https://periodicos.unb.br/index.php/ling/issue/feed Revista Brasileira de Linguística Antropológica 2022-12-29T21:53:37-03:00 Ana Suelly Arruda Câmara Cabral rblaunb@unb.br Open Journal Systems <p style="text-align: justify;">A Revista Brasileira de Linguística Antropológica (RBLA) é uma revista aberta, de publicação contínua e publicação de números especiais, publicada pelo Laboratório de Línguas e Literaturas Indígenas, Instituto de Letras da Universidade de Brasília. Fundada em 2009 por Aryon Dall’Igna Rodrigues e Ana Suelly Arruda Câmara Cabral, a revista visa ser um fórum frutífero para os estudos acadêmicos sobre as línguas e culturas dos povos nativos das Américas, com foco especial no continente sul-americano. Seus principais interesses são artigos, relatórios de pesquisa, diários de campo, ensaios bibliográficos e recensões de estudos linguísticos que enfatizem a interface entre língua e cultura em uma perspectiva descritiva ou histórica.</p> https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/46459 Esta edição 2022-12-29T21:53:37-03:00 Ana Suelly Arruda Câmara Cabral asacc@gmail.com 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/46454 Entrevista com William Cuellar Sirionó 2022-12-29T20:16:19-03:00 Ana Suelly Arruda Câmara Cabral asacc@gmail.com Roseline Mezacasa asacc@gmail.com 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/45704 Estudo do vocabulário ferroviário no discurso dos antigos trabalhadores falantes do Guarani no Paraguai. Primeira parte. 2022-11-22T14:26:35-03:00 Domingo Adolfo Aguilera Jiménez buscahuellas@hotmail.es <p><span style="color: black !important;" lang="pt-BR">Baseado em um corpus criado a partir da transcrição de conversas gravadas de ex-operários da ferrovia do Paraguai, todos eles falantes monolíngues em guarani, estudamos neste artigo -primeira parte de duas entregas- os principais fenômenos de transferência do castelhano ao guarani no campo ferroviário. Percebemos que, ainda sob uma condição de evidente desvantagem da língua aborígene em um campo técnico como é a ferrovia, a mesma demonstrou, no entanto, manter suas propriedades principais enquanto a som, forma e ordenamento sintático nos empréstimos que incorporou do espanhol. As evidências empíricas de que os falantes, independentemente do seu grau de conhecimento das teorias gramaticais da língua, ou da pressão do entorno, produzem um discurso preservando os elementos fundamentais do idioma, podem ajudar à planificação da língua guarani, e assim, avançar em sua esperada modernização no Paraguai.&nbsp;</span></p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/44416 Dizeres transversos 2022-08-16T14:00:30-03:00 Tania Conceição Clemente de SOUZA taniacclemente@gmail.com <p>Nosso objetivo é colocar em confronto relatos do viajante alemão Karl von den Steinen sobre o contato com os Bakairi nos anos de 1884 e 1887 com o relato de alguns Bakairi, nossos consultores em pesquisas realizadas nos anos de 1984 e 1985 na aldeia Pakuenra, Mato Grosso, Brasil Central. Em xeque está a forma como os Kurâ Bakairi são identificados pelo viajante a partir de um olhar etnocêntrico que recorta costumes, comportamentos, estruturas da língua e habilidades cognitivas.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/46456 As duas versões do Pano Reconstruído 2022-12-29T20:54:49-03:00 Sanderson Castro Soares de Oliveira sanderson@ufam.edu.br <p>O presente artigo apresenta uma análise contrastiva dos trabalhos de Shell publicados em 1965 e 1975, considerado pela maioria dos panoístas como a principal referência dos estudos da família e como se a segunda publicação fosse uma simples tradução da primeira. Após apresentar algumas informações biográficas e de contextualização das duas obras, demonstra-se que a maioria dos pesquisadores de línguas Pano têm usado Shell (1975) como referência principal. Na sequência, analisa-se as diferenças entre os dois textos, evidenciando mudanças substancias no quarto capítulo das publicações da autora que incidem sobre a reconstrução da terceira sílaba e do morfema de referência transitiva. O artigo encerra chamando a atenção para a importância dos pesquisadores da área darem mais atenção a importantes detalhes da tese de Shell (1965) e de se considerar a publicação de 1975 como uma revisão e ampliação da primeira publicação, com diferenças substanciais.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/43269 Alomorfia dos prefixos pessoais de posse nominal da língua Mundurukú (Tupí) 2022-06-28T21:19:57-03:00 Natali Nóbrega de Abreu natali.nobrega1992@gmail.com Gessiane Lobato Picanço picanco.g@hotmail.com <p>O presente artigo apresenta uma análise contrastiva dos trabalhos de Shell publicados em 1965 e 1975, considerado pela maioria dos panoístas como a principal referência dos estudos da família e como se a segunda publicação fosse uma simples tradução da primeira. Após apresentar algumas informações biográficas e de contextualização das duas obras, demonstra-se que a maioria dos pesquisadores de línguas Pano têm usado Shell (1975) como referência principal. Na sequência, analisa-se as diferenças entre os dois textos, evidenciando mudanças substancias no quarto capítulo das publicações da autora que incidem sobre a reconstrução da terceira sílaba e do morfema de referência transitiva. O artigo encerra chamando a atenção para a importância dos pesquisadores da área darem mais atenção a importantes detalhes da tese de Shell (1965) e de se considerar a publicação de 1975 como uma revisão e ampliação da primeira publicação, com diferenças substanciais.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/46457 O fonema /z/ camaleão na língua Tenetehára 2022-12-29T21:12:52-03:00 Fábio Bonfim Duarte asacc@gmail.com Ana Cláudia Menezes asacc@gmail.com Cintia Maria Santana da Silva asacc@gmail.com <p>Este artigo tem como objetivo uma análise da variação do fonema /z/ na língua Tenetehára falada em aldeias localizadas em terras indígenas no Maranhão e no Pará. Para realização deste estudo, embasamo-nos nos princípios teórico-metodológicos da Sociolinguística e da Dialetologia, tendo como foco principal o fenômeno da variação como resultante da correlação entre as variantes linguísticas pesquisadas e o parâmetro social diatópico. A análise demonstrou que o fonema /z/ pode realizar-se por meio de até sete fones, os quais são condicionados por fatores linguísticos e extralinguísticos. Discute-se ainda como essa alternância linguística gera um desafio no estabelecimento de uma ortografia uniforme e harmônica na língua estudada.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/46458 Morfologia e sintaxe da nominalização em Kaingáng (Jê Meridional) 2022-12-29T21:24:16-03:00 Maxwell Maxwell Miranda maxwell.miranda@ufmt.br Ana Suelly Arruda Câmara Cabral asacc@gmail.com Lucivaldo Silva da Costa lucivaldo1974@gmail.com <p>O propósito deste artigo é examinar morfológica e sintaticamente a nominalização de radicais verbais na língua Kaingáng (família Jê, tronco Macro-Jê), resultando em nomes de ação. Demonstramos que, do ponto de vista lexical, nomes de ação referem a atividade verbal e são a base para outras derivações na língua, como a que deriva nomes de circunstância (lugar, instrumento e tempo). Em termos sintáticos, nomes de ação são empregados em diversas funções: argumento, modificador, complemento de predicado nominal e núcleo lexical de construções com verbos auxiliares. Apesar da língua Kaingáng exibir correspondências formais e funcionais na derivação de nomes de ação com as demais línguas Jê, existem diferenças notáveis que podem ser reflexos da extensão de seus usos em outros contextos gramaticais.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/46455 Tanaru, um lugar de memória 2022-12-29T20:26:36-03:00 Altair Algayer asacc@gmail.com 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/46451 “Quem são esses índios brabos” 2022-12-29T19:44:33-03:00 Peter Gow asacc@gmail.com Carolina Aragón asacc@gmail.com Leonardo Viana Braga leovianabraga@gmail.com 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/46453 Pesquisa Urgente no Noroeste de Mato Grosso 2022-12-29T19:55:19-03:00 Georg Grumberg asacc@gmail.com Leonardo Viana Braga leovianabraga@gmail.com 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/46430 Instrumentos de promoção das políticas para povos indígenas isolados e de recente contato 2022-12-29T14:13:16-03:00 Leonardo Viana Braga leovianabraga@gmail.com Daniel Cangussu cangussu.isolados@gmail.com Laura Pereira Furquim laura.furquim@usp.br <p>Agradecemos, primeiramente, aos membros da Comissão Editorial da Revista Brasileira de Linguística Antropológica. Aos professores Ana Suelly Arruda Câmara Cabral, Jorge Domingues Lopes e Marci Fileti Martins por terem aceitado nossa proposta de dossiê, e à Mariana de Fátima Melo Viana pela editoração e diagramação dos textos. Somos gratos à Mandeí Juma por nos permitir utilizar sua imagem na capa desse do dossiê. Também a todos os autores que aceitaram o convite para participar das diferentes seções do mesmo. Tal como sugerido pela Comissão, optamos por um sistema de avaliação aberto dos artigos aqui apresentados, visando estimular um diálogo mais direto e interessado entre autores, pareceristas e organizadores. Desse modo, agradecemos também aos pareceristas Claide de Paula Moraes, Edmundo Peggion, Elias Bigio, Fabrício Amorim, Felipe Vander Velden, Gabriel Bertolin, Ian Packer, Joana Cabral de Oliveira, Mariana Petry Cabral, Miguel Aparicio, Patience Epps, Paulo Maia Figueiredo, Priscila Ambrósio Moreira, Thiago Kater e Uirá Garcia. Nosso agradecimento aos professores Georg Grünberg e William Balée que autorizaram a tradução de seus respectivos textos aqui publicados e que, gentilmente aceitaram revisar tais traduções, e à comissão da revista Tipiti - Journal of Society for the Anthropology of Lowland South America, por autorizar a tradução do artigo de Peter Gow. À Jennifer Watling e Carolina Aragon pela parceria nos textos traduzidos. Agradecemos a professora Marta Azevedo, a Altair Algayer, Amanda Villa, Carolina Aragon, Cíntia Lemes, Clarisse Jabur, Danilo Paiva Ramos, Eduardo Biagioni, Fabio Nogueira Ribeiro, Gabriel Bertolin, Guilherme Cardoso, Guilherme Daltro Siviero, Juliana Oliveira Silva, Juliano Franco-Moraes, Maria Emilia Coelho, Miguel Aparicio, Natasha Mendes, Sília Moan da Silva e Tarsila Menezes, pela ajuda com informações que compõem esse texto de abertura. Por fim, agradecemos a Carolina Aragon, Fabricio Amorim, Felipe Vander Velden e Hugo Pedreira pela leitura, informações, comentários e<br />sugestões a versão preliminar deste texto.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/44183 De unidade polícroma à fragmentação Tupi 2022-07-25T17:41:31-03:00 Cliverson Pessoa cliverson.gilvan@gmail.com Thiago Kater kater@usp.br Fernando Ozorio de Almeida fernando.ozorio.almeida@uerj.br <p>Este artigo busca oferecer uma reflexão sobre a ideia de isolamento de um ponto de vista arqueológico. A ideia de isolamento na arqueologia é complexa. De certa forma, ela se opõe a uma disciplina que se acostumou a agrupar conjuntos culturais. Mais especificamente, refletimos sobre diferentes tipos de isolamentos e como eles podem oferecer ferramentas para a interpretação da história profunda do sudoeste da Amazônia, um contexto com uma forte ligação com populações falantes de línguas Tupi, como também com diferentes povos. Nosso foco será a calha do rio Madeira, em especial as áreas das cachoeiras de jusante desse rio, e o rio Jamari, um de seus tributários. A linguística histórica aponta a bacia do alto Madeira como centro geográfico de origem do tronco Tupi, que ali começaria a ramificar por volta de 5000 anos atrás. Encontramos na mesma região possíveis relações entre famílias linguísticas Tupi e as cerâmicas da tradição Jamari e da tradição Polícroma da Amazônia. Esta última está de alguma forma relacionada com uma série de processos de dispersões Tupi-Guarani pela Amazônia Central e Ocidental durante o milênio que antecedeu a invasão européia na região. Esses movimentos envolviam múltiplas estratégias, frequentemente resultando na assimilação e deslocamento de populações culturalmente distintas, e incluíram o desmantelamento de um sistema multicultural que operava no alto rio Madeira no final do primeiro milênio da era cristã. No início do período colonial, as populações indígenas locais adotaram diferentes estratégias de resistência frente aos invasores e às doenças trazidas por eles, incluindo a fragmentação e, por vezes, foram assimilados por coletivos indígenas emergentes.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/46447 Os Kagwahiva da margem de lá 2022-12-29T18:04:45-03:00 Laura Pereira Furquim laura.furquim@usp.br Daniel Cangussu cangussu.isolados@gmail.com Karen Shiratori karen.shiratori@gmail.com <p>A presença de grupos Tupi Kagwahiva no interflúvio entre os rios Madeira e Purus remonta pelo menos ao início do período colonial, durante o qual diversos processos de genocídio, epidemias e tentativas forçadas de conversão religiosa foram conduzidos. Os povos Juma e Katawixi, respectivamente classificados como grupos recém contatados e isolados pelo Estado, são “ilhas” que outrora integraram redes de relações dentro de um extenso território Tupi-Guarani no Sul do Amazonas, que possui raízes pré-coloniais. Reunimos aqui narrativas arqueológicas, históricas e orais acerca deste contexto, buscando avaliar os descaminhos que conduziram a um drástico decréscimo populacional Juma durante o século XX, e à escolha pelo isolamento por parte dos Katawixi na década de 1980. A partir dos vestígios e monumentos vegetais presentes em suas florestas, especialmente ligados às castanheiras, buscamos compreender de que modo é possível entrever as resistências Kagwahiva nas e através das matas, em que ficam marcadas sua presença e seus afetos. Este artigo pretende ser uma contribuição à pesquisa interdisciplinar sobre os povos indígenas Tupi, e apresentar um contexto de longa duração que envolveu diversas formas de interação com não-indígenas, até culminar no isolamento ou no seu quase completo apagamento. Uma visão histórica é fundamental para compreender o isolamento como fruto do genocídio, e aponta para a necessidade de políticas de longo prazo de proteção e monitoramento dos povos isolados.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/44513 Fazer-se notar, fazer-nos afastar 2022-08-03T18:49:16-03:00 Amanda Villa amandavilla@usp.br <p>A proteção de povos em isolamento no Brasil e, portanto, dos territórios que ocupam, é tarefa legalmente atribuída às Frentes de Proteção Etnoambiental, unidades descentralizadas da Fundação Nacional do Índio. Via de regra, seu trabalho parte de estratégias de investigação: buscas por vestígios localmente somam-se a entrevistas orais e aos registros da ocupação etno-histórica. Nesse sentido, esse artigo pretende contribuir com um apanhado etno-historiográfico da ocupação no médio rio Guaporé, mais especificamente do trecho que se encontra entre os rios Branco e Colorado, em que hoje se institui a Terra Indígena Massaco. Ocupada por indígenas cujas características definidoras de seu pertencimento étnico por outrem se baseiam essencialmente em sua cultura material, uma vez que sua língua nunca foi descrita, o território é referência em proteção e mistério. Ao mesmo tempo em que a abundante colocação de armadilhas (estrepes) torna expresso seu desejo por serem deixados em paz, seus vestígios dão pistas de sua identidade e são lidos com curiosidade por indígenas e não indígenas, que apostam na analogia com histórias orais e grafadas para tanto.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/43924 Território, Materialidade e Atitude Linguística 2022-07-18T15:44:45-03:00 Altair Algayer altair.algayer@gmail.com Carolina Aragon ca.carolina@ymail.com Roseline Mezacasa roselinemezacasa@unir.br <p>A Frente de Proteção Etnoambiental Guaporé atua em três territórios: na TI Rio Omerê, região etnoambiental onde vivem as Akuntsú e os Kanoé do Omerê, povos de recente contato; na TI Massaco, área de indígenas em situação de isolamento; e no território do indígena do Tanaru. A atuação da Frente garante a proteção e a autonomia desses indígenas e a preservação de sua integridade no mais amplo sentido. Para as Akuntsú e para os Kanoé, a intervenção foi vital para a salvaguarda de suas vidas, tendo em vista que no final da década de 1970 a expansão econômica adentrou, sistematicamente, nos seus territórios tradicionais. Para os isolados das TIs Massaco e Tanaru, a não intervenção por meio do contato, descortinou-se bem-sucedida e, desde 1990 (Amorim 2016), há a garantia de seus direitos, preservando a decisão dessas parcialidades humanas em se manterem em situação de autonomia frente à sociedade nacional. Dessa forma, o presente artigo busca um exercício analítico de compreender as três realidades em perspectiva, refletindo sobre questões contextuais em um horizonte histórico, linguístico e indigenista. Compreendemos que, nesses contextos, os povos de recente contato e os indígenas em situação de isolamento refletem processos históricos de resistências no médio e baixo rio Guaporé.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/43435 Referências em estudo 2022-07-18T15:36:36-03:00 Felipe Vander Velden felipevelden@yahoo.com.br <p>As florestas de Rondônia abrigam um conjunto significativo de referências a povos indígenas isolados. Como a região abriga considerável diversidade linguística e cultural, a definição do pertencimento etnolinguístico desses povos-referências é bastante problemática. Para além desta indefinição em nível etnolinguístico, várias das referências aos isolados – sobretudo aquelas “em estudo” ou “não confirmadas”, ou chamadas simplesmente de “informação” – têm se prestado também à discussões em níveis que chamaremos de interétnico e específico, que discutem tanto a indianidade como a própria humanidade desses coletivos. Tratam-se de casos em que o caráter fantasmagórico desses povos parece ainda mais pronunciado, e de discussões não apenas sobre se vestígios são produtos de indígenas, mas mesmo se são resultantes de ações humanas. Entretanto, as denominadas “referências não confirmadas” têm sido pouco estudadas em suas múltiplas dimensões. Este artigo advoga por uma maior atenção a tais cenários como forma de expandir nossa reflexão sobre a natureza do que pode constituir um coletivo indígena e humano.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica https://periodicos.unb.br/index.php/ling/article/view/46450 Do mel (ao arco das) cinzas 2022-12-29T19:04:36-03:00 Daniel Cangussu cangussu.isolados@gmail.com Renata Otto Diniz tatadiniz2@gmail.com Luis Felipe dos Santos S. Melo luismellow01@gmail.com Leonardo Viana Braga leovianabraga@gmail.com Gabriel Garcez Bertolin ggbertolin@gmail.com Priscila Ambrósio Moreira aliscipri@gmail.com Maria Auxiliadora Drumond alatus@ufmg.br <p>As fronteiras do leste e sudoeste amazônico têm sido palco de intenso processo de desmatamento e grilagem de terras públicas, onde, via a utilização do fogo, é realizada a conversão sistemática de florestas em monoculturas e pastagens para o gado. Neste contexto, os solos vão sendo envenenados pela (des) regulamentação do uso de agrotóxicos e rios e igarapés vão desaparecendo mais rapidamente. Com o extermínio dos polinizadores, logo todos os sistemas de produção agrícola desta grande região se verão diretamente impactados, e aos poucos, o arco do fogo, como é conhecido esse território, vai se convertendo em um arco de cinzas e ruínas. Mas há outros impactos menos evidentes, mas não menos preocupantes, neste dramático processo destrutivo. Esse território corresponde ao lar de todos os povos indígenas isolados tupi da Amazônia brasileira. Comunidades que, a exemplo dos Awá-Guajá do Maranhão e Kagwahiva do Mato Grosso, são formados por grupos bastante reduzidos e que vivem nos últimos redutos florestais destas fronteiras amazônicas. A extinção das abelhas nesses territórios coloca em xeque uma profunda relação dos povos indígenas e esta entomofauna, expressa no padrão de mobilidade e itinerância relacionados à coleta e extração do mel, prática de grande relevância neste contexto indígena tupi.</p> 2022-12-29T00:00:00-03:00 Copyright (c) 2022 Revista Brasileira de Linguística Antropológica