O gênero dos objetivos do desenvolvimento sustentável

representação discursiva da questão de gênero na agenda 2030

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5281/zenodo.2641984

Palavras-chave:

Mulher, Empoderamento, Sustentabilidade, Desenvolvimento, ODS, ADC, Gênero

Resumo

Resumo: Neste trabalho, apresentamos resultados da pesquisa sobre a representação do tema da equidade de gênero no texto da Agenda 2030, documento da Organização das Nações Unidas que estabelece os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Por meio de análise discursiva crítica, foram analisados, em profundidade, recortes do texto com referências à temática em análise. O software NVivo (QSR, 2017) foi usado para auxiliar a seleção dos excertos com referência ao tema e, por meio de suas ferramentas, foi possível realizar uma análise mais profunda e ampla. A ADC se propõe investigar os modos pelos quais os elementos discursivos se articulam na prática social e seus efeitos nas lutas hegemônicas (RESENDE, 2012). As análises apontam que, no texto dos ODS: a) A representação de mulheres é tematicamente restrita à abordagem de alguma questão de gênero a ser resolvida; sempre associada a ausências e frequentemente justaposta a representação de problema associados à vulnerabilidade, tais como a fome, a saúde precária, a mortalidade infantil e a carência de acesso a moradia; b) Mulheres não são representadas como agentes de seu próprio empoderamento, mas como seres que precisam “ser empoderados”; c) Mulheres não são representadas como agentes de mudança nos parágrafos que abordam as propostas de promoção da sustentabilidade; d) o gênero feminino é o único mencionado – o gênero masculino é subentendido como não marcado, com agente default de toda mudança, e outros gêneros são invisibilizados; e) o empoderamento feminino colocado trata-se principalmente do empoderamento econômico das mulheres. Não se trata, em nenhum momento, de empoderar as mulheres mentalmente, psicologicamente, mesmo diante de uma sociedade que oprime diariamente as mulheres das mais diversas formas. Concluímos que, de modo geral, a Agenda 2030 realça a gravidade de problemas relacionados à vulnerabilidade socioeconômica feminina, mas não rompe com o discurso sexista e, ainda, secundariza a importância do protagonismo de gêneros diversos na construção da sustentabilidade.

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Biografia do Autor

Yara Resende Marangoni Martinelli, Universidade de Brasília - Instituto de Relações Internacionais

Graduação em andamento em Relações Internacionais. Universidade de Brasília, UnB, Brasil.

Carolina Lopes Araújo, Universidade de Brasília

Professora adjunta do quadro efetivo da Universidade de Brasília, campus Planaltina. Doutora pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da UnB. Mestre em Management pela HEC Montreal (reconhecido no Brasil como equivalente ao mestrado em Administração pela UFMG). Possui graduação em Administração pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Temas prioritários de pesquisa: participação social, desenvolvimento sustentável, comportamento social e estudos discursivos.

Publicado

2018-11-14

Como Citar

Martinelli, Y. R. M., & Araújo, C. L. (2018). O gênero dos objetivos do desenvolvimento sustentável: representação discursiva da questão de gênero na agenda 2030. Revista Do CEAM, 4(1), 26-47. https://doi.org/10.5281/zenodo.2641984

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