Prorrogação de prazo: Chamada para Edição Temática: Arquivos e Acervos em Arquitetura e Urbanismo

2021-08-25

Caras e caros colegas,

Informamos que a data final para submissão de artigos para a Chamada Arquivos e Acervos em Arquitetura e Urbanismo foi prorrogada para 31 de outubro de 2021!

A Edição Temática propõe-se como um espaço de reflexão atento à ampliação da percepção e do reconhecimento sobre a importância dos acervos e das interrogações lançadas a partir das experiências nos arquivos para os estudos do campo da arquitetura e do urbanismo. Nesta chamada, elencamos temas relevantes e prementes com a intenção de instigar e acolher novas aproximações e mudanças nas representações clássicas sobre os acervos e sobre a ideia de arquivo, movimento necessário em face da crescente complexidade e dos múltiplos desafios enfrentados pelas pesquisas e abordagens pedagógicas com/nos acervos e arquivos de interesse à Arquitetura e ao Urbanismo. 

 

Editoras convidadas: Maria Cristina da Silva Leme – FAU-USP, Daniela Ortiz dos Santos - Goethe-Universität Frankfurt e Liz Sandoval – PPG-FAU-UnB

A Edição Temática propõe-se como um espaço de reflexão atento à ampliação da percepção e do reconhecimento sobre a importância dos acervos e das interrogações lançadas a partir das experiências nos arquivos para os estudos do campo da arquitetura e do urbanismo. Nesta chamada, elencamos temas relevantes e prementes com a intenção de instigar e acolher novas aproximações e mudanças nas representações clássicas sobre os acervos e sobre a ideia de arquivo, movimento necessário em face da crescente complexidade e dos múltiplos desafios enfrentados pelas pesquisas e abordagens pedagógicas com/nos acervos e arquivos de interesse à Arquitetura e ao Urbanismo. 

A chamada acolhe trabalhos nos seguintes temas que podem ser abordados individualmente ou de forma articulada:

O papel dos acervos na escrita da História da Arquitetura, do Urbanismo e da cidade 

Arquivos e bibliotecas estiveram, desde o início, presentes na constituição dos campos da arquitetura e do urbanismo. A associação entre o Institut d’Urbanisme de Paris e a Bibliothèque Historique de la Ville de Paris é um exemplo conhecido dessa sintonia. O historiador Marcel Poete, um dos fundadores e professor de história do Instituto, ocupava também o cargo de conservateur em chef da Bibliotheque. Recusando o modelo de uma torre de marfim ele impulsiona e amplia o papel da biblioteca como local de ensino e pesquisa explorando diferentes fontes documentais para a história da cidade.

No campo da arquitetura essa relação, mais antiga e mais complexa se redefine no amplo trabalho de pesquisa que Manfredo Tafuri desenvolve no Istitutto di Architectura di Venezia, a partir dos anos 70, quando envolve professores e alunos em torno de alguns temas de pesquisa. Tafuri passa a se dedicar cada vez mais a uma pesquisa de caráter filológico, procurando desvendar e interpretar, a partir do documento, com especial atenção para as peças gráficas, o período em que se insere. A frase de Moneo sobre o ultimo trabalho de pesquisa sobre o Renascimento é indicativo deste interesse “Tafuri segue nos traços dos desenhos o processo mental seguido pelo arquiteto”. Observa assim a potencialidade do campo que se abre para a pesquisa historiográfica realizada por arquitetos urbanistas.

Os acervos de arquitetos e urbanistas enquanto objeto de disputa revelam o valor que adquiriram os projetos, em forma de desenhos, croquis e maquetes, para as coleções em instituições públicas e privadas. O debate mais recente, que mobiliza pesquisadores sobre o destino de acervos, assumiu novos contornos com reações e análises apaixonadas. Questiona-se como evitar que os acervos participem da reprodução de práticas colonizadoras e a possibilidade de estabelecer limites à liberdade de definir o destino dos acervos.

Este tema acolhe experiências interdisciplinares de pesquisa e/ou organização de acervos de Arquitetura e Urbanismo, bem como abordagens pedagógicas e metodológicas em/com acervos.

Acervos e arquivos como espaço de disputa

A ideia de acervo, bem como a de arquivo de arquitetura como um estabelecimento fechado, situado entre quatro paredes nos subsolos dos prédios de faculdades de arquitetura é aqui colocado em suspeição. Arquivar significa preservar, mas também destruir/cancelar. As escolhas em abrigar e manter determinados materiais indicam também, em ambas as práticas, silenciar, ou ainda destruir várias outras formas de vestígios. A comparação do arquivista com a do arqueólogo, tal qual nos lembra Françoise Choay em seus estudos sobre monumento e patrimônio, parece assim pertinente como ponto de partida para o debate, mas podemos ir além. Convidamos a incluir nesta analogia a própria prática do arquiteto, do urbanista, do educador e do historiador da arquitetura, como intelectuais que estão constantemente fazendo escolhas do que incluir e do que excluir em suas narrativas e projetos, imersos em contextos complexos, políticos e situados. Em seus desvios e convívios, estes atores fazem sínteses, montagens, desmontagens e remontagens, a fim de construir um possível diálogo comum. Mais recentemente, os debates sobre a experiência em arquivos como uma proposta pedagógica, têm sido contribuições importantes para refletir sobre as próprias práticas e narrativas sobre o passado, sobre memória e sobre a história no espaço-tempo presente.

Convidamos contribuições que se debrucem sobre as mais diversas noções e práticas de arquivo, a dizer: a construção e o seu canteiro como arquivo, a cidade material e imaterial como arquivo, ou ainda as pessoas, os seus corpos e as suas próprias peles como arquivo. Também são bem-vindos trabalhos que problematizes questões éticas e políticas na disputa por direitos e privacidade dos acervos públicos e privados. Quais são os limites dos acervos? O que se arquiva/ o que é eliminado? Como evitar que os acervos participem da reprodução de práticas colonizadoras?

 O que procuramos em um arquivo?

Arquivos de arquitetura não são instituições neutras, como nos lembram vários autores, dentre eles Ariella Azoulay. Suas histórias estão inseridas em contextos complexos, que não são alheios a questões políticas, ideológicas, econômicas e socioculturais. De forma similar, não são sempre “neutros” os documentos escolhidos a fazer parte de tais acervos, mas que fortemente contribuem para a memória e a história do campo da arquitetura. Ao invés de questionar o que é um arquivo, Azoulay nos convida a perguntar “o que procuramos em um arquivo?” , ou ainda por que estão aqui estes documentos e acervos e como foram aqui parar? Reconhecer a subjetividade dos critérios e escolhas para a institucionalização destes materiais salvaguardados em coleções de arquitetura parece ser um dos primeiros passos úteis do historiador/pesquisador que deseja construir narrativas atentas não apenas ao seu lugar de enunciação, mas também aos jogos políticos inerentes às práticas de construção, atualização e transmissão do saber.

Dentro deste tema, são acolhidos trabalhos que debatam os processos, a subjetividade e as experiências em arquivos, aqui entendidos não como guardiões de documentos, mas como instituições que, se por um lado, podem servir de fonte a novas narrativas, por outro, podem igualmente dar suporte a discursos de poder, e por consequência, reproduzir narrativas dominantes, excludentes e opressivas. 

O direito à memória e ao esquecimento

Trabalhar a documentação e com os seus lugares de memória significa questionar um discurso de poder, de quem determina “o que se vê e o que se pode dizer sobre o que é visto,” como escreveu Jacques Rancière em “A partilha do sensível” . E isso implica e impacta o direito que se tem (ou não) à memória como bem público, como afirma Giselle Beiguelman.

Enfrenta-se o paradoxo entre a dilatação da memória e a amnésia, como observou Edgar de Decca[5]. Se a ampliação da memória é potencializada pelos formatos digitais que multiplicam a formação e o acesso às bases documentais, ao mesmo tempo aponta-se para a gradativa perda da memória do individuo e dos grupos sociais. A volatilidade dos acervos digitais contribui para esse paradoxo, desafio para a transmissão do conhecimento.

Este tema acolhe trabalhos que problematizem: o vestígio, as marcas, os indícios. Os arquivos como resultado de processos de seleção; atualizações críticas em torno da seleção e do descarte; o paradoxo da ampliação da memória possibilitada pelos formatos digitais que multiplicam ao mesmo tempo em que se aponta uma perda da memória do individuo, dos grupos sociais. 

Novos suportes e práticas curatoriais

Reconhece-se a importância da revisão historiográfica e de mudanças na agenda contemporânea, que possibilita destacar novos problemas ao focar mais nos apagamentos e ausências e nas consequências das escolhas que constituem um acervo, é um dos meios através dos quais vem se configurando o trabalho historiográfico, com suportes tradicionais e novos e onde encontra a interface com a prática curatorial.

Os tradicionais suportes documentais, como livros, desenhos, fotografias e mapas podem ser mais bem problematizados e manejados, facilitando as formas de se operar com os novos suportes e suas linguagens, revelando que a formulação teórica dos historiadores, na contemporaneidade, encontra-se nesta limiar com os domínios da visualidade.  Por outro lado, os novos suportes, fontes e interfaces apontam caminhos para o desenvolvimento de pesquisas, laboratórios e políticas em programas de pós-graduação de história da arquitetura, da cidade e do design no Brasil, e vêm ocupando lugar na difusão e na produção do conhecimento, dedicados a práticas curatoriais, mídias e cultura visual, que agora acolhem outros formatos, com destaque para filmes, vídeos, documentários, assim como para as efêmeras estruturas expositivas das bienais e seus catálogos.

Neste cenário, a prática curatorial ganhou lugar de destaque dentro de uma nova agenda da pesquisa em arquitetura apontando para a construção de outras perspectivas, imagens, narrativas e agendas para as cidades contemporâneas que sejam pautadas em princípios de direito e diversidade.

Este tema acolhe trabalhos que abordem a inclusão de diferentes suportes e práticas curatoriais e disponibilização ao público de acervos de Arquitetura e Urbanismo; outros/novos suportes arquivísticos, como audiovisual, desenhos, objetos; curadorias e acervos: curadoria de mídias (filmes, livros, documentos, objetos) para mostras, exposições, catálogos.

 

Informações gerais:

As submissões deverão ser realizadas pelo site da Revista Paranoá: https://periodicos.unb.br/index.php/paranoa/about/submissions

Esta chamada acolhe artigos científicos, ensaios, resenhas, entrevistas e ensaios fotográficos.

A data limite para submissões é 31 de outubro de 2021.