30 anos da presença ancestral de Lélia Gonzalez entre nós: entre o fazer potico e a construção de agendas inegociáveis
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30 anos da presença ancestral de Lélia Gonzalez entre nós:
entre o fazer político e a construção de agendas inegociáveis
30 years of Lélia Gonzalez's ancestral presence among us: politics and the construction of non-
negotiable agendas
30 años de la presencia ancestral de Lélia Gonzalez entre nosotros: la política y la
construcción de agendas innegociables
Francisco Nonato do Nascimento Filho
1
ORCID: 0009-0004-6048-0189
Geyse Anne Souza da Silva
2
ORCID: 0000-0003-0530-5877
Resumo
Este artigo busca estabelecer um diálogo entre as escrevivências da prática militante e
as teorias que desafiam a lógica colonial, em linha com o pensamento de Lélia
Gonzalez. Reflete sobre o engajamento político dos Movimentos Negros e sua
capacidade de influenciar agendas não negociáveis ao longo dos últimos 30 anos.
Aprofundaremo-nos nos escritos teóricos de Gonzalez enquanto resgatamos, na
memória, as agendas, pautas, marchas e mobilizações que marcaram a trajetória de
ativistas e intelectuais negros, especialmente no Nordeste brasileiro. Utilizando uma
perspectiva militante, exploraremos as contribuições narrativas, teóricas e insurgentes
de Lélia Gonzalez para a formação política e afirmativa de toda uma geração que se
movimenta a partir da perspectiva amefricana, fundamental para o ato político de
erguer a voz e se aquilombar.
Palavras-chave: Lélia Gonzalez; Escrevivências; Nordeste; Amefricana.
Abstract
This article aims to establish a dialogue between the writings of militant practice and
theories that challenge colonial logic, in line with the thought of Lélia Gonzalez. It
reflects on the political engagement of the Black Movements and their ability to
influence non-negotiable agendas over the last 30 years. We will delve into Gonzalez's
theoretical writings while rescuing, from memory, the agendas, issues, marches, and
mobilizations that marked the trajectory of Black activists and intellectuals, especially
in the Brazilian Northeast. Using a militant perspective, we will explore the narrative,
theoretical, and insurgent contributions of Lélia Gonzalez to the political and
affirmative formation of an entire generation that moves from the African American
1
Graduando do curso de Licenciatura em Educação do Campo Ciências Humanas e Sociais pela Universidade
Federal do Espírito Santo. Natural de Fortaleza - Ceará, cria do Grande Pirambu, poeta e escritor negro. Idealizador
do Diálogos Negros e militante do movimento social negro brasileiro. E-mail: nonatofortaleza@gmail.com.
2
Mestranda em Sociologia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Bacharela em Humanidades pela Uni-
versidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB). Membro do Grupo Diálogos de
Extensão e Pesquisas Interdisciplinares (UECE/UNILAB). Idealizadora do Diálogos Negros e militante do Movi-
mento Negro Unificado. E-mail: geyseannedasilva@gmail.com.
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perspective, which is fundamental to the political act of raising one's voice and forming
collective resistance.
Keywords: Lélia Gonzalez; Writevivences; Northeast; Amefricana.
Resumen
Este artículo busca establecer un diálogo entre los escritos de la práctica militante y las
teorías que desafían la lógica colonial, en línea con el pensamiento de Lélia Gonzalez.
Reflexiona sobre el compromiso político de los Movimientos Negros y su capacidad
para influir en agendas no negociables a lo largo de los últimos 30 años. Nos
adentraremos en los escritos teóricos de Gonzalez mientras rescatamos, desde la
memoria, las agendas, los temas, las marchas y las movilizaciones que marcaron la
trayectoria de activistas e intelectuales negros, especialmente en el Nordeste brasileño.
Utilizando una perspectiva militante, exploraremos las contribuciones narrativas,
teóricas e insurgentes de Lélia Gonzalez para la formación política y afirmativa de toda
una generación que se mueve desde la perspectiva afroamericana, fundamental para
el acto político de levantar la voz y formar resistencia colectiva.
Palabras clave: Lélia Gonzalez; Escrevivências; Noreste; Amefricana
Memórias, leituras e águas: reencontrando Lélia Gonzalez em terras do Ceará
Dileta filha de Oxum
3
, Lélia Gonzalez tornou-se correnteza que possibilitou a constru-
ção de percursos formativos de encantamento para toda uma geração de jovens ativistas dos
Movimentos Negros, mulheres negras, estudantes cotistas, povos de terreiro, entre tantos ou-
tros. Segundo Gonzalez (1982, p. 18), falar de Movimento Negro implica o tratamento de um
tema cuja complexidade, dada a multiplicidade de suas variantes, não permite uma visão unitá-
ria. A presença ancestral e o olhar-convite de Lélia Gonzalez seguem sendo referência para os
ativismos negros na política e nas demarcações na produção de conhecimento.
O conceito de escrevivência, cunhado pela escritora negra Conceição Evaristo, é funda-
mento para o desenvolvimento desta escrita militante e engajada. Ela define a escrevivência
como um ato que emerge da experiência cotidiana da vida, memórias e lembranças, consti-
tuindo-se como uma escrita viva sobre questões que atravessam as vivências negras. Nossa
proposta é articular esse conceito à nossa escrita, visando recuperar caminhos e memórias nas-
cidos na periferia e no trânsito entre militância negra e produção acadêmica. Nessa encruzi-
lhada, o ativismo político e a escrita acadêmica convergem, permitindo que, nos últimos trinta
anos, graças a Lélia Gonzalez e à insubmissão intelectual de mulheres e homens negros, ocorra
3
Orixá feminina das religiões de matriz africana. Ela é a dona dos rios, das cachoeiras, do ouro, das cores douradas
e amarelas, da fertilidade feminina e do amor. As pessoas filhas de Oxum são pessoas de personalidade firme e
com liderança, trazendo doçura, delicadeza e características amorosas. Fonte: Brasil Escola. Disponível em:
https://brasilescola.uol.com.br/religiao/oxum.htm
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uma descolonização de olhares e uma (re)territorialização da produção intelectual e política,
desafiando estruturas hegemônicas.
Conceição Evaristo (2020) ressalta a importância da escrevivência em despertar pessoas
brancas que estiveram passivas, alertando que é hora de se levantar. Para ela, a escrevivência não
deve ser entendida como uma história tranquilizadora para os privilegiados, mas sim como algo
capaz de perturbá-los em seus sonhos injustos. Entre a negrada
4
do Ceará,lia Gonzalez circu-
lará nas rodas de conversa por meio dos Movimentos Negros, fortalecendose com a circulação
de mãos em mãos do livro “Retrato do Brasil Negro”, também conhecido como o “livro verme-
lho”, organizado por Alex Ratts e Flavia Rios (2010). Alex Ratts, sempre disposto aos convites
da juventude negra que adentrava a universidade, compartilhava o sentimento de alegria na che-
gada ao território acadêmico distante da negra gente e da produção teórica da negrada.
Lutas por educação, feitas pelos Movimentos Negros e por estudantes negros, permiti-
ram enegrecer salas de aula, referências de leitura e colocar na roda a intelectualidade insub-
missa negra em debate. Somos parte da geração que é cria
5
e construtora do Movimento Negro
Educador. Nilma Lino Gomes (2017) afirma que os movimentos negros são, em si, movimentos
educadores. Com o pretuguês
6
de Lélia Gonzalez e a nossa negro-cearensidade, tecemos escri-
tas subversivas para desmantelar as tecnologias racistas que buscam apagar nossa ancestrali-
dade. Esse processo de desmantelamento acontecia em mentes construídas em corpos-terri-
tório, previamente demarcados pela pedagogia de falar, articular e existir com nome e sobre-
nome, em todos os territórios que nossos corpos atravessavam e eram atravessados.
Essas demarcações foram e continuam sendo essenciais para enfrentar o racismo à bra-
sileira, que subalterniza vozes e presenças como parte da política de negar nossa existência
negra. Das salas de aula ao quarto de despejo
7
das periferias de Fortaleza, Lélia Gonzalez per-
manece viva em rodas de conversa, escritas acadêmicas, sambas-enredo, blocos de carnaval e
terreiros. Embora não tenhamos registros de sua presença física no Ceará, seu legado persiste
nas ações de formação política no Movimento Negro Unificado, fundado em 1995 no Ceará, e
nas conversas com Alex Ratts.
O professor Alex Ratts, como um griot
8
e filho de Xangô, compartilha sua experiência
com Lélia, instigando-nos a reencontrar sua escrita desobediente, e ir além, pois “é fundamental
4
Termo usado entre a militância do movimento negro para referenciar espaços de encontro e articulação política.
5
Termo usado nas periferias do Brasil para designar pessoas endógenas à comunidade referência.
6
Segundo Lélia Gonzalez, o pretuguês “nada mais é do que marca de africanização do português falado no Brasil”
(1988, p. 69).
7
Em alusão ao nome do livro Quarto de Despejo (1960), de Carolina Maria de Jesus.
8
São aqueles que contam as histórias, narram os acontecimentos de um povo, passando as tradições para as gera-
ções futuras. Fonte: <https://ocupacao.icnetworks.org/ocupacao/abdias-nascimento/o-griot/>
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ler mulheres negras do Nordeste” enfatizava, com mãos e olhos erguidos em pretuguês. Trinta
anos após sua presença ancestral, Lélia Gonzalez, a partir da política do encantamento e das
águas de Oxum, inspira uma geração de jovens negros intelectuais que articulam o pensamento
amefricano como campo teórico e prática política criativa. Segundo Gonzalez (1988), além de
seu caráter puramente geográfico, a categoria de Amefricanidade “incorpora um processo his-
tórico de intensa dinâmica cultural (adaptação, resistência, reinterpretação e criação de novas
formas) centrado na experiência africana” (p. 76).
Portanto, os deslocamentos epistemológicos enraizados na intelectualidade negra em
movimento no último período são marcados pelo afrorreferenciamento na produção teórica e
na formulação política de um projeto para pensar a realidade social brasileira. A produção teó-
rica de Lélia Gonzalez atualiza o projeto de emancipação do povo brasileiro das amarras da
exploração e opressão sobre corpos e territórios dissidentes da lógica colonial. É evidente que
aqueles 'de cabeça feita' pelos textos-mundo de Lélia Gonzalez, ao som do Ilê Aiyê, seguem a
dança rebelde que movimenta o corpo entre o teórico e o prático, com o objetivo de descolonizar
mentes, olhares e escritas para colocar em cena e reconhecer nosso poder ancestral.
Luiza Bairros
9
(2000) chama nossa atenção para o papel da militância negra no artigo
“Lembrando Lélia Gonzalez 1935-1994”, destacando a contribuição de Lélia e outros militantes
negros para nossa história contemporânea, que ainda não foi devidamente avaliada e reconhe-
cida. Este artigo, em torno de nossas escrevivências, entregamos ao balaio de Oxum para adoçar
nossas vidas e afiar nossas nguas e escritas, desestruturando a ordem patriarcal, racista, LGB-
Tfóbica e capitalista que ameaça a existência amefricana. Nossa escrita segue encruzilhada com
os sonhos, sorrisos e sambas do cotidiano, como remédio caseiro produzido pelas nossas Iyás
10
diante do adoecimento do corpo e da alma da negra gente. Encontramos Lélia Gonzalez nas
ruas, becos e vilas da Fortaleza negra e nordestina, que continuam em luta contra a negação de
nossas existências e produção teórica e acadêmica.
Fazendo cabeça com Lélia Gonzalez: negra presença amefricana em movimento
“Fazer cabeça” é uma expressão utilizada nas comunidades tradicionais de terreiro para
descrever o ato de iniciação no candomblé para o Orixá. Para ser iniciado, é necessário
9
Luiza Helena Bairros é socióloga e foi ministra da Secretaria de Políticas de Promoção de Igualdade Racial (2011-
2015), liderança do Movimento Negro Unificado (MNU), do movimento de mulheres negras e latino-americanas.
10
Se refere à mãe nas comunidades tradicionais de terreiro no Brasil.
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pertencer a uma família de axé e se entregar aos cuidados da Iyalorixá
11
ou do Babalorixá
12
e
da comunidade. O ato de iniciação envolve a entrega aos mistérios dos orixás e aos encanta-
mentos necessários para assumir um novo nome e identidade no mundo. “Fazer cabeça” é re-
nascer com nome e sobrenome para atuar de forma coletiva e reterritorializada.
Somos parte da geração que “faz cabeça” pelas mãos e voz de Lélia Gonzalez para 'en-
trar em cena' e atuar de forma coletiva, teorizando sobre as questões da comunidade negra e
projetando movimentos emancipatórios. A “feitura de cabeça” é parte do ato político e forma-
tivo que possibilita que corpos e vozes coletivas, dissidentes da matriz de pensamento e práticas
eurocêntricas, formulem perspectivas e leituras de mundo ancoradas na experiência cotidiana
de pessoas negras, LGBTQIAPN+, povos indígenas, etc., enquanto territorialidades de novas
possibilidades epistemológicas.
Lélia Gonzalez (2020) destaca a importância dos Movimentos Negros como espaço es-
sencial para discutir e desenvolver uma consciência política sobre o racismo, suas práticas e
sua interligação com a exploração de classe. Na política do encontro, são forjadas as cabeças
em corpos dissidentes. Na ação política e na condução das iniciativas de organização negra, é
possível construir diálogos e aprendizados para forjar coletividades negras conscientes de seu
papel e lugar em sistemas de opressão e exploração.
Os Movimentos Negros no Brasil são essa dicisa
13
, onde é possível deitar para fazer
cabeça e articular o pensamento, pois se trata da nossa história e da possibilidade de reescrevê-
la em movimento, utilizando as epistemologias amefricanas para não reproduzir ou produzir a
gramática do opressor carregada de racismo, sexismo e lgbtfobia.
A trajetória desse movimento vem se caracterizando pelo dinamismo, pela elaboração e re-
elaborão, em cada conjuntura histórica, de diversas estratégias de luta a favor da integra-
ção do negro e erradicão do racismo na sociedade brasileira (Domingues, 2007, p. 122).
Portanto, em diálogo com Domingues (2007), esse movimentação só é possível demar-
cando nossa presença-mundo nas espacialidades acadêmicas e no Movimento Negro, na ocu-
pação da política institucional e em todos os lugares de trânsito que possibilitem afirmar nosso
pertencimento amefricano e potencializar vozes. É na agitação da negra militância que é possí-
vel desenvolver a escrita subversiva que apresenta outras categorias de análise sobre a realidade
brasileira, com ênfase na experiência dos povos indígenas e negros, como um ato político-epis-
temológico com o objetivo de combater as estruturas do racismo. É “por que pra gente
11
Termo utilizado para mulheres que estão na condução de terreiros de candomblé.
12
Termo utilizado para homens que estão na condução de terreiros de candomblé.
13
Nome utilizado para se referir à esteira em comunidades de Candomblé.
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entender a ideologia do branqueamento, a lógica da dominação da negrada mediante a interna-
lização e a reprodução dos valores brancos” (Gonzalez, 1984, p. 89).
O ato de entender a ideologia do branqueamento e seu impacto na sociedade e nos lu-
gares “progressistas” de trânsito da negra militância contribui para as nuances e significados do
impacto ideológico e social do racismo à brasileira. Em seu texto “Branqueamento e Branqui-
tude no Brasil”, Cida Bento (2016) trata da perpetuação do poder dominante baseado nas rela-
ções raciais por meio de um pacto: “um acordo tácito entre os brancos de não se reconhecerem
como parte absolutamente essencial na permanência das desigualdades raciais no Brasil”
(Bento, 2016, p. 02). Segundo Cida Bento,
o silêncio, a omissão, a distorção do lugar do branco na situação das desigualdades ra-
ciais no Brasil têm um forte componente narcísico, de autopreservação, porque vem
acompanhado de um pesado investimento na colocação desse grupo como grupo de re-
ferência da condição humana. (...) Freud identifica a expressão do amor a si mesmo, ou
seja, o narcisismo, como elemento que trabalha para a preservação do indivíduo e que
gera aversões ao que é estranho, diferente (Bento, 2016, p. 06).
Segundo Gonzalez, nós negros estamos na “lata de lixo da sociedade brasileira, pois
assim determina a lógica da dominação” (Gonzalez, 1984, p. 77). Essa mesma lógica de domi-
nação implica a eliminação física e intelectual, pois o lugar do lixo, do descartável continua
sendo a norma em todos os espaços por onde a presença negra transita constantemente.
As vivências negras em movimento nos espaços públicos, de incidência política e pro-
dução teórica têm possibilitado a construção de análises afrocentradas sobre presença, perfor-
mance e olhares. Lelia Gonzalez continua sua obra de 'fazer cabeça' e cortar línguas para que o
corpo negro, agora territorializado em terras e águas amefricanas, possa se mover em sua negra
potência, articulada esteticamente na perspectiva do feminismo negro.
“Isso é fala agitativa, cadê os conceitos?”: olhar branco sobre nosso negro-falar
“— Era manhã de sexta-feira e o auditório da universidade tava cheio de gente pra dis-
cutir sobre racismo no Ceará. Tinha gente de todos os campos políticos da cidade, teve
até gente branca na sala. A negrada toda estava agitada na sala para resolver as questões
de passagem de ônibus do pessoal, garantir alimentação, onde o pessoal vai dormir.
Todas essas coisas de organização de evento que toma conta da cabeça da gente. O
pessoal da mesa era gente do MNU e tinha dois pesquisadores sobre negritudes, com
pós-doutorado e tudo. Rapaz, tinha gente de todas as áreas pra escutar a negrada falar…
nem sei se por curiosidade ou admiração. As pessoas do MNU que iam falar eram três
mulheres negras que tinham chegado umas 3 horas antes pra organizar o espaço, orna-
mentar e conferir tudo. O evento foi um sucesso, de alto debate… depois a turma foi
tomar uma cerveja com os amigos e aliados, cerveja vai e cerveja vem… um deles disse
“a conversa foi boa”, mas é preciso que sejam falas orientadas pelas categorias de aná-
lise da realidade brasileira e referenciadas em teóricos do pensamento social brasileiro
e não em falas agitativas… aquela menina é boa e precisa de formação política pra ela
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ajudar a gente a formular pro nosso campo… ela só quer ler a Léia Gonçalves. É Léia,
né, o nome dela? A cerveja acabou e a mesa virou…”
14
(Autores, 2024).
O episódio vivenciado retrata as expectativas coloniais daqueles que esperam que a ne-
grada em movimento desloque seu pensamento e seu repertório para os intérpretes brancos da
realidade brasileira, e que trate as questões dentro desses termos e categorias. A militância negra
e acadêmica que contribui em espaços de formação, rodas de debate e diálogos vivencia na pele
os demarcadores do 'Lugar de Negro'; ou seja, o microfone, a mesa e os livros não fazem parte
da estética do corpo que fala. A branquitude, mesmo a progressista, fica impaciente com os
deslocamentos teóricos e epistemológicos provocados pela presença negra que desafia escritas
e interpretações desracializadas da realidade brasileira.
A fala das coletividades negras, ousadas em ocupar as mesas e segurar o microfone, é
permeada por uma rie de desqualificações no pós-evento ou espaço; logo, a fala é colocada
no campo das emoções, do subjetivo, da sensibilidade e sem capacidade de articulação teórica,
como parâmetro de validação da exposição. Lélia Gonzalez afirmava que “o risco que assumi-
mos aqui é o do ato de falar com todas as suas implicações” (Gonzalez, 1984, p. 77). Os riscos
de falar e posicionar o corpo-coletivo negro no mundo, assumindo todas as consequências desse
lugar, possibilitam movimentar, entre nós e na sociedade, uma radical imaginação política e
teórica sobre nós mesmos e redefinir agendas inegociáveis.
A presença da intelectualidade negra orgânica tem como um dos seus demarcadores a
capacidade de tensionar a questão racial em espaços que historicamente foram teorizados ape-
nas pela ótica da branquitude, que desenvolveu seu percurso narrativo em torno de estudos
'sobre o problema do negro no Brasil'. É crucial destacar que, a partir da década de 50 do século
passado, a presença da intelectualidade negra subverteu a leitura das questões das relações ét-
nico-raciais e do racismo, referenciada pelo olhar e pela experiência de negras e negros, pas-
sando a sistematizar e disputar os sentidos em torno da questão racial no Brasil.
O deslocamento político realizado nos últimos trinta anos, graças a Lélia Gonzalez e
tantas outras mulheres negras intelectuais insubmissas em movimento, possibilitou que gera-
ções inteiras recuperasse a voz, a escrita e o poder de mobilizar agendas de incidência política
carregadas de conteúdos, sentidos e projetos societários. Os corpos negros-teóricos em movi-
mento insurgem dos lugares que historicamente foram teorizados e sistematizados pela branca
‘gente-boa’.
14
Essa história faz parte das memórias partilhadas entre os autores.
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A intelectualidade negra em movimento, ao assumir seu devido lugar na mesa e na es-
crita acadêmica, posiciona-se como agente histórico que movimenta e politiza o espaço de so-
cialização e construção de narrativas teóricas e práticas para desmantelar a ótica colonial racista.
Não se trata apenas de emoção. É sobre corpos marcados para morrer, ser encarcerados e in-
fantilizados no exercício da fala e do ato de falar, escrever, sistematizar e disputar. O ato de
teorizar, sistematizar e mobilizar a negra gente passa pelo corpo-cabeça e voz, pois temos a
língua cruzada nas mandingas do pretuguês, que é portadora deste axé que desperta cabeças
para a feitura pelas mãos de Lélia Gonzalez, a criadora de caos!
Feitos por Lelia Gonzalez e na dicisa dos Movimentos Negros: os negro-cearenses
na construção de espacialidades, epistemologias, sambas e política
O estado do Ceará é tão marcado pelo racismo e pela invisibilidade da presença negra
que foi necessária muita luta para afirmar direitos e visibilidade. Aqui, a 'intelectualidade' e os
'cânones' cearenses também se utilizaram do racismo científico presente nas Ciências Sociais e
em diversas áreas do conhecimento acadêmico e político para negligenciar os históricos de
massacres e de coletividades.
Segundo Ratts (2011), a invisibilidade negra (e indígena) no Ceará é um discurso geo-
gráfico e político. Se nãonegros, não há movimento, história e direitos dos negros. Porém,
é nesse território que presenciamos a forma mais criativa de Amefricanidade, pois a existência
e resistência dos povos indígenas, negros e africanos se fazem presentes nas mais diversas épo-
cas de nossa história.
Atualmente, o Ceará está organizado em 5 macrorregiões (Fortaleza, Norte, Cariri, Ser-
tão Central, Litoral Leste e Vale do Jaguaribe), com uma população indígena estimada em cerca
de 36 mil pessoas, pertencentes a 15 povos indígenas Anacé, Gavião, Kanindé, Kariri, Tre-
membé, Tapeba, Jenipapo-Kanindé, Pitaguary, Kalabaça, Karão, Tapuia-Kariri, Tubiba-Ta-
puia, Potyguara, Tabajara e Tupinambá, de acordo com os dados do Censo Demográfico do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2022.
Quanto às comunidades quilombolas, foram registrados 23.955 quilombolas distribuí-
dos em 68 dos 184 municípios do estado. Destacam-se as cidades com maior número de rema-
nescentes quilombolas, como Caucaia (2.615), Horizonte (2.282), Salitre (1.804), Tururu
(1.804), Tauá (1.069), Novo Oriente (1.053) e Aracati (1.016). Além disso, o Censo Demográ-
fico de 2022 revelou que, no Ceará, 5.690.973 pessoas declararam-se pardas (64,7%),
2.456.214 brancas (27,9%), 595.694 pretas (6,8%), 56.372 indígenas (0,6%) e 11.256 amarelas
(0,1%), o que significa que 71,5% da população se identifica como negra.
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Esses dados recentes nos ensinam algumas lões. Primeiramente, eles desmentem a 'histó-
ria oficial' do Cea, que tem negado a presença negra e indígena, demonstrando que, ao longo dos
anos, a população negra tem afirmado cada vez mais seu lugar e identidade. Em segundo lugar,
podemos colocar essa conquista na lista de vitórias alcançadas pela luta dos Movimentos Negros
organizados no Brasil, visto que os dados do Censo de 2022 refletem um aumento na autodeclara-
ção de pardos e pretos, o que se observa em todo o Brasil, incluindo o Ceará.
É por isso que a presença de Lélia Gonzalez é o crucial e relevante nas discussões
sobre a questão racial no Ceará, pois, com ela, o ativismo dos Movimentos Negros pôde perce-
ber, de forma mais clara, a violência racial, manifestada na negação da presença negra, indígena
e africana. Por exemplo, os mapeamentos das comunidades negras, realizados por Alex Ratts
em 1998 por indicação da Comissão Nacional Provisória de Articulação das Comunidades Ne-
gras Rurais Quilombolas, resultaram no resgate da ancestralidade e na afirmação da identidade
quilombola em diversos territórios no interior do Ceará. Posteriormente, muitos desses locais
foram reconhecidos como remanescentes quilombolas, como é o caso do Quilombo de Concei-
ção dos Caetanos, na cidade de Tururu, mencionada entre as cidades com maior presença qui-
lombola conforme os dados apresentados anteriormente.
A Terra da Luz continua sendo um espo de ocupação negra diaspórica, onde a presea
de africanos das mais diversas nacionalidades do continente africano é parte do dia a dia, principal-
mente na região do Maciço de Baturi, onde se localiza a Universidade da Integração Internacional
da Lusofonia Afro-brasileira (UNILAB), criada no dia 20 de julho de 2010 pela Lei nº 12.289,
pom só começou a funcionar dia 25 de maio de 2011, dia estadual da África no Cea.
Portanto, essas ações mostram como a atuação de pessoas amefricanas em prol da sua co-
munidade tem consequências diretas para s mesmos, a exemplo do mapeamento da presença
quilombola no Ceará e também com ações de reparão histórica aos povos africanos e afro-brasi-
leiros, a partir da crião de uma universidade que tem impacto significativos na construção de uma
nova e negra narrativa sobre o estado do Ceará. É nessa construção criativa e concreta da amefrica-
nidade que lia Gonzalez continua esse caminhar em terras cearenses, pois, em 2018, diversos
Movimentos Negros, em Fortaleza e na Unilab, tiveram uma tarefa hisrica de construir a “Marcha
Contra o Racismo” rumo ao rum Social Mundial, que teve como tema “Resistir é criar, resistir é
transformar!” e aconteceu nos dias 13 e 17 de março em Salvador (BA).
Foi nesse processo que tivemos a fundação do Bloco Lélia Gonzalez”, com objetivo
de divulgar as obras da intelectual e o seu papel imprescindível para a formação do Movimentos
Negros no Brasil, fazendo parte da mobilização ativa para a Marcha. A autora do livro “Festas
Populares no Brasil” materializou-se mais uma vez pelas mãos de ativistas em pleno pré-
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carnaval na Praça da Gentilândia, no bairro Benfica, em Fortaleza, e nas ruas do Centro de
Fortaleza, no ato do dia 8 de março, dia internacional das mulheres.
Um ano após o sucesso da articulação da “Marcha Contra o Racismo” em 2019, foi
fundada a iniciativa Diálogos Negros, com intuito de organizar espaços de formação política e
interação entre a negrada do Ceará, pois foi sentida a necessidade de promover ambientes que
fortalecessem a produção intelectual de e para pessoas negras (Aguiar, 2021, p. 56). E, para a
terceira atividade, o tema escolhido foi "O Pensamento de Lélia Gonzalez". Para contribuir com
isso, convidamos uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado no Ceará e uma profes-
sora do Instituto Federal do Ceará, também associada ao MNU Ceará, para apresentar à nova
geração de militantes a importância do pensamento de Lélia Gonzalez na interpretação da rea-
lidade brasileira e no papel do feminismo negro como contribuição teórica e prática para com-
bater a violência racial.
Essas ações foram essenciais para o protagonismo das mulheres dentro e fora do Movi-
mento Negro Unificado no Ceará, pois nossos corpos e vozes tomaram a frente para afirmar a
necessidade de uma atuação do MNU que tenha como centralidade a questão das mulheres
negras. É imprescindível demarcar que o feminismo negro ganha contornos específicos a partir
da experiência de mulheres negras do Ceará e de seu trânsito nos movimentos de mulheres
negras em nível regional e nacional. Afirmar o lugar da elaboração teórica e ativista a partir do
feminismo negro é posicionar-se em chaves de leitura e proposições ancoradas na experiência
histórica das mulheres negras.
Em 2022, na UNILAB, por iniciativa de professoras negras, foi lançado o Projeto de Ex-
tensão “Lélia Gonzalez, Presente! Projeto de Formação Interdisciplinar, Intelectual e Política sobre
o Pensamento Feminista Negro, Conhecimento e Empoderamento de Mulheres Negras”. O objetivo
é promover o empoderamento intelectual e político de mulheres negras, por meio de formação e
estudos sobre o “Pensamento Feminista Negro no Brasil, na Comunidade dos Pses de ngua
Portuguesa, América Latina e Arica do Norte”, para juntas refletir e disseminar a produção inte-
lectual e ativista de diversas mulheres negras. Essa ão de extensão alcaou estudantes não só da
UNILAB, utilizando salas virtuais como ponto de encontro a cada primeiro bado do s ao longo
de um ano. Durante a segunda edição, algumas estudantes tiveram a oportunidade de desempenhar
o papel de formadoras, expondo suas pesquisas em dlogo com outras intelectuais.
Portanto, o enegrecimento apresentado sobre o estado do Ceará e as ações referenciadas
em Lélia Gonzalez falam das nossas vivências, experiências e ações político-intelectuais, fa-
zendo parte de um conjunto de iniciativas promovidas por pessoas negras que visam a construir
escritas insubmissas. Ao mesmo tempo, tem como perspectiva fortalecer os processos de
30 anos da presença ancestral delia Gonzalez entre s: entre o fazer político e a construção de agendas inegociáveis
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mobilidade de negras e negros em espaços acadêmicos e do movimento social. O artigo apre-
sentado insere-se na discursividade comprometida com processos de resistência e incidência
política em torno de pautas inegociáveis, inspiradas na militância de Lélia Gonzalez, que rever-
bera nas tarefas de sistematização e continuidade que assumimos, seja na leitura e aprofunda-
mento teórico, seja nos processos organizativos de resistência frente à violência racial e colo-
nial.
Resistência negra em pautas inegociáveis: continuidades com Lélia Gonzalez
Pretendemos, com o presente artigo, colocar em debate o papel central de Lélia Gon-
zalez na formação da militância amefricana e na construção de pautas inegociáveis, que, no
último período, têm se afirmado por meio da construção de territórios demarcados e reconhe-
cidos pelo feminismo afro-latino-americano. Esse campo teórico, organizado a partir do pensa-
mento de Lélia Gonzalez, vem possibilitando a construção de metodologias amefricanas como
chave de leitura para interpretar a formação social brasileira.
A continuidade das agendas inegociáveis só é possível através da formação das intelec-
tualidades negras orgânicas e sua profunda relação com seus territórios de vivência. Localizar
e situar nossa leitura considerando o sexismo e o racismo é fundamental para entender as espe-
cificidades de como o racismo, enquanto ideologia, afeta, de diferentes formas, as comunidades
negras. Lélia Gonzalez provoca: “O lugar em que nos situamos determinará nossa interpretação
sobre o duplo fenômeno do racismo e do sexismo” (Gonzalez, 2020, p. 76). É essencial a cons-
trução de espaços que reterritorializam a produção teórica e o ativismo político da militância
negra para superar óticas cristalizadas que desconsideram o sexismo e o racismo como partes
da mesma matriz epistêmica.
É fundamental compreender o papel necessário que essa agenda tem para a continuidade
da formação da intelectualidade orgânica negra. Recuperar a voz e a escrita coletiva sobre nós
é essencial para interromper aqueles que acreditam que o corpo negro é descartável. A experi-
ência negra, que se movimenta, traduz suas percepções através do seu corpo-texto, da sua po-
sição no mundo e da profunda arte de tensionar para o bem-viver da coletividade negra.
A experiência negra o é matéria de ficção, mas uma realidade vivida amefricana enquanto
texto autoral inegociável, que possibilita disputar projetos de mundo referenciados nas diversas for-
mas de resistência e quilombagem na diáspora. As afirmações apresentadas só foram possíveis de
ser sistematizadas por conta do aquilombar da intelectualidade negra, forjada na experiência que
apresenta alternativas. A continuidade da ão estragica e autônoma dos Movimentos Negros
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brasileiro é inegociável para possibilitar articulões e mobilizações frente ao aumento da letalidade
do Estado, da violência policial e do encarceramento da juventude negra.
A posição aqui definida como inegociável tem como objetivo salvaguardar o patrimônio
ancestral do povo negro, especialmente das mulheres negras. Essa posição movimenta nossas
escritas e vivências, disputando e desmontando narrativas de subalternização das vidas da nossa
produção social negra. O lugar que ocupamos na produção acadêmica, na militância política
nos Movimentos Negros e na disputa de projetos permite trazer, para o texto, nossa atuação nas
diversas frentes e territórios do saber.
É inegociável que nossas escritas negras sejam desconsideradas enquanto fortaleza e
referência para forjar humanidades e pensamento crítico. O texto-território apresentado é ins-
pirado na presença ancestral de Lélia Gonzalez entre nós, a negrada do Ceará. Os diversos
eventos acadêmicos e no âmbito do movimento social negro, organizados por nós, demonstram
a centralidade do pensamento de Lelia Gonzalez para pensar nossas especificidades enquanto
negritudes do Ceará e sistematizar nossas experiências com o racismo à brasileira.
Não temos o objetivo de concluir o texto, mas sim de seguir no Xirê
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de possibilidades
através da sonoridade dissidente da colonialidade. O texto faz-se organização e meria ao mesmo
tempo que socializa o sensível nosso em diálogo com categorias de alise necessárias para a cons-
trução de agendas inegociáveis em torno do fazer acadêmico, da escrita e das tecnologias.
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Recebido em 21/07/2024
Aprovado em 17/12/2024
Publicado em 31/12/2024