NOVA CHAMADA PARA NÚMERO TEMÁTICO: Migrações e cuidados en e desde América Latina

2021-07-01

Coordenadoras:

Ana Inés Mallimaci (CONICET/UBA y UNAJ), Natacha Borgeaud-Garciandía (CONICET/FLACSO-ICCSAL), Carolina Rosas (CONICET/IIGG UBA) y María José Magliano (CONICET/CIECS y UNC)


Prazo de envio de artigos: 15 de março 2022

 

Desde há vários anos, no campo dos estudos de gênero e migração, a questão dos movimentos relacionados aos empregos de cuidado vem ocupando lugar de destaque. Recentemente, essas perspectivas foram ampliadas para abranger novos problemas em torno do cuidado comunitário ou como suporte ou expressão de lutas e mobilizações de migrantes, entre outros. A emergência sanitária provocada pela Covid-19 também renovou o interesse pelos cuidados dentro da agenda pública, impactando também no campo dos estudos de migração. A pandemia trouxe à tona a parte do iceberg que estava submersa: aquela que reconhece aos cuidados como essenciais para a reprodução e manutenção da vida. Essa parte oculta do iceberg, vista pela economia feminista, conduz diretamente às mulheres que assumem principalmente as tarefas de cuidado, muitas das quais são migrantes. Por outro lado, estamos testemunhando o surgimento de diferentes campos discursivos em torno do "cuidado" realizado por organismos internacionais, governos e organizações sociais. Suas articulações, sobreposições e tensões, mesmo em relação ao problema migratório, ainda não foram suficientemente analisadas.

A partir das experiências de mobilidades Sul-Norte, analisou-se principalmente o papel das mulheres migrantes na prestação de cuidados -em contextos de “crise dos cuidados” nos países de destino- e na geração de cadeias transnacionais de cuidado, conceito que articula atividades remuneradas e não remuneradas nas sociedades de origem e destino. Os estudos dedicados às migrações do Sul recuperaram esses achados precursores para refletir e ampliar o espectro das realidades sociais analisadas.

No âmbito das migrações Sul-Sul, e especificamente em relação aos processos intra-regionais, as pesquisas que abordam a relação entre os trabalhos de cuidado e a migração internacional feminina têm sido menos abundantes do que as produzidas em países europeus ou nos Estados Unidos. No entanto, na última década, diversas autoras analisaram, a partir de diferentes perspectivas teórico-metodológicas, questões relacionadas à migração de mulheres para empregos de cuidado. Esses estudos, além de refletir sobre as cadeias de cuidado, incorporam outras dimensões de análise para dar conta da sobrevivência do gênero e das formas coloniais de dominação nas sociedades latino-americanas contemporâneas. Dessa forma, reconhecem a interseccionalidade das desigualdades que permeiam a distribuição do cuidado. Aos poucos, ademais, os estudos se abrem a problemas originais (cuidado comunitário, politização das trabalhadoras, subjetividades, dimensões demográficas, solidariedades coletivas, cuidado dirigido às populações migrantes, etc.) e, a partir disso, enriquecem a corpus de estudos existente.

O vínculo tradicional entre migração e cuidado exige novas perspectivas, uma vez que essas experiências de vida e de trabalho se articulam com processos estruturais globais, como a racialização dos mercados de trabalho e a feminização dos circuitos de sobrevivência, e questionam a dinâmica de certas instituições sociais e políticas, como a família, Estado e comunidade. A estas realidades foram adicionados os efeitos da pandemia Covid 19, que durante meses e talvez a longo prazo reconfigurou os vários tipos de cuidados e mobilidade interna e internacional, bem como grande parte dos empregos de cuidados (em que a população migrante está sobre representada) foram reconhecidos como “essenciais”.

Esta convocatória visa promover um diálogo crítico entre ideias, conceitos e descobertas que se consolidaram em diferentes contextos. Se convida o envio de artigos científicos voltados para os diferentes tipos de cuidados e diferentes experiências de mobilidade - tanto deslocamentos internos quanto internacionais - sem restrições temporais, espaciais ou metodológicas. Da mesma forma, aqueles textos que envolvem gênero como perspectiva analítica são de interesse, ao mesmo tempo em que estimulam uma abordagem intersetorial do tema.

Alguns dos tópicos de interesse são:

-Elaborações teórico-conceituais e / ou metodológicas sobre o vínculo entre migrações e cuidados

-Trabalhos de cuidado e populações migrantes

-Cuidados e trânsitos migratórios

-Cuidados e lutas de migrantes

-Campos discursivos sobre cuidado e migrações

-Cuidado, migrações e sustentabilidade de vida

-Trabalhadores de cuidado migrantes em tempos de pandemia, entre a essencialidade e a desvalorização

 

NOTA: Os artigos que não atenderem às normas solicitadas pela revista não serão encaminhados para avaliação.