Quando a cidade se torna sala de aula: o ensino de Sociologia para além dos muros da escola
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Quando a cidade se torna sala de aula: o ensino de
Sociologia para além dos muros da escola
When the city becomes a classroom: teaching Sociology beyond school walls
Cuando la ciudad se convierte en un aula: enseñar Sociología s al de los muros de la escuela
Francisca Marcia Gabrielle Alves Freitas
1
ORCID: 0000-0003-4903-9929
Francisco Willams Ribeiro Lopes
2
ORCID: 0000-0002-9979-0174
Resumo
O presente trabalho trata-se de uma intervenção pedagógica desenvolvida com
turmas de ensino médio no tempo e espaço de um componente curricular eletiva,
denominada Rolê Sociológico. Essa intervenção foi realizada no interior do estado do
Ceará, na cidade de Canindé, que é conhecida internacionalmente pela realização da
romaria e da festa de São Francisco. A referida experiência objetiva mostrar como a
cidade é um ambiente pedagógico fértil para o desenvolvimento do modo sociológico
de pensar. A metodologia de ensino utilizada na construção da intervenção foi a
didática para uma pedagogia histórico-crítica, por ser considerada uma orientação
pedagógica que atende aos objetivos do ensino da Sociologia na educação básica.
Junto a isso, também foi utilizada a técnica de aplicação de questionários, um no início
e outro no final, objetivando identificar o conhecimento prévio dos participantes e
verificar o aprendizado sociológico. Ademais, para auxiliar outros docentes na
construção desse tipo de intervenção, este trabalho apresenta a metodologia
designada Sociologia Local, que consiste em um conjunto de procedimentos que
orientam o planejamento de um Rolê Sociológico, considerando as condições da
própria realidade educacional. A partir do desenvolvimento da sequência didática
proposta e da análise dos dados obtidos, foi possível identificar uma mudança de
postura por parte dos estudantes que, aos poucos, conseguiram relacionar sua
biografia com fenômenos sociais da cidade e se utilizar das ferramentas
1
Graduação em Ciências Sociais (Licenciatura) pela Universidade Federal do Ceará (2018), mestrado em Socio-
logia pelo Mestrado Profissional de Sociologia em Rede Nacional (PROFSOCIO/UFC) e pós-graduação lato sensu
em Metodologias Interdisciplinares e Interculturais para o Ensino Fundamental e Médio (UNILAB). Foi bolsista
de Iniciação à Docência (PIBID) na área de Sociologia de 2016 a 2018 e professora de Sociologia na rede pública
cearense de 2019 a 2023. Atualmente, é professora temporária do Curso de Ciências Sociais na Universidade
Estadual Vale do Acaraú (UVA) na área de Ensino de Sociologia e integrante do Laboratório de Estudos em
Política, Educação e Cidade (LEPEC/UFC). Tem interesse nas temáticas: Ensino de Sociologia, Sociologia da
Educação e Sociologia do Currículo. E-mail: marciagabriellecs@gmail.com
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Sociólogo, graduado em Ciências Sociais (2010), mestre em Sociologia (2013) e doutor em Sociologia (2019)
pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Fe-
deral do Ceará (UFC) e do Mestrado Profissional de Sociologia em Rede Nacional (Profsocio). Pesquisador do
Laboratório de Estudos em Política, Educação e Cidade (Lepec). Atua na área de Teoria e Prática de Ensino em
Ciências Sociais e na linha de pesquisa Práticas de ensino e conteúdos curriculares. Coordena a área de Sociologia
do Programa Residência Pedagógica PRP/UFC e realiza pesquisas sobre cidade, patrimônio, turismo, comunidades
tradicionais, educação, currículo, ensino de Sociologia e interiorização de atividades CTI no estado do Ceará. E-
mail: lopes.willams@ufc.br.
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epistemológicas do estranhamento e da desnaturalização, desenvolvendo, assim, o
modo sociológico de pensar.
Palavras-chave: Intervenção Pedagógica. Sociologia. Escola. Cidade. Ceará.
Abstract
The present work is a pedagogical intervention developed with high school classes in
the time and space of an elective course calledRolê Sociológico”. This intervention was
carried out in the interior of the state of Ceará, in the city of Canindé, which is known
internationally for holding the Pilgrimage and the Saint Francis Party. This experience
aims to show how the city is a fertile pedagogical environment for the development of
the sociological way of thinking. The teaching methodology used in the construction of
the intervention was the didactics for a historical-critical pedagogy, as it is considered a
pedagogical orientation that meets the objectives of teaching Sociology in basic
education. Along with this, the technique of applying questionnaires was also used, one
at the beginning and another at the end, with the objective of identifying the
participants' prior knowledge and verifying sociological learning. Furthermore, to assist
other teachers in the construction of this type of intervention, this work presents a
methodology called Local Sociology, which consists of a set of procedures that guide
the planning of a “Rolê Sociológico” taking into account the conditions of the
educational reality itself. From the development of the proposed didactic sequence and
the analysis of the data obtained, it was possible to identify a change in attitude on the
part of the students who, little by little, were able to relate their biography with social
phenomena in the city and use the epistemological tools of estrangement and
denaturalization, thereby developing the sociological way of thinking.
Keywords: Pedagogical Intervention. Sociology. High School. City. Ceará.
Resumen
El presente trabajo es una intervención pedagógica desarrollada con clases de
secundaria en el tiempo y espacio de un componente curricular optativo denominado
Rolê Sociológico. Esta intervención se llevó a cabo en el interior del estado de Ceará,
en la ciudad de Canindé, conocida internacionalmente por la realización de la Romería
y la Fiesta de San Francisco. Esta experiencia pretende mostrar cómo la ciudad es un
entorno pedagógico fértil para el desarrollo del pensamiento sociológico. La
metodología de enseñanza utilizada en la construcción de la intervención fue la
didáctica de una pedagogía histórico-crítica, por considerarse una orientación
pedagógica que cumple con los objetivos de la enseñanza de la Sociología en la
educación básica. Junto a esto, también se utilizó la técnica de la aplicación de
cuestionarios, uno al inicio y otro al final, con el objetivo de identificar los
conocimientos previos de los participantes y verificar el aprendizaje sociológico.
Además, para ayudar a otros docentes en la construcción de este tipo de intervención,
este trabajo presenta la metodología denominada Sociología Local, que consiste en un
conjunto de procedimientos que orientan la planificación de un Ro Sociológico
considerando las condiciones de la propia realidad educativa. A partir del desarrollo
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de la secuencia didáctica propuesta y del análisis de los datos obtenidos, se pudo
identificar un cambio de actitud por parte de los estudiantes quienes, poco a poco,
lograron relacionar su biografía con fenómenos sociales de la ciudad y utilizar las
herramientas epistemológicas del extrañamiento y la desnaturalización, desarrollando
así la forma de pensar sociológica.
Palabras clave: Intervención Pedagógica. Sociología. Escuela. Ciudad. Ceará.
1. Introdução
Este trabalho resulta de uma intervenção pedagógica desenvolvida no âmbito do Mestrado
Profissional de Sociologia em Rede Nacional (ProfSocio)
3
, junto a jovens estudantes da Escola
de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Capelão Frei Orlando, localizada em Canindé no
sertão cearense, no segundo semestre do ano letivo de 2022
4
. A intervenção pedagógica, deno-
minada Rolê Sociológico
5
, se utilizou do tempo e espaço de um componente curricular eletivo
para realizar uma sequência didática, cujo objetivo principal foi o desenvolvimento do “modo
sociológico de pensar” a partir de reflexões sobre a cidade e os espaços urbanos.
Baseando-se na prática realizada por uma professora de Sociologia e em reflexões teó-
ricas das Ciências Sociais, este artigo objetiva mostrar a cidade como um ambiente fecundo
para o processo de ensino e aprendizagem da Sociologia na educação básica. Neste trabalho, o
recorte foi a cidade de Canindé em sua área urbana mais ampla, contudo, em caso de realização
do Rolê Sociológico em outros contextos e unidades administrativas, como bairros, zonas, dis-
tritos, setores e comunidades, podem ser tomadas como objeto dessa intervenção pedagógica.
Tendo em vista que “rolê” refere-se a uma gíria popular que significa um “pequeno
passeio” (Silva, 2017), o Rolê Sociológico entende a cidade como um espaço fértil para as
discussões sociológicas na medida em que caminhamos por ela, refletimos sobre suas dinâmicas
e apreendemos as relações sociais entre os diversos atores nos espaços urbanos a partir do es-
tranhamento e da desnaturalização, princípios epistemológicos do processo de aprender a pen-
sar sociologicamente.
Entendemos o “modo sociológico de pensar” como a capacidade de estranhar e proble-
matizar a realidade social em que se está inserido, relacionando-a com sua história de vida, tal
3
O ProfSocio é um mestrado profissional oferecido gratuitamente, em nível de pós-graduação stricto sensu, cujo
objetivo é desenvolver nos professores de Sociologia do ensino médio as competências para conceber e executar
uma aula de acordo com a legislação vigente e o projeto político pedagógico da escola onde atuam. No ano de
2023, o ProfSocio conta com 15 instituições associadas nas cinco regiões do Brasil.
4
A referida escola foi fundada em 1976 e atua como EEMTI desde o ano de 2017. A instituição está situada no
bairro Imaculada Conceição, na cidade de Canindé, e atende a população circunvizinha e moradores da zona ur-
bana e rural. No ano da pesquisa, a escola contava, aproximadamente, com 515 estudantes, distribuídos nas três
séries do ensino médio, e 29 docentes.
5
Para leitura completa do percurso desta intervenção pedagógica, consultar Freitas (2023).
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como sugere Mills (1959) ao desenvolver o conceito de “imaginação sociológica”. Aqui, im-
plica compreender a relação entre trajetórias pessoais e a estrutura social mais ampla.
Barreira (2014) afirma que
[p]ensar sociologicamente supõe, portanto, perceber que os acontecimentos são partes
de um processo construído ao longo do tempo, dentro de processos históricos. Uma
espécie de estoque de eventos e situações que repercutem, influenciam ou se associam
em momentos posteriores (Barreira, 2014, p. 68).
Essa habilidade está, portanto, ligada à ampliação dos conhecimentos a respeito da vida
social e seus mecanismos de funcionamento (Barreira, 2014). Deste modo, ter aulas sobre a
cidade nos próprios espaços urbanos, possibilita ao estudante desenvolver uma conexão entre
sua história e a sociedade em que vive.
Desse modo, as principais questões que nortearam este trabalho foram: a cidade é um
ambiente pedagógico propício para fortalecer o processo de ensino e aprendizagem da Sociolo-
gia? Como é possível aprender Sociologia com a cidade? Quais princípios pedagógicos e meto-
dológicos podem orientar docentes para desenvolver o Rolê Sociológico em suas localidades?
2. Metodologia
A intervenção pedagógica em questão foi realizada na cidade de Canindé, situada no
interior do estado do Ceará, aproximadamente 110 km da capital, Fortaleza. Canindé possui em
média 78 mil habitantes e tem como principal marca a presença da romaria religiosa a São
Francisco das Chagas, que acontece durante o ano inteiro, mas se intensifica no período da
Festa de São Francisco, que ocorre entre os meses de setembro e outubro. Estima-se que, anu-
almente, a cidade receba cerca de 3 milhões de devotos, principalmente no período da festa.
Deste modo, Canindé tem seus aspectos históricos, culturais, econômicos, de lazer e turismo
diretamente ligados à romaria religiosa.
Tendo em vista que se trata de uma sequência didática, o Rolê Sociológico foi possível
porque o currículo das EEMTI
6
no Ceará ofertam componentes curriculares eletivos. As com-
ponentes eletivas são ofertadas semestralmente, com duas horas aula semanais e têm como
principal objetivo possibilitar ao jovem aprofundar temas, experiências e vivências das diversas
áreas do conhecimento (Ceará, 2016). A Secretaria de Educação do Estado do Ceará (SEDUC)
disponibiliza catálogos com sugestões de eletivas, bem como ementas com um planejamento
6
O currículo das EEMTI no Ceará é formado por componentes da base comum, chamada de Formação Geral
Básica (Sociologia, História, Língua Portuguesa etc.), e da parte diversificada, os Itinerários Formativos (Trilhas
de Aprofundamento, cleo de Trabalho, Prática e Pesquisa Social (NTPPS), Formação para a Cidadania e as
Eletivas).
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inicial. Apesar disso, os(as) professores(as) podem ofertar componentes que atendam aos inte-
resses de aprendizagem dos estudantes.
A partir do cronograma letivo do segundo semestre de 2022, foram planejados 14 en-
contros (duas horas de aula cada), intercalando momentos em sala de aula e outros fora da
escola, nos espaços urbanos da cidade. Contudo, devido à ocorrência de eventos escolares não
previstos (formações e avaliações externas), foram realizados nove encontros, sendo cinco na
sala de aula e quatro fora da escola.
Ressaltamos que essa intervenção pedagógica foi acompanhada de uma avaliação crí-
tico-reflexiva para verificar sua viabilidade como metodologia de ensino e, também, para men-
surar qualitativamente o aprendizado sociológico dos estudantes. Para tanto, foram utilizados
dois questionários junto aos estudantes, sendo um no início e outro no final. Tais instrumentos
de coleta de dados possibilitaram mensurar o alcance dos objetivos do Rolê Sociológico, bem
como suas lacunas e questões que poderiam ter sido inseridas na sequência didática.
Participaram dessa experiência 30 estudantes, de todas as séries do ensino médio (11 da
série, 9 da série e 10 da série), com idades entre 14 e 18 anos. A turma era composta
por 53% dos estudantes que se identificavam com o gênero masculino, seguido de 43% com o
gênero feminino e 3% não binário. Além disso, a maioria dos estudantes eram negros (43%
pardos e 16% pretos) e de residentes da zona urbana da cidade de Canindé, tendo apenas duas
estudantes provenientes da zona rural. A maior parte realizou o ensino fundamental em escola
pública (55%), os chefes de família possuem o ensino médio completo (55%) e, no que tange à
religião, se consideram católicos (60%).
Mapear o perfil dos estudantes a partir do questionário possibilitou conhecê-los de
forma mais objetiva e, consequentemente, auxiliou no planejamento das aulas, já que também
foi possível identificar sua relação com a cidade.
A partir do desejo de desenvolver um aprendizado sociológico que fosse transgressor,
no sentido dado por hooks (2017), a proposta procurou ultrapassar os muros da escola e definir
uma metodologia de ensino que contribuísse com o ensino da Sociologia. Para tanto, o plano
construído e desenvolvido no Rolê Sociológico se baseou na didática para uma pedagogia his-
tórico-crítica de Gasparin (2020), por ser considerada uma orientação pedagógica que atende
aos objetivos do ensino da Sociologia na educação básica (Silva, 2009).
A didática proposta pelo referido autor considera os saberes prévios dos estudantes e
defende uma prática pedagógica que permita a compreensão dos “(...) conhecimentos em suas
múltiplas faces dentro do todo social” (Gasparin, 2020, p. 2), e o trabalho dele é embasado na
abordagem pedagógica desenvolvida por Saviani (2021), intitulada “Pedagogia Histórico-
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Crítica”, que pressupõe, dentre outras coisas, uma proposta pedagógica cujo compromisso seja
a transformação social. Desse modo, a metodologia de ensino e aprendizagem construída por
Gasparin (2020) e utilizada no planejamento desta experiência, é dividida em cinco passos, a
saber: 1) Prática Social Inicial; 2) Problematização; 3) Instrumentalização; 4) Catarse; e 5) Prá-
tica Social Final.
A Prática Social Inicial é o momento de preparação e de mobilização do estudante para
o processo de aprendizagem. Considerando que todo conhecimento existe na prática social, o
objetivo é identificar o que os alunos (e o professor) já sabem sobre o conteúdo a ser abordado
e o que gostariam de saber mais. Essa fase é importante para que o estudante seja estimulado e
sinta-se participante do processo de aprendizagem a partir das suas próprias experiências. Isso
possibilita ao professor desenvolver uma prática pedagógica mais adequada, fazendo com que
os estudantes se apoderem de um conhecimento significativo para suas vidas.
A Problematização constitui-se como o momento em que se inicia o trabalho de maneira
ordenada e sistematizada, possibilitando a vivência do conteúdo pelo estudante. Este é mo-
mento de elaborar questões a respeito da realidade social que, quando relacionadas aos objeti-
vos de ensino e aprendizagem, propiciam aos estudantes a identificação das múltiplas dimen-
sões do conteúdo. Essa fase metodológica proposta por Gasparin (2020) é a que possui maior
aproximação com o ensino da Sociologia, uma vez que se relaciona com seus dois princípios
epistemológicos: o estranhamento e a desnaturalização.
a Instrumentalização refere-se às ações didático-pedagógicas que serão desenvolvi-
das ao longo do planejamento para alcançar os objetivos, ou seja, o passo a passo de cada aula.
Conforme o autor, “[a] Instrumentalização é o caminho pelo qual o conteúdo sistematizado é
posto à disposição dos alunos para que o assimilem e o recriem e, ao incorporá-lo, transformem-
no em instrumento de construção pessoal e profissional” (Gasparin, 2020, p. 51). Portanto, é a
partir da Instrumentalização que o estudante de fato se apropria do conhecimento científico em
suas diversas dimensões (conceitual, política, social, cultural, legal, religiosa, dentre outras).
Por sua vez, a Catarse, etapa na qual o estudante demonstra a conexão mental entre o
conhecimento científico e o seu cotidiano e em que é manifestado o aprendizado. Aqui, repre-
senta a síntese que o estudante faz sobre o conteúdo, o que foi assimilado por ele, e trata-se,
assim, da expressão elaborada da nova forma de compreender a realidade social. Tal manifes-
tação é feita oralmente ou por escrito, mostrando, no caso do ensino da Sociologia, o quanto
consegue estranhar e desnaturalizar os fenômenos presentes na sociedade em que está inserido.
Por fim, a Prática Social Final representa a síntese prática que o estudante faz sobre o
que aprendeu. Ou seja, é neste momento que ele expressa sua mudança de postura e coloca em
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prática a nova atitude mental que foi construída ao longo do processo de aprendizagem. Assim,
a Prática Social Final caracteriza-se como o “ponto de chegada” marcado por ações que possi-
bilitam um agir crítico, emancipador e autônomo.
A metodologia de ensino e aprendizagem desenvolvida por Gasparin (2020) converge dire-
tamente com o desenvolvimento do modo sociológico de pensar, uma vez que, ao longo do pro-
cesso, os estudantes são munidos de uma compreensão objetiva da realidade em que vivem, identi-
ficando o lugar que ocupam na sociedade e construindo suas próprias posturas em relação a isso.
Assim, foi a partir dessa orientação pedagógica e da utilização dos instrumentos de pesquisa que
este trabalho foi desenvolvido para am dos muros da escola, como mostraremos a seguir.
3. Quando a cidade se torna sala de aula: o ensino de Sociologia para além dos
muros da escola
O Rolê Sociológico caracteriza-se como uma intervenção pedagógica que compreende
o espaço da sala de aula e os espaços da cidade como lugares de aprendizado. Por isso, suas
ações são planejadas de forma a contemplar encontros na escola, as “aulas”, e encontros fora
da escola, o campo”. As aulas promovem reflexões sobre conceitos, categorias e temas da
Sociologia Urbana; já no campo, os estudantes podem circular pelos espaços da cidade, previ-
amente definidos, para relacionar suas vivências às discussões da Sociologia.
Temáticas como lazer, sociabilidade, cultura, patrimônio, trabalho e religiosidade foram
definidas a partir das características da cidade em questão e do período que ela vivenciava. No
caso de Canindé, é no segundo semestre do ano que ocorre na cidade o maior evento religioso
do Ceará: a romaria e a Festa de São Francisco
7
.
Neste sentido, aplicar um questionário no início dessa experiência com o objetivo de
mapear o perfil dos estudantes, identificar a motivação da matrícula na Eletiva, conhecer sua
relação com a Sociologia e compreender a percepção deles sobre a cidade foi fundamental para
elaboração de um planejamento prévio. A utilização desse instrumento de coleta de dados está
relacionada à Prática Social Inicial, orientada por Gasparin (2020).
Os resultados do questionário inicial do Rolê Sociológico possibilitaram identificar quais
espaços da cidade eram frequentados pelos estudantes, bem como suas opiniões sobre aqueles
7
Canindé tem o maior Santuário Franciscano da América Latina e o segundo maior do mundo (Silva Neto, 2017).
Dessa forma, muitos aspectos da cidade estão diretamente ligados à religiosidade, tais como: economia, turismo,
lazer e cultura. A romaria é uma característica forte da cidade, sendo um fenômeno que acontece durante todo o
ano, intensificando-se no período de festa, que ocorre entre os meses de setembro e outubro. Elas são formadas
por pessoas de todo o país, sobretudo de estados da região Nordeste, tais como Piauí e Maranhão. A referida festa
dura 10 dias, geralmente acontecendo entre 24 de setembro e 04 de outubro, mudando apenas em períodos eleito-
rais, com uma programação voltada para missas durante o dia e a novena durante a noite, na qual toda noite é
homenageado um estado da região Nordeste e todo ano tem um tema diferente.
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considerados como representativos da cidade. Constatou-se que os espaços mais frequentados
pelos estudantes eram as churrascarias, lanchonetes e pizzarias, e que também consideravam es-
paços ligados à romaria como sendo os mais representativos da cidade. Junto a isso, observou-se
uma relação positiva com a Sociologia, uma vez que a maioria escolheu a Eletiva por querer
aprender mais Sociologia. Por fim, também foi possível perceber que os estudantes se sentiam
indiferentes ou mesmo inseguros com relação aos seus conhecimentos sobre a história e cultura
da cidade, julgando ser importante conhecer esses aspectos para fortalecer seu relacionamento
com Canindé. Com tais informações, partimos para o primeiro encontro.
No primeiro encontro com a turma, foi dada continuidade à Prática Social Inicial apre-
sentando para os estudantes os objetivos da Eletiva, convidando-os a contribuir com sugestões.
Introduziu-se uma discussão conceitual sobre o que é uma cidade, sua origem e suas principais
características, baseada em Simmel (2005) e Wirth (1967), com o propósito de identificar o que
os estudantes já sabem sobre os conteúdos e o que desejariam saber mais.
A partir disso, foi possível a construção de problemáticas e questionamentos a respeito
dos espaços urbanos que contribuem para o modo sociológico de pensar. Ao apresentar os es-
tudos de Georg Simmel a respeito da cidade, especificamente, Berlim, no início do século XX,
os estudantes conseguiram relacionar as contribuições do autor sobre anonimato, individua-
lismo e interações sociais nas grandes cidades às suas vivências. Ao tratar sobre as diferenças
entre a “cidade grande” (a metrópole) e Canindé, eles puderam se perceber como jovens mora-
dores de um município do interior do Ceará, cuja dinâmica difere da capital Fortaleza. A partir
do momento em que o estudante consegue relacionar sua biografia ao contexto social mais
amplo, exercitou-se a “imaginação sociológica” de Mills (1995). Tal processo constitui-se
como parte do desenvolvimento de um modo de pensar próprio da Sociologia.
De posse dos dados encontrados acima, tanto por meio do questionário quanto a partir
da escuta ativa das percepções dos estudantes, foi possível definir as questões norteadoras e as
dimensões do conteúdo a ser trabalhado nos próximos encontros, a saber: O que é cidade? Do
que é formada a cidade de Canindé? De que maneira manifestações religiosas modificam a
dinâmica da cidade e de seus moradores? Como a Sociologia pode auxiliar na compreensão da
cidade como espaço social perpassado por conflitos? Qual a relação entre cidade e patrimônio?
Os citadinos vivenciam a cidade da mesma maneira?
Desta forma, o questionário inicial e a escuta ativa foram instrumentos fundamentais
para a construção de questões para a etapa de Problematização e do planejamento da etapa de
Instrumentalização.
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Afinal, entender a cidade como um espaço fértil para o aprendizado sociológico implica
identificar o que os estudantes já conhecem sobre ela, para que seja possível a construção de um
conhecimento que dialogue com as vivências dos estudantes nos espaços urbanos e para que estes
consigam ver que a cidade não é um espaço neutro, mas que, por outro lado, ela tem uma história
e nela tecem-se relações de poder, de conflito e de relações de sociabilidade. Ademais, identificar
o que os estudantes sabem e considerar esse conhecimento parte do processo de aprendizagem
converge com a ideia de educação democrática e dialógica de Paulo Freire (2013)
8
.
No encontro seguinte, dirigimo-nos a campo para um espaço público de Canindé, a
Praça dos Mestres, com o objetivo de conhecer o equipamento público e observar o funciona-
mento em seu entorno. Neste encontro foram utilizadas produções sociológicas sobre espaços
públicos, como as reflexões desenvolvidas por Lopes (2013), a fim de promover o debate entre
os estudantes. De início, os estudantes puderam circular livremente pela praça e, em seguida,
foram reunidos para discutir sobre o que as praças representam para uma cidade e qual sua
importância para a sociabilidade dos indivíduos. Com isso, os estudantes puderam compartilhar
seus conhecimentos e suas experiências na referida praça.
O exercício de partir das próprias vivências dos estudantes não os leva a questionar
o porquê das configurações existentes naqueles lugares, como também os auxilia na construção
da sua maneira de interpretar a realidade social a partir do arcabouço da Sociologia, como pon-
tua Fernandes (1955). Além disso, aprofunda a relação entre jovem e cidade, fazendo com que
este se sinta pertencente àquele espaço.
Assim, discutimos também sobre o significado do nome da Pra: Porque “mestres”? Quem
o os mestres? O que o Mestres da Cultura
9
? Qual a importância desses indivíduos para a cultura
da cidade? Qual a relação entre praça, cidade e patrimônio? Tais questionamentos trazem à tona
reflexões sobre as práticas culturais desenvolvidas nos espos urbanos, por exemplo.
8
Esta pesquisa inspira-se também na educação democrática e dialógica de Paulo Freire (2013), além da proposta
didática de Gasparin (2020), que é baseada na Pedagogia Histórico-Crítica de Saviani (2021). Entendemos que
existem diferenças entre as teorias pedagógicas de Freire e Saviani (Silva, 2001) e que não caberia aprofundar
neste artigo. Contudo, reforçamos que ambos são tomados como inspiração para a construção da prática pedagó-
gica, relatada por reconhecermos suas contribuições para a construção de metodologias de ensino de Sociologia
na educação básica.
9
Os Mestres da Cultura são indivíduos reconhecidos socialmente por serem detentores de saberes e fazeres ligados
à cultura popular. No estado do Ceará são titulados “Mestres” por serem considerados tesouros vivos da cultura
tradicional. A Secretaria de Cultura do Ceará (SECULT), a partir da Lei 13.351, de 22 de agosto de 2003,
intitulou mais de 100 Mestres da Cultura por todo o estado. A Praça dos Mestres na cidade de Canindé faz home-
nagem aos Mestres da Cultura de Canindé: a senhora Dina Vaqueira, o senhor Getúlio Colares (em memória), a
senhora Odete Uchoa e o senhor Deoclécio Soares Diniz (Mestre Bibi, em memória).
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no terceiro encontro, a aula foi destinada para aprender sobre a história da cidade.
Para tanto, foi convidado um memorialista
10
de Canindé, que possui publicações sobre a origem
e a história do município. Nessa aula, foi possível compreender como se deu a construção his-
tórica, social e cultural da cidade, bem como a influência da religiosidade a partir do aspecto da
romaria. Além disso, puderam conhecer assuntos ainda pouco explorados da história da cidade,
como a presença dos povos indígenas e africanos.
A presença do convidado externo se deu porque as Eletivas também visam a integração
da comunidade à escola. Aprender com a comunidade possibilita ter acesso a outros tipos de
conhecimento e, no caso dos estudos sobre a cidade, que os estudantes construam um “percurso
biográfico”, como bem reforçam Parente, Soares e Silva Júnior (2013) em sua experiência com
o projeto Percursos Urbanos. O percurso biográfico pode ser compreendido como o processo
no qual o convidado versa sobre a sua história de vida na medida em que reflete sobre a história
da cidade (Parente; Soares; Silva Júnior, 2013).
Dando continuidade às discussões sobre praças, sociabilidade, cultura e patrimônio, o
encontro seguinte foi em campo. Os estudantes foram divididos em pequenos grupos (duplas e
trios) e conduzidos para três espaços diferentes que se localizam no mesmo perímetro, a Bibli-
oteca Municipal Cruz Filho, a Praça da Basílica e a Praça Tomás Barbosa. Inicialmente, logo
na Biblioteca Municipal, surgiram comentários como: “não sabia que podia entrar aqui”, “não
sabia nem que tinha biblioteca aqui”. Na biblioteca, os estudantes foram conduzidos em uma
visita guiada pelos funcionários que explicaram a respeito do seu surgimento e do funciona-
mento. Os estudantes conheceram o equipamento, puderam tirar dúvidas sobre o empréstimo
de livros, a preservação do prédio e o acervo do local.
Em seguida, os pequenos grupos foram conduzidos às praças da Basílica e a Tomás Bar-
bosa, e orientados a conversarem com os usuários e pessoas que circulavam naquele momento,
como os vendedores ambulantes, moradores e comerciantes, questionando-os sobre a expectativa
para a Festa de São Francisco. O objetivo era que, a partir dos diálogos informais, conseguissem
perceber a importância da festa para o trabalho dos indivíduos e para a cidade como um todo, que
se prepara para receber os milhares de romeiros que visitam anualmente Canindé.
Exercícios como esse de orientar aos estudantes para o contato direto com a população,
para ouvi-los, possibilitam a construção do conhecimento de forma prática e a relação deste
com a produção sociológica discutida anteriormente. Assim, os estudantes podem identificar as
10
Memorialistas são indivíduos conhecidos por preservarem informações importantes para a história oral.
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relações sociais que são estabelecidas naqueles espaços e como a população está se sentindo
em relação às ações do poder público.
No Rolê Sociológico, por exemplo, ao descobrir que a Biblioteca era gerenciada pela
Secretaria de Esporte e Cultura, os estudantes criticaram o fato de uma mesma secretaria com-
partilhar as duas pastas, da cultura e do esporte, alegando que assim não daria para se pensar
políticas públicas específicas para cada área. Foi notório que os estudantes que fizeram tal crí-
tica foram justamente aqueles que se utilizam de quadras poliesportivas, por exemplo, e que
naquele momento conseguiram identificar o porquê da falta de políticas públicas voltadas para
o esporte na cidade.
De volta à escola, o encontro seguinte foi voltado às reflexões teóricas da Sociologia
Urbana e foi abordado os conceitos de “atitude blasé” nas grandes cidades, de Simmel (2005),
e as categorias sociológicas desenvolvidas por Magnani (2002), como pedaço e mancha. Os
estudantes conseguiram estabelecer relação entre as aulas de campo e as discussões teóricas, ao
notar que o intenso fluxo de pessoas devido à romaria e à festa altera a configuração social da
cidade e a forma como os indivíduos reagem aos diversos estímulos provocados, permitiu iden-
tificar coletivamente os espaços que podem ser considerados um pedaço para os diversos agru-
pamentos sociais e as manchas urbanas nas ruas de Canindé.
O próximo encontro foi em campo, no Museu Regional São Francisco. O museu, que é
administrado pela equipe do Santuário de Canindé, tem um acervo com mais de 6 mil peças
que contam a história da cidade a partir do aspecto da religiosidade. Nesse dia, foi pedido aos
estudantes que, durante a visitação, observassem como o Museu contava a história da cidade e
escrevessem em dupla suas conclusões. Após a produção textual, os estudantes puderam relatar
rapidamente suas impressões acerca do museu, de Canindé e da religiosidade da cidade. Esse
exercício de escrita visa levar os estudantes a expressarem a síntese mental (a catarse) estimu-
lada ao longo da intervenção pedagógica.
As produções textuais dos estudantes a respeito do museu evidenciaram o aspecto da
religiosidade presente na história da cidade e a importância da preservação do espaço para a
cultura local. Ao entenderem que cada objeto presente no museu conta uma parte da história de
Canindé, os estudantes demonstraram compreender que a relação da história da cidade com a
religiosidade não resulta do sobrenatural ou da natureza, mas sim de uma construção social. E
ao identificarem que muitos objetos expostos eram pertencentes aos povos originários, por
exemplo, lançaram um olhar problematizador sobre sua própria história que, por vezes, apaga
as contribuições dos povos indígenas. Esse entendimento por si demonstra a atitude de es-
tranhamento em relação ao lugar em que vivem.
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A metodologia utilizada no Ro Sociogico reforça a importância de encontros com os
estudantes, tanto para discutir conceitos e categorias da Sociologia Urbana quanto para visitar es-
paços públicos e pensar sociologicamente a cidade a partir de vivências anteriores e daquelas que
se davam durante o Rolê. Interveões pedagógicas desse tipo mostram que a cidade é um espaço
que ensina e, acima de tudo, que pode ensinar os pressupostos epistemológicos da Sociologia.
Desta forma, é possível que o aprendizado sociológico possa se fortalecer quando de-
senvolvido em outros espaços para além da sala de aula. Nesse ponto, a experiência do Rolê
coaduna com a oficina realizada por Meucci e Favoretto (2016) no ensino médio que, ao pro-
porem discussões sobre os locais de moradia dos estudantes, possibilitou que eles identificas-
sem diversas formas de ser, estar, produzir e vivenciar a cidade.
Na aula seguinte, a proposta foi convidar a professora de Geografia para discutir com
os estudantes sobre cidade e território do ponto de vista geográfico. As Eletivas, como compo-
nentes curriculares, contribuem para promover a interdisciplinaridade na medida em que vários
saberes são mobilizados no processo de aprendizagem dos estudantes. Integrar outras ciências
à discussão sobre a cidade permite que o estudante amplie seu repertório de mundo e contraste
o conhecimento dessas outras ciências ao conhecimento sociológico.
Ao discutir sobre território e cidade, também foi debatido sobre o “direito à cidade”, nos
termos de Lefebvre (2011). A partir dessa discussão, foram trazidos exemplos de experiências
ligadas aos marcadores de gênero, raça, classe e, até mesmo, geracional. Ao pensarem como
eles mesmos ocupam a cidade, se tem acesso ou não aos seus espaços urbanos e como se
esse acesso, cria o processo de desenvolvimento de um pensar típico da Sociologia.
o à toa, nessa aula muitos estudantes lembraram de um epidio em que as juven-
tudes da cidade se reuniram em uma praça e organizaram um campeonato de dança que, no
final, acabou com a dispersão dos jovens pela polícia. Refletiram, então, sobre até que ponto
a sociabilidade juvenil é influenciada e levada em considerão por parte do poderblico.
Junto a isso, comentaram sobre situações ligadas ao asdio e à violência sexual que atra-
vessam suas histórias de vida e de outras jovens. Essas participações, conjugadas à teoria
que estava sendo debatida, mostram como os estudantes passaram a compreender sua expe-
riência não somente do ponto de vista individual, mas a perceberem como é influenciada
pela sociedade na qual estão inseridos.
Visando à construção do conhecimento em uma perspectiva dialógica, nos termos de
Freire (2013), o encontro seguinte era a última aula e, por essa razão, foi realizada uma avaliação
do que havia sido construído durante o Rolê Sociológico, em campo e em sala de aula. Os
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estudantes foram questionados a indicar os pontos positivos e as limitações, os lugares que pode-
riam ter sido visitados e outras pessoas que deveriam ter sido convidadas para a Eletiva.
A partir desse questionamento, os estudantes conseguiram identificar mais pessoas da
comunidade e da escola que poderiam contribuir com as discussões sobre cultura e patrimônio;
apontaram temas que foram discutidos, mas que mereciam um maior destaque, a saber: gênero,
raça e classe. Ouvir as percepções dos alunos, bem como fazê-los refletir sobre a Eletiva como
um todo, faz com que estes também sejam convidados a realizarem um panorama do aprendi-
zado sociológico.
Em seguida, divididos em equipes, foram convidados a realizar essa reflexão de um
modo mais aprofundado, pois escolheriam um dos locais visitados e pensariam em alternativas
de valorização daqueles espaços urbanos. Além disso, teriam de indicar por qual razão o espaço
escolhido deve ser valorizado. Tal atividade foi denominada “Caminhos para a valorização dos
espaços urbanos de Canindé”.
Todas as atividades tinham em comum o fato de identificarem a importância do espaço
escolhido para a sociabilidade dos indivíduos, bem como para a cultura local e a identidade dos
citadinos. Além disso, a partir desse exercício de uma escrita problematizadora, foi possível
identificar posturas ligadas ao desenvolvimento do modo sociológico de pensar, quando mos-
traram a relação entre as praças, a sociabilidades e as juventudes, por exemplo.
Outro fator observado foi a mudança de postura dos estudantes em relação à escrita em
si. No início da Eletiva, as atividades envolvendo escrita eram respondidas de modo superficial,
sem desenvolvimento e, por vezes, perdidas. As respostas da última atividade demonstravam
zelo, domínio teórico e criatividade, e tais evidências expõem que a partir do momento em que
o estudante consegue estranhar seu cotidiano e relacionar sua biografia com fenômenos da so-
ciedade mais ampla, ele consegue expressar-se de modo mais satisfatório.
Os dados encontrados a partir da análise crítica das produções textuais foram confirma-
dos quando comparados com os resultados do questionário inicial e do questionário final. No
que tange ao ensino de Sociologia, inicialmente, mais de 80% dos estudantes afirmaram que
escolheram a Eletiva por desejarem aprender mais Sociologia e por considerarem o componente
curricular uma forma de debater assuntos que os interessam. No questionário final, esses dados
foram reafirmados, uma vez que os estudantes indicaram que a motivação para participar do
Rolê Sociológico era aprender mais Sociologia e que a eletiva possibilitou ampliarem seu co-
nhecimento sobre a cidade, agora do ponto de vista sociológico.
No que diz respeito à cidade, os estudantes demonstravam nas aulas de campo que o
conheciam muitos os espaços de Canindé e era comum ouvir comentários do tipo não sabia que
Quando a cidade se torna sala de aula: o ensino de Sociologia para além dos muros da escola
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podia entrar aqui”,pensei que tinha que pagar” ou “o sabia que existia esse lugar”. No questio-
rio final, foi possível identificar, de maneira objetiva, uma mudança de postura tanto em relão
ao conhecimento relativo à história e à cultura de Canindé como em relação ao sentimento de per-
tença à cidade: 80% dos estudantes afirmaram saber mais sobre a história e cultura da cidade após
a participação na Eletiva e 70% que o Rolê Sociológico os ajudou a se sentirem mais integrados à
cidade. Esses resultados mostram a etapa da Prática Social Final, ou seja, as novas posturas, vies
de mundo e atitudes desenvolvidas nos jovens participantes do Rolê Sociogico.
Entender a cidade como um espaço social vivo que expressa cultura, história, relações
de poder e conflito existentes em uma sociedade, e relacionar isso a sua vivência, era o principal
objetivo da Eletiva, que começou a ser alcançado ao se utilizar ferramentas para os estudantes
problematizarem as relações sociais estabelecidas na sociedade. A partir do momento em que
o jovem consegue, por meio do estranhamento e da desnaturalização, identificar a relação entre
as diferentes praças, a cultura e a sociabilidade local, por exemplo, terá conseguido desenvolver
o modo de pensar característico da Sociologia.
Aprender Sociologia na cidade e com a cidade viabiliza, também, a reflexão sobre a
ocupação dos espaços pela juventude, ao passo em que refletem objetivamente sobre a ocupa-
ção dos espaços urbanos e sobre quem tem direito à cidade, ou mesmo se a cidade é acessível
para os indivíduos (Carneiro, 2020). Com isso, demonstram ter aprendido a problematizar e a
pensar sociologicamente sobre a cidade em que vivem.
4. Sociologia Local: construindo um Rolê Sociológico
Realizar o Rolê Sociológico acompanhado de uma reflexão sobre a prática docente pos-
sibilitou a construção de uma metodologia que orienta professores(as) a replicarem essa inter-
venção pedagógica em outras realidades educacionais. Tal metodologia foi designada como
Sociologia Local e consiste em procedimentos que orientam o planejamento de um Rolê Soci-
ológico considerando o local onde será desenvolvido, que pode ser a cidade ou outras unidades
administrativas, como bairro, zona, distrito, comunidade, dentre outras (Freitas, 2023).
A Sociologia Local trata-se, portanto, do exercício de planejamento para a construção
de um Rolê Sociológico no qual o docente desenvolve o modo sociológico de pensar, na medida
em que passa a estranhar e desnaturalizar a construção da localidade que será alvo da interven-
ção pedagógica. É importante que o docente se identifique como protagonista da ação tanto
quanto seus estudantes, permitindo-se descobrir informações novas a respeito do local onde
vive e/ou onde a escola está inserida.
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Deste modo, o primeiro passo para o planejamento docente é levar em consideração
suas vivências e experiências na localidade definida, exercitando, assim, o estranhamento sobre
os discursos e as práticas que constroem as ruas, praças e equipamentos que formam o lugar.
O docente pode, por exemplo, partir de alguns questionamentos, quais as formas de
ocupação que deram origem a este lugar? Quais espaços são representativos para os gestores
públicos, grupos religiosos, jovens, turistas, dentre outros segmentos sociais? Quais espaços
são estigmatizados? Quais os eventos e rituais que ocorrem nesta localidade? Quais espaços da
cidade são frequentados por mim e por meus alunos? Quais fenômenos sociais podem ser dis-
cutidos a partir destes espaços? Colocar esses questionamentos em prática, visitar novamente
os espaços e observá-los com mais atenção, conversar com os estudantes sobre as vivências
deles na cidade são práticas que contribuem para um mapeamento inicial.
Bem como, praticar o estranhamento em espaços que circulamos no dia a dia ou em
momentos de lazer mostra que os lugares não são neutros, pois neles são empreendidas relações
sociais e estabelecidos códigos de conduta que podem valorizá-los e atrair determinados seg-
mentos sociais, assim como podem estigmatizá-los, afastando possíveis usuários. Esse exercí-
cio de pensar sociologicamente permite a identificação de fenômenos sociais característicos do
lugar onde se pretende desenvolver o Rolê.
Em seguida, é fundamental realizar um levantamento da produção sociológica sobre o
local escolhido em trabalhos acadêmicos que resultam de pesquisa científica, sejam teses, dis-
sertações, TCC, artigos ou trabalhos apresentados em eventos científicos. A análise desse ma-
terial, além de exercitar o olhar crítico, possibilita selecionar temáticas que serão abordadas.
No caso de Canindé, os estudos sociológicos eram principalmente sobre religiosidade, trabalho
e cultura, e tais temáticas orientaram e deram embasamento para a construção da intervenção
pedagógica em relação ao que se discutir e como discutir os assuntos, afinal, trata-se de uma
intervenção com ênfase no ensino da Sociologia.
Soma-se a isso a base teórico-metodológica das discussões da Sociologia Urbana que,
no caso apresentado, partiu das contribuições clássicas de Georg Simmel (2005) e Louis Wirth
(1967) e de pensadores contemporâneos, como Henri Lefebvre (2011) e José Guilherme Cantor
Magnani (2002). Neste contexto, o docente pode também buscar inspiração em outros trabalhos
do tipo intervenção pedagógica desenvolvidos no âmbito do ProfSocio (Cunha, 2023; Servílio
Filho, 2020; Magalhães, 2023; Figueirêdo, 2020; Zaganini, 2020).
Durante o exercício da Sociologia Local, é importante que o docente reconheça a flexi-
bilidade e a dinamicidade que envolvem o planejamento docente, identificando e deixando o
espaço aberto para as contribuições dos estudantes. Produzir um saber que faça sentido para as
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juventudes fortalece a proposta de Freire (2013) de uma educação dialógica e, também, a pro-
positura de Fernandes (1955), quando afirma que o ensino médio é uma etapa formativa, sendo
mais importante “[...] a maneira pela qual os conhecimentos são transmitidos, que o conteúdo
da transmissão” (Fernandes, 1955, p. 95).
Ademais, é fundamental que o docente identifique as limitações que poderá encontrar
ao realizar atividades que ultrapassam os muros da escola, a saber: a falta de apoio institucional
da gestão da escola ou, até mesmo, da secretaria de educação do seu estado; a falta de legitimi-
dade na Sociologia no contexto em que está inserido; a ausência de componentes curriculares
que possibilitem a realização de intervenções desse tipo; e as problemáticas relativas à cidade
e ao bairro onde a escola está inserida, como a violência que se torna um impedimento para
jovens circularem livremente nos espaços públicos (Paiva, 2022). Neste sentido, o planeja-
mento é uma etapa fundamental para lidar com as limitações e ter um bom aproveitamento
nesse tipo de atividade.
O Rolê Sociológico também pode incorporar outros tipos de recursos, como a pesquisa
por meio de questionários, entrevistas e etnografia. O uso da pesquisa nas aulas de Sociologia
é um artifício didático-pedagógico proposto por Lahire (2014), que defende a capacidade dos
estudantes de criarem suas próprias ferramentas de produção do conhecimento, a partir de temas
do seu interesse. No mesmo sentido, Barreira (2014) afirma que a utilização desse tipo de fer-
ramenta contribui para desenvolver o modo sociológico de pensar.
Considerações Finais
A realização do Rolê Sociológico mostrou como os conflitos, as interações sociais e as
sociabilidades que ocorrem na cidade podem auxiliar os estudantes da educação básica a com-
preenderem a sociedade em que se vivem, como também no desenvolvimento do pensar socio-
lógico. A cidade se mostrou um espaço pedagógico que proporciona um rico aprendizado às
juventudes na medida em que se alia suas vivências aos fenômenos sociais mais amplos que
ocorrem nos espaços urbanos.
Nesta intervenção pedagógica, destacamos a utilização de uma metodologia quanto ao
ensino, a didática de Gasparin (2020), que é baseada na Pedagogia Histórico-Crítica, como uma
orientação que converge com os dois instrumentos epistemológicos do ensino da Sociologia: o
estranhamento e a desnaturalização. Aliado a isso, construímos uma proposta inicial de plane-
jamento, a qual denominamos Sociologia Local, para docentes que pretendem desenvolver o
Rolê Sociológico em suas localidades.
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A pesquisa bibliográfica das produções sociológicas sobre Canindé foi o passo crucial
da Sociologia Local para a construção do Rolê Sociológico. Junto a isso, foi importante partir
do pressuposto da cidade como uma sala de aula, ou seja, um ambiente pedagógico que possi-
bilita ao estudante o desenvolvimento de um pensar sociológico e, consequentemente, um en-
tendimento racional das relações entre os meios e os fins, em qualquer setor da vida social.
Deste modo, pode-se afirmar que as reflexões aqui desenvolvidas acerca da Sociologia Ur-
bana, e mais precisamente da cidade como ambiente pedagógico, fortalecem o escopo teórico das
prodões acadêmicas sobre ensino da Sociologia no Brasil, sobretudo por se tratar de uma experi-
ência que incentiva o aprendizado para além dos muros institucionais da sala de aula e da escola.
Ademais, este trabalho possibilitou traçar caminhos para fortalecer o ensino da Socio-
logia na escola, tais como a multidisciplinaridade, a partir das discussões sobre a cidade junto
de outras ciências, como a Geografia e a História; a integração com a comunidade; a valorização
dos saberes e da cultura popular; a possibilidade de utilização das técnicas de pesquisa como
um recurso pedagógico.
Para o estudante, o Rolê Sociológico permitiu um aprendizado que ultrapassou a ideia
de apenas uma “aula diferente” ou daquela esporádica “aula de campo”, pois ele aos poucos se
viu munido de instrumentos para compreensão da sua própria história, agora com um olhar
crítico, problematizador, característico da Sociologia. Após a experiência do Rolê Sociológico,
os estudantes demonstraram compreender as dinâmicas da cidade onde moram, fortalecendo,
assim, o seu sentimento de pertencimento. Junto a isso, também abriu portas para construir
coletivamente possibilidades de valorização prática dos espaços urbanos, a partir do momento
em que conseguem identificar as suas características e problemáticas sociais.
Por fim, ter a cidade como pano de fundo permitiu uma aproximação entre o estudante
e o ensino da Sociologia, uma vez que partir das próprias experiências na localidade onde vive
faz com que o discente compreenda os sentidos e os significados das vivências cotidianas, fi-
cando munido de instrumentos para entender sua própria realidade social e fortalecendo a ideia
de que é possível aprender Sociologia com a cidade.
Recebido em 11/09/2023
Aprovado em 03/01/2024
Publicado em 16/08/2024
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