesto a ocupar estos puestos; sin embargo, resulta esencial entender cómo se estructuran estos
empleos y de qué forma lo “verde” puede servir como aliado contra el desempleo, y no como un factor que
perpetúe dinámicas explotadoras.
Palabras clave: Empleo verde; Juventud; Trabajar; Desempleo.
1. INTRODUÇÃO
Entre algoz e aliado, a dicotomia do título convida a uma análise que considere a relação dos empregos
verdes com as juventudes brasileiras, um grupo social diverso e complexo. Em relação ao trabalho, tema
desta discussão, os/as jovens brasileiros/as são inseridos em um contexto que oferece possibilidades que
são acompanhadas pelo fantasma do desemprego ou de trabalhos informais. Na educação, as possibilidades
de acesso nem sempre acompanham as de permanência. Nas ruas, as juventudes são encontradas pela vi-
olência e pelo estigma, pois, se são negros/as, a situação é afunilada pelo racismo; se são mulheres, há o
machismo e o medo.
Na via da construção do pensamento científico, dicotomizar é uma opção superada. Contudo, na realidade,
o binômio segue operando os espaços e determinando a vida das pessoas, sobretudo das que são jovens. No
Brasil, jovens vivenciam distintas condições juvenis enquanto trabalham ou buscam um emprego em um
planeta imerso em mudanças climáticas que abalam o presente e principalmente as perspectivas futuras.
Nos noticiários, para além das catástrofes ambientais que permeiam o cotidiano, as manchetes estampam
jovens organizados em um ativismo pelo planeta, como é o caso, por exemplo, da ativista sueca Greta Thun-
berg.
Para buscar soluções diante desses problemas, a atenção de pesquisadores/as, entidades da sociedade civil e
governos começou a convergir à necessidade de repensar as relações econômicas. Desde o legado ecológico
de Karl Marx (2013), aprofundado pela análise de Saito (2021), é possível perceber que a relação entre a na-
tureza e o ser humano foi radicalmente atravessada pela lógica do capital, adquirindo um caráter destrutivo
ao causar perturbações na troca metabólica. Com base em debates teóricos, a economia verde se apresenta
como uma alternativa, tida como a economia do mundo sustentável (Côrtes; Côrtes; Alegawa, 2019). Junto
com ela, o mercado de trabalho avista um nicho para criação de empregos verdes.
Juventude, crise climática e empregos verdes serão inseridos em uma tríade para gerar questionamentos
estruturais e conjunturais. Se a juventude é afetada pelo desemprego, os empregos verdes podem ser aliados
na batalha contra o exército de mão de obra juvenil excedente (Arend; Reis, 2009)? De que forma esses em-
pregos diferem do mercado de trabalho tradicional? Há debate sobre exploração da mão de obra da classe
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trabalhadora dentro da economia verde? A quem beneficia a geração desses tipos de empregos? Eles desen-
volvem consciência ambiental nos/as jovens?
Movida por esses questionamentos, será realizada uma análise de conteúdo (Bardin, 1997; Minayo, 2007)
construindo relações comparativas baseadas em dois documentos. O primeiro se trata do “Guia Global para
a Educação sobre os Empregos Verdes: conectando o ensino superior e as oportunidades verdes pela saúde
planetária” (2021), desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, pela Parceria
para Educação para o Desenvolvimento Sustentável dos EUA, com a contribuição de agências da ONU e do
Banco Mundial. O segundo documento é baseado nos dados do Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (DIEESE) sobre “empregos verdes e sustentáveis no Brasil” (2022). O trabalho
inicia com uma discussão sobre empregos verdes e juventude, passando pela descrição e análise do conteú-
do presente nos relatórios, uma reflexão sobre o potencial e o risco dos empregos verdes e, por fim, algumas
reflexões à guisa de conclusão.
2. O “CRUSH” DO DESEMPREGO NA JUVENTUDE TRABALHADORA
Não é novidade que o desemprego flerta com a juventude trabalhadora há anos. No linguajar juvenil, “crush”
revela um interesse e/ou um sentimento de amor platônico por alguém. Apesar de a taxa de desemprego
entre a população juvenil ter diminuído em relação ao primeiro trimestre de 2022, há anos ela vem sendo
superior à média geral (IBGE, 2022). Além disso, também é possível perceber que o impacto da pandemia
na vida dos/as trabalhadores/as jovens foi maior do que em relação a outros grupos sociais, não apenas na
empregabilidade, mas também na relação com o emprego e com perspectivas de um projeto de vida (Abílio,
2020). O crush do desemprego na juventude trabalhadora alimenta a paixão do sistema capitalista, que, ao
necessitar de mão de obra barata, controla um exército excedente para seu próprio interesse.
Enquanto produto histórico da modernidade, a juventude é uma categoria social que foge ao consenso ac-
erca da sua definição. Entre os dissensos, pode-se afirmar que muitos pesquisadores concordam com o seu
alto grau de heterogeneidade (Groppo, 2017; Castro; Abramovay 2003; Novaes, 2006). Em seus estudos, Re-
gina Novaes (2006) apresenta o caleidoscópio como metáfora à compreensão do universo juvenil, tendo em
vista que, por suas características, a categoria deve ser analisada com atenção para uma qualitativa captação
de suas particularidades. Peculiaridades que, imersas em um cenário de desigualdade crescente, tornam
díspares a vivência da condição juvenil (Abramo, 2014). Todavia, o desemprego é elemento que inunda a
trajetória de jovens de diferentes realidades de forma homogênea.
Ao ampliar a análise da categoria à relação com o trabalho, é primordial se atentar ao conceito de classe, que,
historicamente, torna grande parte da juventude brasileira trabalhadora (Guimarães, 2004), enquanto as/
os jovens que pertencem às classes mais abastadas gozam da possibilidade de vivenciar a moratória social
(Erikson, 1987). Assim como a juventude, a classe-que-vive-do-trabalho é cada vez mais heterogênea, frag-
mentada e complexificada (Antunes, 2015), de modo que as crises tornam os grupos que compõem a classe
trabalhadora cada vez mais vulneráveis à desigual relação concebida entre capital e trabalho.
A pandemia da Covid-19, assim como a crise climática, são elementos que evidenciam a barbárie resultante
da lógica pós-fordista, manifestada por meio da flexibilização, da informalidade, da terceirização e do suca-
teamento dos direitos trabalhistas. Diante disso, o crush que persegue as/os jovens e dificulta o processo de
busca por um emprego acaba provocando profundas marcas na trajetória pessoal e profissional da juven-
tude brasileira, que, sem muitas alternativas e com políticas públicas escassas, acaba sendo coagida a aceitar
“migalhas”.
Assim como em um flerte, as possibilidades
3
projetadas pelos governos para enfrentar esse problema aca-
bam sendo romantizadas e não consideram as condições reais que são necessárias para que as/os jovens
triunfem na busca pelo emprego. Portanto, para que o emprego verde seja uma oportunidade coerente com
a luta pela justiça climática e aliada da justiça social, ele precisa romper com essa lógica que se pinta de outra
cor, mas segue o jogo de exploração do capital.
3 A Carteira Verde e Amarela (CTVA) é um grande exemplo desse processo, tendo em vista que, com o discurso propagandista de oportunidade, ela
retira direitos, oferece salários menores, promove a instabilidade e a falta de perspectiva – elementos fundamentais à construção de um projeto de vida.
Modalidade de contratação que é voltada a jovens de 18 a 29 anos com redução de direitos trabalhistas em relação às regras atuais aplicadas pelo
mercado (Brasil de Fato, 2020).
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3. EMPREGOS VERDES NOS RELATÓRIOS DA PNUMA (2021) E DIEESE (2022)
De acordo com reportagem do Exame (2022), os empregos verdes serão o futuro da juventude, a qual já
apresenta o desejo de ocupar esses postos, que, em maior ou menor grau, demonstram compromisso ético
com a sustentabilidade ambiental. Contudo, com base na alta taxa de desemprego juvenil no Brasil, é impor-
tante questionar se as juventudes se interessam por empregos verdes por uma questão ética ou se o inter-
esse provém da necessidade de trabalhar. Quando inserido em perspectiva, o trabalho apresenta sentidos e
significados diversos, sobretudo na formação da identidade e das subjetividades dos indivíduos (Wautier,
2012). Entretanto, no recorte juvenil, considerada a relação de classe, o trabalho ainda se insere como uma
necessidade (Guimarães, 2004).
Analisar um conteúdo é “(...) uma tarefa paciente de desocultação” (Bardin, 1977, p. 09). Diante disso, após
uma investigação
4
sobre materiais produzidos em relação à temática, foram selecionados dois relatórios: o
“Guia Global para a Educação sobre os Empregos Verdes: conectando o ensino superior e as oportunidades
verdes pela saúde planetária” (2021); e o “Empregos verdes e sustentáveis no Brasil” (2022). Para isso, cabe,
de início, destacar o contraste do contexto de produção dos relatórios, tendo em vista que o primeiro é finan-
ciado pelo Banco Mundial, enquanto o segundo foi desenvolvido por um departamento intersindical.
Desse modo, ao comparar os conteúdos, é importante chamar a atenção para dois fatores. Primeiramente,
o relatório da PNUMA está disponível apenas em inglês, espanhol e chinês. Portanto, os trechos aqui apre-
sentados serão traduzidos pela autora. O segundo ponto diz respeito aos dados empíricos, tendo em vista
que o debate é focado na definição etária brasileira apresentada pelo Estatuto da Juventude, que considera
jovens as pessoas de 15 a 29 anos. A definição etária de juventude para a ONU é dos 15 aos 24 anos, gerando
uma lacuna de cinco anos entre as duas definições. Como já foi exposto, a diversidade juvenil não pode ser
medida pela faixa etária
5
, todavia os governos e entidades utilizam a idade como um critério para a formu-
lação de políticas públicas.
Aqui serão realizadas uma descrição e uma análise comparativa do conteúdo dos materiais. O relatório da
PNUMA, desenvolvido pelas pesquisadoras Mari Nishimura e Debra Rowe, apresenta a definição de empre-
go verde (green job) a partir da Organização Mundial do Trabalho tido como um trabalho decente
6
(decent
job) que contribui para preservar ou restaurar o meio ambiente (Nishimura; Rowe, 2021). Empregos desse
tipo podem estar vinculados aos setores tradicionais (manufatura e construção), bem como aos setores
verdes (energia renovável e eficiência energética). Eles podem ser criados em qualquer área desde que ten-
ham relação com o debate ambiental. As pesquisadoras utilizam a expressão “greening the workforce” (Nishi-
mur; Rowe 2021, p. 03) – isto é, “esverdear a força de trabalho” em tradução livre – para afirmar a necessi-
dade de tornar a força de trabalho mais verde e, consequentemente, mais sustentável.
Outro ponto interessante é que os empregos verdes são conceituados em uma relação econômica diferente
da tradicional, tendo em vista que produzem ou fornecem serviços que, ao utilizar menos recursos naturais,
beneficiam o meio ambiente (Nishimur; Rowe, 2021). De acordo com a PNUMA, essa é uma nova forma de
pensar as escolhas relacionadas com o trabalho, desde escolhas simples, sempre considerando o planeta. O
relatório do DIEESE aponta que, no Brasil, o debate vai na contramão, tendo em vista que
A fragilidade no mercado de trabalho vem ainda acompanhada pelo negacionismo ambiental traduzido, entre outras ações,
pelo aumento do desmatamento, desmonte das políticas ambientais, expansão de atividades ilegais em territórios dos povos
originários (Dieese, 2022, p. 4).
Apesar de a Organização Internacional do Trabalho debater essas questões há mais de uma década, o neg-
acionismo climático tornou-se um elemento crescente no debate público nos últimos anos, especialmente
com a eleição de governos de extrema-direita, como nos Estados Unidos, com Donald Trump, e no Brasil,
com Jair Messias Bolsonaro (Miguel, 2022). Esses aspectos têm grande impacto no mercado de trabalho,
uma vez que a transição para uma economia de baixo carbono precisa ser não apenas justa, mas também
4 A investigação foi iniciada por meio da busca de artigos na plataforma Scielo, produções da Biblioteca Brasileira de Teses e Dissertações e de
relatórios disponíveis no site da ONU.
5 Alguns pesquisadores já apontam que a adolescência está indo até aos 24 anos, não mais aos 19. Definições etárias podem ser arbitrárias (BBC
News Brasil, 2022).
6 “O trabalho decente é definido como a promoção de oportunidades para que mulheres e homens possam ter uma atividade decente e produtiva em
condições de liberdade, equidade, segurança e dignidade humana. O trabalho decente satisfaz as aspirações das pessoas em suas vidas profissionais
– por oportunidades de renda; direitos, participação e reconhecimento; estabilidade familiar e desenvolvimento pessoal; justiça e igualdade de gênero.
Em última análise, essas diferentes dimensões do trabalho decente constituem a base para que a paz seja efetivamente estabelecida em comunidades
e na sociedade. O trabalho decente é essencial nos esforços voltados à redução da pobreza e é um meio de se alcançar um desenvolvimento susten-
tável, equitativo e inclusivo.” (OIT, 2012, p. 2).
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rápida. Para evitar os efeitos irreversíveis das mudanças climáticas, as economias devem repensar seus
modelos de produção e consumo em todas as nações (Sugahara, 2010).
Repensar a estrutura da economia implica uma reestruturação do mercado de trabalho. Nesse sentido, o
relatório da PNUMA aponta que as oportunidades de empregos verdes estão crescendo em um ritmo mais
acelerado do que outros tipos de empregos (Nishimura; Rowe, 2021). Tecnologia, energia, transporte, con-
strução, infraestrutura, agricultura, silvicultura, pesca e gestão de bacias hidrográficas são áreas que já
oferecem boas condições de trabalho, segundo as pesquisadoras Nishimura e Rowe (2021). São passos que
já estão sendo trilhados na construção de uma nova economia que poderá modificar o tipo de empregos
disponíveis e, nesse sentido, “os jovens da economia informal, bem como os estudantes, podem ter mais
sucesso na economia verde se tiverem adquirido competências de empreendedorismo e uma mentalidade
empreendedora” (Nishimura; Rowe, 2021, p. 10)
7
.
As habilidades de empreendedorismo e a mentalidade empreendedora figuram no mercado de trabalho,
sobretudo no universo juvenil
8
. Todavia, ao se atentar aos dados apresentados no relatório do DIEESE, é
possível perceber que no Brasil os empregos verdes não são um sonho individual tão perfeito, mesmo se a/o
jovem for um/uma grande empreendedor/a. Assim como o crush do desemprego na juventude, as/os jovens
empregados/as também estão expostos à possibilidade de redução na participação nas vagas formais da
economia verde.
Se forem empreendedores/as, os/as jovens estarão suscetíveis às mudanças sociais repentinas, como foi
o caso da pandemia do coronavírus. Segundo o DIEESE (2022, p. 18), “entre 2018 e 2020, notou-se a con-
tinuidade da tendência de redução da participação dos jovens de até 24 anos de idade no total dos empregos
formais do país (de 13,9% para 13,4%), inclusive nos setores verdes (de 16,3% para 15,6%)”. A redução nos
setores verdes foi de 0,7% enquanto no total de empregos formais foi de 0,5%.
Se, no mercado de trabalho tradicional, a juventude precisa de políticas públicas para encontrar um empre-
go, na economia verde, esse olhar também deve ser diferenciado. Caso contrário, por falta de experiência (ou
qualquer outro argumento), os jovens não serão valorizados em detrimento de pessoas adultas, socialmente
tidas como mais experientes e responsáveis. Outro ponto importante diz respeito à remuneração, tendo em
vista que “em 2020, a remuneração média dos empregos formais no país era de R$ 3.004, enquanto, nos
setores verdes, era de R$ 2.728.” (DIEESE, 2022, p. 11). Além disso, “(...) os setores verdes tiveram elevação
da proporção de trabalhadores/as desprotegidos/as nos últimos anos, ou seja, aqueles que não tinham pro-
teção trabalhista ou previdenciária” (DIEESE, 2022, p. 21).
Até então, são essas as oportunidades verdes oferecidas à juventude trabalhadora no Brasil que, segundo a
definição da OIT de emprego verde como trabalho decente, não se aplicam ao contexto nacional. No país,
a relação com o empreendedorismo – apontada pelas pesquisadoras do PNUMA – tende a transferir a re-
sponsabilidade pelo desemprego à juventude, mais do que representar uma alternativa real de sucesso, es-
pecialmente quando se considera a dimensão de classe.
Fora do chamado primeiro mundo, os empregos verdes ainda reproduzem a lógica dos empregos tradi-
cionais, agravada pela distribuição desigual dessas oportunidades no território brasileiro. Por isso, “para a
agenda de trabalho e meio ambiente avançar, é necessário promover mudanças estruturais no mercado de
trabalho brasileiro, inclusive nos empregos verdes” (DIEESE, 2022, p. 24). Assim, o crush do desemprego e
das péssimas condições de trabalho à juventude trabalhadora não serão apenas reinventados, pintando-se
de verde.
4. PINTAR DE VERDE O ALGOZ OU O ALIADO?
Para a juventude trabalhadora, além de definir o indivíduo como adulto, o emprego é a possibilidade de
vivenciar a condição juvenil (JEOLÁS; LIMA, 2002). Para além de um problema econômico, o desemprego
também interfere na subjetividade das/os jovens, tendo em vista que não possuir uma renda altera a socia-
bilidade, pois até mesmo para participar de atividades de lazer é preciso ter algum dinheiro – sobretudo se a
pessoa vive em um grande centro e necessita de deslocamento. Apesar de muitos empregos não oferecerem
uma relação trabalhista de qualidade, o desemprego ainda é o maior algoz que persegue e insere o/a jovem
em uma situação de sofrimento. Ele aponta no horizonte e pode encontrar o indivíduo a qualquer momento.
7 Tradução livre.
8 Poderíamos desenvolver outro artigo acerca dessa temática.
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Se o desemprego é um algoz, o trabalho, enquanto categoria ontológica do ser humano, pode ser considera-
do um aliado da juventude. O trabalho pode assumir diversos significados na vida do/a jovem (GUIMARÃES,
2004), considerando-se que esse também é um espaço de socialização, desenvolvimento pessoal, construção
de afetos e assunção de responsabilidades. No entanto, o trabalho que apenas produz e reproduz o sistema
capitalista ofusca esses outros sentidos, reduzindo-se ao cruel significado da expropriação da mais-valia.
Dependendo do projeto de sociedade que se pretende construir, os empregos verdes podem ser tanto al-
gozes quanto aliados da juventude trabalhadora. Quando mantêm a estrutura exploratória do mercado de
trabalho tradicional, como apontam os dados do relatório do DIEESE (2022), e ignoram a urgência de se
enfrentar o desemprego estrutural que afeta a juventude, esses empregos deixam de representar uma alter-
nativa transformadora. Nesses casos, longe de combater o desemprego, eles o reforçam. Tornam-se, assim,
seus algozes.
Por outro lado, os empregos verdes forem desenvolvidos a partir de uma racionalidade ambiental (Leff,
2010) que considere as pessoas e o planeta como parte integral de um todo que só será defendido com a
superação do modo de produção capitalista, eles são aliados. No relatório da PNUMA, apesar de ser finan-
ciado pelo Banco Mundial, fato que pode nos oferecer grandes questionamentos sobre relações de poder e
interesses, há elementos interessantes, pois, ao ser voltado à educação superior, as pesquisadoras partem de
uma premissa educacional. Para elas, há três ações-chave para que as/os jovens estudantes adentrem o mer-
cado de trabalho dos setores verdes: 1) conhecimento/aprimoramento; 2) desenvolvimento de habilidades e
competências e 3) oportunidades de trabalho (Nishimura; Rowe, 2021).
Na primeira ação-chave, as pesquisadoras indicam a importância de repensar a pedagogia que é utilizada
nas salas de aula. Elas apresentam a transdisciplinaridade como um elemento primordial para a construção
de saberes, tendo em vista que o debate ambiental é limitado se fechado em disciplinas. Além disso, a prática
pedagógica precisa ser aplicada e focada em soluções, fazendo a/o estudante vivenciar a teoria na prática.
Além disso, as autoras apontam também a importância da igualdade de gênero nos empregos verdes emb-
ora não citem outros marcadores sociais, o que revela uma lacuna importante na abordagem. No contexto
brasileiro, é indispensável que essa discussão contemple também as realidades de pessoas negras e indí-
genas, sob o risco de perpetuar exclusões históricas dentro das próprias propostas de transição ecológica.
Na segunda ação-chave, que é o desenvolvimento de habilidades e competências, as autoras apontam a im-
portância da educação no desenvolvimento de uma consciência ambiental. Aumentar o interesse dos es-
tudantes em empregos verdes e sustentáveis passa pela necessidade de desenvolver suas habilidades em
relação ao tema. Assim, será possível construir um futuro sustentável e conectá-los a oportunidades de tra-
balho (Nishimura; Rowe, 2021), que é a terceira ação-chave. Nesse debate, os empregos verdes estão direta e
indiretamente relacionados com os objetivos do desenvolvimento sustentável da ONU e, portanto, precisam
marcar presença nos debates dentro das salas de aula.
Apesar de o relatório da PNUMA não refletir fielmente a realidade da juventude trabalhadora no Brasil, ele
apresenta pontos interessantes que podem ser aproveitados na formulação de ações, programas e políticas
públicas. É evidente que, em outros países, o debate sobre economia verde, empregos verdes, mitigação e
adaptação à crise climática está mais avançado do que no Brasil, especialmente devido à maior presença de
incentivos institucionais e à atuação de líderes menos negacionistas do que aqueles que ocuparam as cadei-
ras dos três poderes da República nos últimos anos. Conforme indicam as boas notícias das pesquisadoras, a
transição para a economia verde poderá gerar 60 milhões de novos empregos no mercado até 2030 (Nishi-
mura; Rowe, 2021). Esperamos que o Brasil faça parte desse processo.
5. CONCLUO
Os últimos anos ofereceram algumas pistas sobre a velocidade e os riscos que essas mudanças podem acar-
retar, sobretudo quando ocorrem na esfera ambiental. Na sociedade de risco descrita por Ulrich Beck (2011),
“ao longo de sua transformação tecnológico-industrial e de sua comercialização global, a natureza foi absor-
vida pelo sistema industrial” (Beck, 2011, p. 09). Essa absorção estabeleceu as bases para que a crise ambien-
tal se configure como a crise do nosso tempo (Leff, 2010). Diante dessa crise, a instabilidade passou a guiar
os passos de uma geração cada vez mais ansiosa em relação ao próprio futuro.
Por ser um elemento estruturante da condição juvenil (Guimarães, 2004), o trabalho é fundamental
para a construção da identidade do jovem. Nesse sentido, os empregos verdes podem contribuir para o
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desenvolvimento de uma identidade sustentável, isto é, uma identidade que considere o meio ambiente e a
necessidade de posicionamento diante da crise climática. Esse posicionamento, para além das escolhas indi-
viduais cotidianas, como a adoção de dietas vegetariana ou vegana, precisa contemplar as relações de pod-
er globais. Reduzir, reutilizar e reciclar são ações importantes, contudo, pouco eficazes enquanto grandes
empresas continuarem a utilizar combustíveis fósseis e consumirem quantidades exorbitantes de água na
produção de commodities, por exemplo.
Para não serem engolidos pela lógica do capital, os empregos verdes precisam assumir compromissos jun-
to aos governos para a efetivação de políticas públicas voltadas à juventude. Além disso, é essencial que
ofereçam novas formas de relação de trabalho, distintas das tradicionais, valorizando o/a trabalhador/a e
garantindo o cumprimento das leis trabalhistas, para que não se tornem meramente uma nova forma de
exploração, ou seja, apenas mais uma expressão de greenwashing. A geração desses empregos deve bene-
ficiar os/as trabalhadores/as jovens, mulheres, negras/os e a natureza – principais afetados pela lógica ex-
ploratória e pelas mudanças climáticas. Em suma, para que a juventude trabalhadora brasileira e o planeta
possam ter voz e vez, o emprego verde precisa ser um grande aliado.
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